Vergonha de minha cidade

O prefeito de Afogados da Ingazeira, minha terra, José Patriota (PSB), não é um desconhecido. Tem uma certa faminha por ser presidente da Amupe, a Associação Municipalista de Pernambuco, entidade que congrega os 184 gestores do Estado. Forjado no sindicalismo, tem boa aprovação e por isso mesmo me surpreendi na volta ao solo natal e me deparar com o abandono do Anel Viário, a obra que descortinou o já caótico trânsito e marcou a gestão do seu antecessor Totonho Valadares, com quem me disse que não queria mais amores políticos e está próximo a fechar uma aliança para enfrentar um poste nas urnas de novembro.

Refiro-me a poste porque não surgiu nenhum candidato competitivo na oposição. Patriota, aliás, nem precisava reatar o namoro com quem bateu tanto de frente. A eleição da terrinha é céu de brigadeiro para eleger o sucessor. Ao trazer o grupo de Totonho para a chapa, Patriota, entretanto, sinaliza que o teme como adversário. E vai dar a vice de Sandrinho, o seu candidato a prefeito, de mão beijada, sem torcer o nariz se o próprio Totonho informar que aceita ser o vice.

Mas, voltando ao Anel Viário, as chuvas de março levaram três dos seus acostamentos, a via de pedestre para ser mais preciso. Criou-se, como se pode ver nas imagens, crateras que lembram filmes de horror. Ironicamente, ou de forma humorada, poderia ser a nova Sucupira, cidade imaginaria de Odorico Paraguaçu, da novela global O Bem Amado, de tanto sucesso.

O prefeito, suponho, só tem dinheiro para enfeitar praças, sua nova obsessão.

Publicado em: 08/08/2020