Um domingo de muitas promessas dos presidenciáveis

 A 15 dias da votação no segundo turno, os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin jogaram para escanteio hoje as discussões sobre programas de governo e ética para acenar para os eleitores com promessas de distribuição de computadores a diminuição do preço da passagem de ônibus.

O candidato da coligação PSDB-PFL à presidência prometeu que, se for eleito, vai promover um corte no PIS e Cofins incidentes no preço do óleo diesel e na energia elétrica do setor de transportes. "Vou reduzir impostos, começando pela passagem de ônibus, metrô e trem, que hoje (é formado em sua grande parte) por impostos (PIS e Cofins sobre óleo diesel e energia elétrica)", destacou, após fazer um corpo a corpo na feira do Capão Redondo, zona Sul da cidade.

Na sua avaliação, é necessário reduzir impostos porque a população mais pobre é a que acaba sendo onerada. Além desta promessa, Alckmin disse que irá estabelecer um piso nacional para os professores. Indagado se a promessa era um aceno ao apoio do PDT de Cristovam Buarque, o tucano admitiu que o apoio desta legenda é muito importante nesta campanha de segundo turno. "Hoje, Dia do Professor, vão fazer o que o governo Lula do PT não fez, que é aprovar o Fundeb", disse ele, numa crítica ao adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula não ficou atrás. Em discurso para uma platéia de cerca de 50 professores em um evento programado pelo comitê de campanha para a sua reeleição, em Brasília, o presidente candidato disse esperar ver o dia em que a educação será prioridade no País. O encontro com os professores, marcado para ser uma homenagem do presidente aos educadores, foi um ato de apoio à sua reeleição e cheio de críticas dos participantes ao governo tucano e ao adversário de Lula na disputa eleitoral.

Lula fez promessas para professores caso seja reeleito para um novo mandato: colocar mais 300 mil estudantes nas universidades por meio do PróUni (programa de bolsas em universidades particulares) e instalar extensões universitárias e escolas técnicas em cada cidade-pólo do País para que os alunos estudem próximo de suas casas, ações referentes ao ensino superior, apesar de a platéia ser formada por professores de ensinos fundamental e médio. O presidente, no entanto, disse que a aprovação do Fundeb (a espera de votação no Congresso) vai permitir o piso salarial nacional para os professores e previu que, em breve, todos os professores poderão ter o seu próprio computador portátil.

"Acabou o tempo em que o Brasil era governado para um terço da sua população. Ele tem de ser governado para todos", discursou Lula, completando que sempre houve no País uma parcela da elite que não deseja avanços sociais. "Tem sempre gente achando que do jeito que está, está bom e que, se a gente for dar para todos, vai tirar um pouco deles. Aqui ninguém quer tirar de ninguém. O que nós queremos é partilhar corretamente o pão de cada dia e o resultado do trabalho de cada dia", disse.

As promessas de Lula atingiram um público de encomenda que ali estava para aplaudi-lo graças à ação da máquina pública. Os professores que participaram do evento foram convidados pela campanha de Lula com a ajuda da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE). De acordo com os organizadores do evento, as despesas com a viagem dos professores foram pagas pelo comitê de Lula. O contato com professores de etnias indígenas de Mato Grosso do Sul presentes no encontro teve contribuição da Funai, segundo contou a índia terena Dalila Luiz Cândido, professora da escola municipal de Aquidauana. As informações são da Agência Estado.

Publicado em: 15/10/2006