Assessor de Lula confirma contatos com churrasqueiro

O chefe do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, confirmou na noite desta sexta-feira, 20, que conversou duas vezes, no dia 15 de setembro, com o petista Jorge Lorenzetti, personagem central da tentativa de compra do dossiê Vedoin contra políticos tucanos. Os telefonemas foram localizados pela quebra do sigilo telefônico de Lorenzetti, pela Polícia Federal, e os contatos foram feitos para o gabinete de Carvalho, no Planalto.

Gilberto Carvalho disse que conversou com Lorenzetti, exercendo seu papel de buscar informações para levar ao presidente Lula, depois de ter recebido um telefonema de uma pessoa do comitê de campanha, que não quis revelar o nome, dizendo que dois petistas haviam sido presos em São Paulo e que este era "um assunto complicado e grave".

Carvalho assegurou "não estar preocupado" com a tentativa de envolver seu nome neste caso porque "não tem nada a esconder". E acrescentou: "Estou tranqüilo". Disse ainda que não havia conversado com Lula sobre o que chamou de tentativa de envolvimento do seu nome neste episódio porque, naquele momento, o presidente estava em um comício em Belo Horizonte e este não era um assunto para incomodá-lo naquele momento. "Não me preocupei em falar com o presidente. Se fosse uma coisa grave, que me envolvesse, que dissessem ´to na fita´ aí eu já teria ligado", comentou Carvalho, dizendo que mais tarde os demais auxiliares o avisariam.

"Sei que esta é mais uma tentativa de atrapalhar a campanha. Só espero que não usem isso para atingir o presidente porque atingir a mim não significa nada", comentou o chefe de gabinete de Lula. "Neste tempo de duro combate, vale tudo", disse ele, salientando que espera que prevaleça o bom senso.

Gilberto Carvalho esclareceu que estava acompanhando a gravação de um programa eleitoral com o presidente Lula, no Lago Sul, em Brasília, por volta das 9h30 do dia 15 de setembro, quando recebeu um telefonema de uma pessoa do comitê informando que dois petistas haviam sido presos com dinheiro. "Ligue para o Lorenzetti que parece que ele está sabendo e pode ajudar a informar isso aí", contou Gilberto, esclarecendo que resolveu ir para o Planalto para dar o telefonema para Lorenzetti para saber do que se tratava.

"Aparentemente ele estava muito confuso, muito nervoso. Ele não me passou uma informação adequada tanto que, na hora, nem a repassei para o presidente", declarou Carvalho, lembrando que isso já foi por volta das 10h30. Nesta conversa, lembrou, em hora nenhuma Lorenzetti admitiu que poderia estar pessoalmente envolvido neste caso, já que os dois presos - Gedimar Passos e Valdebran Padilha - eram ligados ao setor de "inteligência" do comitê de campanha de Lula, liderado pelo próprio Lorenzetti.

A partir daí, Carvalho disse ter ido atrás de novas informações. Já no Planalto, depois das gravações na produtora de João Santana, Lula teve uma cerimônia, mas, assim que ela acabou, Carvalho foi ao seu gabinete, antes de ele sair para o almoço, por volta das 13 horas, e, a sós com ele, falou: "Tem uma notícia muito chata. Não sei bem ainda o que é. Prenderam dois petistas, em São Paulo, com dinheiro. Parece que é negócio de dossiê. Falei com o Lorenzetti". Em seguida, narrou que o presidente pôs a mão na cabeça e desabafou: "Não acredito que isso possa estar acontecendo. Não é possível que alguém tenha feito uma loucura dessa nesta altura da campanha".

Um novo contato entre os dois ocorreu por volta das 18h40 do mesmo dia, conforme verificou em suas anotações, quando Lorenzetti telefonou para Gilberto, na segunda conversa do dia. Em momento nenhum, nas duas conversas, segundo Gilberto, Lorenzetti teria admitido participação na compra do dossiê. "Só fui saber que ele (Lorenzetti) estava na história dias depois", comentou Gilberto, alegando nunca ter visto ou falado com Valdebran e Gedimar. "Isto tudo para mim era muito novo. Me surpreendi", relatou ele, esclarecendo que nunca mais os dois se falaram, "até por prudência".

Antes disso, conforme contou Gilberto, os dois haviam conversado no final de agosto. "Foram sempre conversas rápidas, sempre ligadas à agenda do presidente em Santa Catarina, já que ele sempre se empenhava na preparação da agenda do presidente nas viagens ao Estado", disse. As informações são da Agência Estado.

Publicado em: 21/10/2006