Passando a borracha na história

A Câmara de Vereadores do Recife vai votar, na próxima segunda-feira, uma proposta do vereador Ivan Moraes, do PSOL, cujo foco tangencia episódios repugnantes do obscurantismo, da inquisição, da queima de livros e das fogueiras medievais. A iniciativa pretende derrubar o busto do ex-presidente Humberto de Alencar Castello Branco, que assumiu o governo com o golpe ou a derrubada do então presidente João Goulart em 1964.

Será votada em sessão online no grande expediente da Casa de José Mariano. Se aprovada, os senhores vereadores da atual legislatura municipal recifense serão comparados aos equivocados militantes da cegueira ideológica que pensam em apagar a história e não valorizar como fazem as civilizações mais sábias. As marcas do passado são símbolos de ciclos que os povos viveram, aprovam ou desaprovam, gostariam de repetir os exemplos ou evitá-los para sempre.

Derrubar monumentos que dizem respeito a uma história, levado tão somente por uma convicção ideológica pessoal ou partidária, configura um gesto de autoritarismo e uma agressão à doutrina democrática inaceitável. É um desrespeito aos valores vigentes entre parte ou maioria da sociedade do tempo histórico em que os fatos ocorreram.

Na mesma linha de pensamento do vereador Ivan Moraes, estaria na hora de o poder legislativo cancelar também os nomes de avenidas e os bustos de Getúlio Vargas e de Agamenon Magalhães, apenas para citar duas das maiores expressões do Estado Novo de 1930 a 1945 quando o Brasil viveu uma ditadura clássica sem retoques. Em sua sanha para tentar apagar a história e seus exemplos, não seria surpresa se o vereador Ivan Moraes reativasse a proposta da ex-vereadora e deputada federal Marilia Arraes, candidata a prefeita do Recife, que num de seus últimos discursos na Casa de José Mariano defendeu o cancelamento dos nomes de toda as ruas que lembrassem alguém vinculado aos governos militares.

Como se vê, o Recife apresenta um dos piores índices de qualidade de vida, sem saneamento e sem uma educação pública de qualidade, repleta de palafitas miseráveis e favelas verdadeiros guetos de pobreza e de miséria, mas os socialistas acham que ao apagar a história dentro do figurino do obscurantismo estão dando a sua contribuição.

Publicado em: 03/07/2020