Agronegócio após a pandemia será mais rígido

Por Hylda Cavalcanti

Produtores, empresários, setor público, confederações, sindicatos e demais entidades voltadas para o agronegócio discutem como ficará o setor após o final da pandemia do novo coronavírus. A constatação que se tem é que o mercado passará a exigir maior segurança alimentar, alimentos produzidos em meio a técnicas que levem em conta a preservação dos alimentos e maior rastreabilidade de produtos (com informações sobre origem, produção e processos utilizados até se chegar ao produtor final).

Alguns produtores e muitas destas entidades contam com o fato de que, como o Brasil é considerado um país que já possui uma produção confiável, ficará mais fácil tal adaptação. Mas como as mudanças devem ocorrer em escala global, as exigências impostas hoje serão ainda maiores.

Será preciso tanto a preparação por parte dos agricultores – dos grandes aos pequenos – como também da instituição de políticas públicas por parte do governo que ajudem os produtores nestas mudanças de regras.

“A pandemia trouxe uma série de mudanças na questão dos consumos alimentares da população. Não somente por terem sido criadas normas mais exigentes, mas também em função da mudança dos hábitos alimentares dos consumidores, o que impacta na produção e no mercado”, afirmou o diretor de Política Profissional do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Antônio Andrade.

Ele lembrou que depois da pandemia, os alimentos passaram a ter ainda mais relação com a saúde e a questão da qualidade em predominância à quantidade, tendência que já vinha sendo disseminada entre os consumidores, que passou a ganhar ainda mais força.

O diretor da entidade acredita que pontos que agregam valor ao produto na hora da compra continuam sendo mantidos, mas os consumidores serão bem mais rigorosos para saber informações sobre a forma de manipulação dos produtos e se foram usadas substâncias que possam causar problemas à saúde.

Conforme contou Andrade, desde o início da covid a China teve mais regras alteradas em ambientes de frigoríficos, já que há a suspeita de que a doença tenha surgido a partir de abates irregulares naquele país. E isso se reflete numa tendência de endurecimento de padrões sanitários para produtos vindos de lá.

Na avaliação do técnico, como o Brasil tem uma defesa agropecuária boa, os resultados exitosos evitaram mudanças que poderiam ter sido impostas. Mesmo assim, a Anffa aposta que terá de haver maior transparência na questão ambiental e social do país, a partir de adequações a serem determinadas por acordos comerciais.

Segundo ele, o setor que mais deve sentir os impactos da pandemia tende a ser o de produção de proteína animal. As auditorias nesta área já começam a ser mais rigorosas, com exigência de maior número de documentações referentes a todo o processo de produção.

“Muitos debates estão acontecendo e ainda estão por vir. CNA tem orientado bem os produtores e feito a interlocução necessária com o setor”, destacou.

Publicado em: 13/07/2020