Netinho: Deus me deixou vivo para cantar e ajudar o PaĆ­s

Por Hylda Cavalcanti

O cantor baiano da axé music Netinho, que passou cinco anos se recuperando de sérios problemas de saúde, está saudável, cheio de energia e mais ativo do que nunca, na profissão e na política. Ele prepara um show novo para apresentar após a pandemia, tem atuado como apoiador do Governo Bolsonaro e, inclusive, está disposto a ajudar candidatos bolsonaristas no segundo turno. Em live, há pouco, neste blog, Netinho abriu o coração e rompeu um longo período de abstinência com a mídia nacional.

Contou detalhes pessoais da sua vida poucas vezes revelados. Disse que, embora não tenha vontade de assumir qualquer órgão público, se vier a ser chamado, encara o convite como “uma missão” e entrará “de cabeça”.

Polêmico, o artista se expressou, durante toda a live, de forma doce como são suas músicas. E adotou um tom amigável e diplomático, evitando citar nomes de alguns colegas com quem se diz decepcionado.

Mas ao mesmo tempo, admitiu que bloqueia pessoas que façam comentários antipáticos ou agressivos a ele nas redes sociais e que nunca se incomodou com o que pensam os colegas por sua posição de apoiar o presidente da República.

"Não dou entrevistas desde 2018. Quem quiser saber de mim que entre nas minhas redes sociais, leia o que escrevo para conhecer minhas verdades. Todo o restante que não estiver lá são mentiras”, afirmou.

O cantor e compositor explicou que deixou de dar entrevistas porque no período em que esteve doente sua mãe e sua filha sofreram muito com informações falsas e não checadas que noticiaram pioras do seu quadro de saúde e até mesmo sua morte. “Foram informações repassadas por jornalistas irresponsáveis. A falta de caráter das pessoas independe de profissão”, ressaltou, ainda em tom magoado.

Netinho é crítico, hoje, em relação ao carnaval. Ele contou que iniciou a carreira nos anos 80 e 90, mas com o tempo começou a surgir uma nova política empresarial nos carnavais, que o desagradou. “Em 2012 entendi que o carnaval de Salvador não era mais o dos anos 90. A música foi desvirtuada. Não me senti mais um artista participando do carnaval de Salvador”, afirmou.

O cantor, entretanto, parou duas vezes a carreira, retomada em 2017. Primeiro, em função de uma situação pessoal, de busca por autoconhecimento. E depois, em função do problema de saúde pelo qual passou. "Em 2003, descobri que tinha tudo o que o sucesso podia me dar, mas me sentia vazio por dentro. Então, parei a carreira para me encontrar. Fui para a Europa e na volta reencontrei com antigos parceiros e lancei um CD de música pop. Muita gente no Brasil achou que eu tinha largado o Axé para virar um cantor pop. Voltei em 2006 a fazer o carnaval, mas fui deixando de fazer. Em 2012, vi que o carnaval estava diferente. E em 2013, adoeci, perdi a voz, os movimentos do corpo e a memória recente. Fiquei cinco anos impedido de trabalhar”, relatou.

Foram momentos muito difíceis, em que ele precisou vender dois imóveis para pagar as contas, ficou no hospital, teve três Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) ao longo do período e tentou duas vezes acabar com a própria vida. Mas tudo isso ficou no passado.

Sobre a aproximação com o presidente Jair Bolsonaro, afirmou que tudo começou depois do atentado sofrido pelo presidente. Netinho fez uma cirurgia agressiva no intestino e passou por esse processo de recuperação.

“Em 2018, estava na casa de um amigo em Salvador quando vi na TV que Bolsonaro tinha levado uma facada, tinha feito uma cirurgia igual à que eu fiz no intestino e estava com medo de morrer. Achei que precisava falar com ele. Consegui o contato e viajei até sua casa, no Rio de Janeiro para lhe tranquilizar, dizer que também fiz essa cirurgia. Encontrei lá não o político, mas o ser humano. Vi uma pessoa transparente, alguém muito verdadeiro”, destacou.

O artista disse que considera como uma missão dar continuidade à música e continuar tendo uma atuação política, como forma de ajudar o País. “Amo o Brasil e sou muito agradecido ao povo que me fez construir minha vida. Depois de uma vida maravilhosa até os 43 anos, de ter tido vários problemas de saúde e até tentado me matar, se não morri é porque Deus me deixou vivo para continuar fazendo tudo isso. Seguirei até o fim, cantando e também apoiando o presidente”, frisou.

Sobre a reação dos colegas artistas, ele demonstrou não se incomodar.  “Nunca participei de grupos, nunca andei em casa de artistas ou participei de patotas. Sou independente e sempre pensei por mim mesmo. Não devo satisfações a ninguém, a grupo algum”, disse.

Contou, também, que fazia Engenharia Civil e deixou para abraçar a música inspirado por quatro grandes artistas, com quem se decepcionou posteriormente. “Depois que fiquei doente entendi que eles financiaram suas carreiras a vida inteira. São gênios da música, mas não de caráter”, reclamou, evitando citar nomes.

“Soube que a comunidade artística inteira da Bahia está contra mim. Não estou preocupado com isso. Há uma frase de Divaldo Franco, médico espírita baiano, que diz: ‘Se alguém não gosta de você o problema é dele, mas se você não gosta de alguém o problema é seu, então ame’. Eu durmo todo dia bem feliz, leve, porque não sinto ódio por ninguém”.

Sobre a exposição, o cantor ao mesmo tempo em que afirma que sua vida, até em função da profissão que escolheu, é muito exposta, gosta de adotar uma postura mais reservada. Ele tem críticas ao movimento LGBT, por exemplo, que avalia como um movimento que adota comportamentos muito radicais em relação aos homossexuais e bissexuais.

“Minha vida sempre foi exposta, nunca escondi nada. Só contei que sou bissexual numa entrevista que concedi para a Revista Quem. Fiz isso anos depois que me divorciei, quando tive um relacionamento com uma pessoa. Os LGBTs querem que todos se exponham e todos batam palmas. Cada pessoa pode ser o que for, só não pode levar isso para crianças de quatro, cinco anos de idade. Os LGBTs, com essa forma de agir, estão afastando as pessoas”, afirmou.

“Se você é gay a esquerda diz que tem que ir para a putaria e subir em cima de um caminhão na parada gay. As pessoas acham que o gay tem que se empoderar, quando cada um tem que se comportar como achar melhor”, acrescentou, descartando rótulos.

Da mesma forma que abriu sua vida neste quesito, Netinho revelou que desde 2016 não faz sexo, determinação que disse ter adotado para o resto da vida. Contou que não tem uma pessoa com quem se relacione como marido ou companheiro. “Estou apaixonado, vivendo uma relação lindíssima comigo mesmo. Algo chamado autoamor. Amo ficar sozinho”.

Sobre Bolsonaro ser considerado homofóbico, o artista afirmou: “Gargalho com isso”, ressaltando não concordar com as declarações que são feitas até mesmo por ex-apoiadores do presidente. “O nome disso é idiotice, doutrinação. O melhor amigo de Bolsonaro é o deputado Hélio Lopes, que é negro. Genocida é aquele que favorece a matança de certo grupo étnico, me diga se Bolsonaro fez isso. As pessoas precisam sair dessa bolha de idiotia”, destacou.

Ele também demonstrou receptividade caso seja convidado para assumir algum órgão no governo. “Minha intenção quanto a isto é zero, porém, se chegar o dia em que Jair precisar de mim para alguma coisa, vou e me jogo de cabeça. Nem penso duas vezes”, disse.

Netinho contou ainda que vai se envolver nas eleições municipais seguindo a orientação que o presidente der. “Não vou apoiar ninguém no primeiro turno, mas se no segundo turno os candidatos apoiados pelo presidente acharem que precisam da minha presença, darei meu apoio e vou até onde estão para fazer campanha”.

No Recife ele frisou que apoia os candidatos a vereador Maria Ferraz, Osvaldo Neto e Coronel Meira, todos bolsonaristas. Torce, ainda, pela candidatura do coronel Alberto Feitosa à Prefeitura do Recife.

Netinho está com um show inédito, totalmente pronto para apresentar assim que acabar a pandemia da Covid, intitulado Volares (voar em italiano). Pretende cantar, nestas futuras apresentações, antigos sucessos e cinco músicas internacionais em ritmo de axé. “O mundo pós-covid será mais amoroso e mais positivo. Só depende de nós”, ressaltou.

Publicado em: 21/09/2020