Apoio do PP a Guerra gera crise na base de Eduardo

Porta-voz do partido do governador Eduardo Campos, o presidente estadual do PSB, Milton Coelho (foto), anunciou ontem que o governo não aceitará de nenhum partido da base aliada "apoio pela metade" na eleição de 2010. "Não compreendemos nenhum posicionamento de legendas da base que seja meio apoio. Não é possível apoiar o governo e não a chapa majoritária. Essa posição não é só do PSB, mas dos demais partidos aliados", criticou Coelho, revela matéria de Cláudia Eloi, no Diário de Pernambuco.

O enquadramento do socialista aconteceu um dia após o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) anunciar que, mesmo sendo integrante da base governista, apoiará a reeleição do senador da oposição, Sérgio Guerra (PSDB). Na última quinta-feira, Eduardo da Fonte revelou que, mesmo estando no palanque da reeleição de Eduardo Campos, estaria livre para decidir quem apoiaria para o Senado.

O anúncio oficial do apoio a Sérgio Guerra está agendado para a próxima segunda-feira, à tarde, na sedo do PP. Ao saber da reação de Milton Coelho, o parlamentar disse que não discutiria o assunto com intermediários. "O governador é quem tem que falar. Vou discutir diretamente com Eduardo e não por intermediários", assegurou.

Por telefone, Milton Coelho ressaltou que a posição do deputado é extemporânea e que é consenso entre os partidos da base que o condutor da sucessão eleitoral é o governador Eduardo Campos. "Não se pode contaminar 2009 com disputas eleitorais que só ocorrerão em 2010. Os candidatos ao Senado não foram sequer definidos. A unidade tem que ser preservada. Não podemos abrir exceção", afirmou Coelho.

Em sua avaliação, o eleitor não entenderia um apoio pela metade. "Em que palanque vai estar o PP? O eleitor vai se perguntar", criticou. Ele acrescentou que tentou falar com Eduardo da Fonte, mas não foi possível porque o parlamentar estava em Brasília. "Falarei com ele no fim de semana ou na segunda-feira", garantiu. As lideranças dos demais partidos que compõem a base do governo foram unânimes ao declarar que a decisão de Eduardo da Fonte é uma posição isolada.

Publicado em: 11/07/2009