Lula: "Os companheiros não farão mais burrices"

Poucas horas depois de o chefe do Gabinete Pessoal, Gilberto Carvalho, ter admitido que conversou por telefone com um dos envolvidos na tentativa de compra do dossiê dos sanguessugas no dia em que foram presos, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar auxiliares e petistas que se envolveram em escândalos ao longo do governo.

- Agora já aprendemos, estamos mais calejados... os companheiros petistas certamente não vão fazer as burrices que fizeram neste primeiro mandato - disse Lula em comício na região central de Belo Horizonte.

Falando para uma platéia de 4 mil militantes de movimentos sociais, segundo organizadores do ato público, Lula reconheceu também ter cometido erros na campanha eleitoral do primeiro turno.

- Posso ter cometido erros, nem nos debates eu fui porque achei que já tinha ganho. Vocês também não entraram com toda força, pensando que estava ganho no primeiro turno - afirmou.

Lula repetiu o argumento de que o segundo turno seria positivo, por permitir o que ele chama de ''comparação entre dois projetos de país''.

- Quando fui para o segundo turno, todo mundo acordou para o que podia acontecer neste país. Este segundo turno foi uma bênção divina - acrescentou.

O presidente-candidato anunciou que falaria pouco, para se poupar para os dois debates que ainda faltam até as eleições.

- A gente nunca sabe como é que o adversário vai vir - comentou.

Assim mesmo, Lula enumerou diversos programas e ações de interesse dos movimentos sociais e ficou emocionado ao mencionar uma carta de uma jovem de periferia contando que teve de deixar o curso de antropologia por falta de dinheiro para pagar a universidade.

- Isso nunca mais pode acontecer neste país. No segundo mandato, vamos criar mais 300 mil vagas do Prouni (Programa Universidade para Todos). O projeto do outro atende aos interesses de uma minoria, o nosso projeto atende aos interesses dos pobres, da classe média, da maioria da sociedade brasileira - afirmou.

No palco, Lula estava acompanhado do vice-presidente José Alencar e cinco ministros mineiros de sua equipe, além do prefeito Fernando Pimentel (PT), que prometeu a Lula uma votação em Belo Horizonte ''igual somente a que Juscelino Kubitschek recebeu''. Informações do JBOnline.

Publicado em: 20/10/2006