Futuro do automotivo é no carro elétrico, prevê Souza

Por Hylda Cavalcanti

O futuro do setor automotivo do Brasil está no carro elétrico. E isso não demora muito para acontecer. A expectativa é de que até 2030, 40% da frota mundial de veículos seja formada por carros elétricos. Quem afirma isso, com a expertise que possui na área, é o empresário cearense Antonio Souza, que vem se destacando no mercado automotivo 4x4, direcionado ao campo corporativo.

Fundador da CAB, detentora dos direitos de produção e comercialização do Jipe Stark – totalmente nacional – ele afirmou, durante entrevista concedida via Live ao blog – que considera os carros elétricos um caminho sem volta. Uma vez que possuem baixo custo de montagem, baixa emissão de poluentes e um mercado gigantesco a ser explorado.

Souza lançará em janeiro a divisão de tecnologia da empresa, no município pernambucano de Araripina, onde serão realizados estudos e pesquisas científicas, além da montagem dos carros elétricos. E lançará em dezembro, em Brasília, uma montadora para atendimento a toda a região Centro-Oeste. Além disso, se prepara para ter uma montadora em cada região do País. Contou que seguiu exemplos da Alemanha e da China para o empreendimento.

Ao falar sobre a instalação da fábrica em Araripina, Souza contou que brigou muito para instalar uma indústria no município de Pedras (PE), mas foi vencido por problemas burocráticos que dificultaram a instalação. Ele afirmou que ainda aguarda a possibilidade de conseguir instalar lá um dos seus empreendimentos.

Destacou que enquanto isso, no Distrito Federal, o Governo abriu todos os caminhos para a empresa. “Em Brasília, em menos de 60 dias a gente já tinha ganhado a licitação e estava com uma área para instalar a montadora da CAB. A sugestão do governador Ibaneis Rocha (do DF) foi de que deveríamos inaugurar este ano por ser ano do aniversário dos 60 anos de Brasília. E o presidente Juscelino Kubitscheck inaugurou a capital em cima de um jipe. Então, nada mais simbólico para comemorar as seis décadas da cidade”, explicou.

Ao comparar o acolhimento que recebeu por parte do governo do Distrito Federal com o de Pernambuco, o empresário adotou um tom diplomático, mas admitiu que não obteve o retorno esperado no estado.

"Pernambuco não me deu a resposta no tempo devido, infelizmente, e perdeu a fábrica para Brasília. Mas eu espero que esta resposta aconteça agora em relação aos carros elétricos. O empreendedor precisa receber bons retornos por parte dos governantes para ajudar no desenvolvimento e na geração de emprego e renda do país como um todo”, enfatizou.

Ele também manteve contatos com o Ministério da Ciência e Tecnologia no âmbito do Governo Federal, mas ainda aguarda um retorno. Souza afirmou, ainda, que pretende investir com os carros elétricos, inicialmente, para uso do setor público e, também, no caso da iniciativa privada, para segurança – em condomínios, campos de golfe, estacionamentos (para levar clientes de um local até outro) e outras funções.

Bem sucedido nesta área, ele também acumula sucesso em sua primeira empresa, iniciada em 1994, na área de segurança eletrônica. Começou com uma pequenininha. Hoje o grupo é formado por seis delas, sediadas nas capitais Maceió, Recife, João Pessoa, Brasília, Goiânia e Macapá.

O empresário contou, ainda, que não teme uma possível crise energética no País que possa vir a prejudicar o investimento nos carros elétricos. De olho no futuro, ele já está direcionando alguns empreendimentos para a implantação de um sistema de energia solar. “Estamos enxergando esse mercado e queremos entrar no segmento de prestação de serviços de acesso energético”, frisou.

“Por minha história de vida, digo que o que diferencia a gente das pessoas mais bem sucedidas do mundo são as oportunidades. A gente encontra muitas barreiras e em todas as situações difíceis é importante enxergar o lado bom”, ressaltou.

Publicado em: 29/09/2020