A ÍNGUA – um caso de autoritarismo através da linguagem

Numa pequena cidade do interior, uma humilde senhora entra na pequena sala da promotora do Município e ao dizer que estava com uma inga, não logrou ser compreendida pela sua interlocutora. Na ocasião, foi aconselhada a voltar ao hospital e pedir ao seu médico para  detalhar melhor as causas de suas reclamações, devendo retornar dentro de uma semana.

A representante da Justiça nos segredou das dificuldades do povo se expressar e de ser entendido. Por fim, teria admitido que nem estava compreendendo o que a humilde senhora queria dizer, pois nem sabia o que era ínga.

Logo que a reclamante deixou o recinto,  recebeu a  a informação de que  o termo correto era íngua e que seria uma inchação dos gânglios da região das axilas ou da virilha. Ao pesquisar  no Aurélio, estava confirmada a informação: íngua seria o nome para um intumescimento do gânglio linfático inguinal.

Este caso reflete as contradições que existem entre a linguagem que é ensinada às elites e a linguagem que o povo usa nas pelejas do dia-a-dia. Caracteriza as diferenças e distâncias com que são demarcadas cultural e socialmente entre aqueles que têm a responsabilidade de servir  e o povo - objeto de seus serviços.

Aliás, a linguagem direta e sem rodeios,  foi um dos sucessos do ex-presidente Lula no seu relacionamento com o povo. A íntegra deste artigo, do professor Carlos Alberto Fernandes, que escreve aqui às segundas-feiras, você confere no menu Opinião. Vale a pena!

Publicado em: 17/01/2011