Coluna da terça-feira

Patrícia no segundo turno

O apoio do Partido Cidadania, ex-PPS, de Daniel Coelho e Roberto Freire, à candidatura de Patrícia Domingos à Prefeitura do Recife, pode até não garantir a sua presença no segundo turno, mas abriu um caminho bem pavimentado. Fato novo na sucessão do prefeito Geraldo Júlio, a delegada rompeu o isolamento político e ganhou mais aderência, que já tinha antes, conforme atestam todas as pesquisas de intenção de voto feitas na fase anterior pré-eleitoral.

Daniel agrega politicamente e eleitoralmente. Foi candidato por duas vezes a prefeito da capital, com votações expressivas, tem capilaridade, credibilidade e trânsito nacional. Não é fácil transferir votos, mas o eleitorado de Daniel se confunde com o de Patrícia, segundo pesquisas internas que o partido do deputado encomendou para referendar o apoio e ter sustentação em seu discurso. Esperado pelo DEM, em apoio a Mendonça Filho, Daniel diz que nunca garantiu que apoiaria o democrata sem uma base referencial de sustentação, como pesquisa.

Em entrevista ao Frente a Frente de ontem, o líder do Cidadania apostou que, com o apoio do seu grupo, a delegada tem mais chances de chegar ao segundo. No seu entender, entre o candidato do PSB, João Campos, e Marília Arraes, do PT, as chances de Patrícia disputar o confronto final estariam muito mais próximas do socialista do que a petista. “Se formos levar em consideração que o PSB está no poder e tem duas máquinas, João já estaria escalado para o segundo turno”, disse.

Daniel Coelho rechaça qualquer versão de que passou para o palanque de Patrícia motivado por ressentimentos por não ter sido escolhido candidato consensual do bloco da oposição na disputa com Mendonça Filho (DEM). “A questão numérica – maior número de partidos em apoio – não se sustenta, porque nas pesquisas eu sempre apareci com maior densidade eleitoral do que Mendonça e menor taxa de rejeição”, declarou.

Hoje, o deputado reúne o partido para colocar em discussão o nome que possa ter mais apoios para ser indicado como vice na chapa de Patrícia. Conforme antecipou, entre os nomes cogitados estão o do vereador Jayme Asfora, da bancada do partido na Câmara do Recife, e da militante Karla Falcão, que disputou um mandato para Assembleia Legislativa na eleição passada.

SAIU ANÃO – Se há um político que está saindo na campanha no Recife menor do que entrou este atende pelo nome de Túlio Gadelha, deputado federal, namorado da apresentadora global Fátima Bernardes. Chancelado pela direção nacional do PDT para indicar o vice de João Campos, vacilou, apostando num nome que seria prejudicial à campanha do socialista. Rifado, tentou cair nos braços da petista Marília Arraes, mas a direção nacional foi mais esperta do que ele: dissolveu a comissão provisória do partido no Recife, impedindo que promovesse, hoje, uma convenção formalizando apoio à Marília.

ARTICULAÇÃO – As negociações para levar o deputado Daniel Coelho para o palanque de Patrícia Domingos foram conduzidas por ele próprio e a delegada, mas o presidente estadual do Podemos, Ricardo Teobaldo (foto), deu uma grande colaboração com o trânsito que conquistou com a presidente nacional do seu partido, a deputada Renata Abreu (SP). Teobaldo esteve em São Paulo por diversas vezes com Abreu, também com o líder no Senado, Álvaro Dias, e desde o momento em que viu que Daniel não iria apoiar Mendonça buscou, pessoalmente, convencê-lo a se aliar ao projeto da delegada de governar o Recife.  

ESTÁ FORA – Ficou para hoje, em Caruaru, a confirmação ou não da candidatura do deputado José Queiroz, pelo PDT, à Prefeitura do Município. Segundo apurei ontem e ao longo das últimas semanas, Queiroz não será candidato por vários motivos. Não contava que essa eleição fosse contaminada ou atrapalhada pelos efeitos da pandemia do coronavírus. Enfrenta, também, um problema de ordem familiar, com uma nora que lhe deu três netos internada num hospital do Recife em consequência de um AVC hemorrágico. Por fim, o deputado não aparece bem nas pesquisas de intenção de voto num cenário no qual a prefeita Raquel Lyra tem amplas chances de ser reeleita logo no primeiro turno.

ABREU E LIMA – Em Abreu e Lima, a convenção realizada, ontem, pelo diretório municipal do PSB para homologar a candidatura de Cristiane Moneta à Prefeitura não tem validade e foi anulada pelo diretório estadual, que marcou um novo encontro com os convencionais para amanhã, às 18h, prazo final para decidir se o partido tem candidatura própria ou se vai apoiar algum candidato no município, conforme atestam integrantes do PSB em Pernambuco, sob a liderança de Sileno Guedes (foto). Moneta recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco para validar a convenção, mas teve o pedido negado. O TRE alega que a decisão compete ao partido.

FIM DA REELEIÇÃO – Prometido pelo presidente Jair Bolsonaro ainda na campanha de 2018, o fim da reeleição para cargos no Executivo tem o apoio de líderes de 15 dos 24 partidos representados na Câmara e no Senado, segundo levantamento do Estadão. O assunto, esquecido por Bolsonaro após eleito, voltou a ganhar força depois que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, em artigo no Estadão, ter errado ao dar aval à medida, que lhe permitiu ficar oito anos no poder. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para proibir a recondução de presidentes, governadores e prefeitos foi apresentada na semana passada pelo deputado Alessandro Molon (RJ), líder do PSB.

MANOBRA – Especialistas ouvidos pelo Estadão avaliam que o presidente Jair Bolsonaro fez uma “manobra política”, mas não cometeu propriamente um crime, ao defender nas redes sociais a derrubada do próprio veto dado a uma parte do perdão a dívidas de igrejas. A medida havia sido aprovada pelo Congresso. “Confesso, caso fosse deputado ou senador, por ocasião da análise do veto que deve ocorrer até outubro, votaria pela derrubada do mesmo”, afirmou o presidente na sua página no Facebook.

Perguntar não ofende: A quem a Polícia Federal vai dar bom dia hoje? 

Publicado em: 14/09/2020