Coluna da segunda-feira

Tudo começou na live do blog

Na live pelo Instagram deste blog, no último dia 11, o ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que se sentiria honrado e aceitaria convite para integrar uma espécie de Conselho de Notáveis, criado pelo Planalto, para formular ideias no “aconselhamento” político ao presidente Jair Bolsonaro. Na sexta-feira passada, li no portal UOL, da Folha de São Paulo, postagem do jornalista Tales Faria informando que Temer aconselhou Bolsonaro a afastar o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub.

“Um dos principais conselheiros do presidente nas últimas semanas tem sido o ex-presidente Michel Temer. Bolsonaro enviou interlocutores ao emedebista para reabrir canais de diálogo”, escreveu Tales, adiantado que Temer e Bolsonaro trocaram um telefonema no domingo retrasado, no meio da semana passada e no último domingo. De um jeito bem Bolsonaro de ser, o presidente foi direto ao ponto. “Gostaria que desse umas ideias para diminuir as zonas de atrito da atual crise política e jurídica que o meu governo vem enfrentando”, disse, segundo relato do jornalista, um dos mais conceituados e respeitados de Brasília.

Temer, conhecido como um político que evita atritos, já vinha defendendo a unidade dos mais diversos setores para o enfrentamento da Covid-19. E foi exatamente por aí que começaram suas sugestões. A primeira tentar acabar com as animosidades do Executivo com o Legislativo e o Judiciário. “No caso da Justiça, relata Tales, a paz só seria possível com a demissão do então ministro da Educação, Abraham Weintraub. Segundo o ex-presidente da República, a exibição da fita em que Weintraub defendeu a prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal tornou sua permanência inaceitável”.

Bem, Weintraub foi demitido, adianta Tales. “No caso do Legislativo, Temer elogiou a aproximação com o centrão. Disse que todo presidente precisa de maioria no Congresso para governar. Mas recomendou também pôr fim às hostilidades ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O resultado é que na semana passada, em solenidade no Planalto com a presença de Maia, e dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e do STF, Dias Toffoli, Bolsonaro declarou que “o entendimento” entre os chefes de poderes aponta para dias melhores para o País”.

E assim fechou: “Temer também tem falado de forma direta para o presidente. Disse que as declarações polêmicas na porta do Alvorada para grupos de militantes bolsonaristas, assistidas pela imprensa e que se tornaram um hábito no governo Bolsonaro´, também alimentavam a crise. O ex-presidente sugeriu que Bolsonaro evite entrevistas de improviso. Também foi seguido pelo presidente, que desde então tem falado menos na entrada do Alvorada”.

O que Tales Faria relata foi tudo que Michel Temer disse, categoricamente, na live deste blog, onde se comportou bem à vontade, fazendo revelações explosivas de bastidores da sua gestão. Bolsonaro tomou conhecimento da entrevista (este blog está no clipping do seu gabinete) e, consciente da necessidade de contar com uma voz experiente, exímio articulador político da dimensão de Temer, que nunca sofreu uma derrota no Congresso enquanto presidente, o procurou. E ainda não o nomeou como notável do Conselho, mas já se alimenta das suas sabedorias e da sua inteligência.

Fora extremistas – Após fracassar sua ofensiva para deter as ações do Supremo Tribunal Federal (STF), o bolsonarismo propõe agora uma détente entre as instituições e procura isolar os grupos radicais que pregam “intervenção militar”, com o fechamento do Congresso e da Corte. Nos círculos mais próximos do presidente, o movimento é justificado em razão da avaliação de que extremistas, como Sara Geromini, estariam “contaminando” os movimentos pró-governo. A decisão de se descolar desses grupos veio após ações do STF que levaram extremistas à prisão e à quebra de sigilos de apoiadores e parlamentares bolsonaristas, além da prisão de Fabrício Queiroz, apontado pelo Ministério Público como operador financeiro de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no esquema das rachadinhas.

Vídeos apagados – A operação de retirada do bolsonarismo das pautas extremistas ocorre dois meses após o presidente ter ido a ato que defendia o golpe em frente ao quartel do Exército, em Brasília. A mudança pode ser vista nas redes sociais. Na quinta-feira, o youtuber Alberto Silva, do canal O Giro de Notícia, publicou vídeo no qual aparece vociferando contra “eles”, sem especificar o alvo. “Eles fazem esse tipo de notícia como se nós fôssemos bandidos”, disse, citando escândalos do noticiário nos últimos anos. “Aqui o dinheiro é lícito”. Dias antes, o canal de Silva apagou 148 vídeos, segundo levantamento de Guilherme Felitti, da empresa de análise de dados Novelo.

Paz e amor – Na live deste blog, sexta-feira passada, Marília não quis desconstruir nenhum concorrente, nem mesmo João Campos (PSB), principal adversário, com quem iria, hoje, para o segundo turno, segundo todas as pesquisas de intenção de voto. Preferiu adotar o discurso paz e amor, especialmente porque estava na véspera da reunião do diretório municipal do PT, ocorrida ontem, sob o comando do senador Humberto Costa, que não a referendou. Embora tenha amaciado o ego de Humberto, Marília saiu derrotada do encontro, que não terá, de forma prática, nenhum resultado que possa inviabilizar sua candidatura, porque a direção nacional dará a ela o respaldo negado pelos petistas locais.

Balanço – No balanço das lives, que começaram com Alberto Feitosa, pré-candidato do PSC, apresentando-se como o nome que Bolsonaro vai ungir no Recife, em seguida o Pastor Jairinho (PTC), que chegou a defender o impeachment do prefeito por causa dos escândalos envolvendo a compra de equipamentos superfaturados com o dinheiro da Covid, também chegou a Marco Aurélio (PRTB), o mais contundente, batendo na ferida das contradições do PSB e do prefeito. Depois, Daniel Coelho (Cidadania), que acusou o nível rasteiro do PSB de fazer política, revelando ter sido vítima de uma fake news informando que pagara um motel com cartão corporativo. Mendonça Filho (DEM), por sua vez, também foi para o ataque, chegando a cobrar do prefeito um pronunciamento público sobre os escândalos. Num certo momento, disse que a gestão de Geraldo e ele (o prefeito) são medíocres.

CURTAS

SUBLEGENDA CHUPA OSSO – Já esperada, a decisão do diretório municipal do PT no Recife, ontem, 100% favorável à manutenção da aliança com o PSB em apoio à candidatura de João Campos, passando por cima do que deseja a executiva nacional, fechada com Marília Arraes na disputa, é vergonhosa, imoral, um atestado público de um partido que virou sublegenda do PSB e que está agarrado apenas aos cargos. Até quando o PT vai continuar sendo protagonista apenas de legenda não larga osso? Dizem que só Humberto Costa, o senador que votou contra o projeto do saneamento universal para tirar o povo da lama, controla mais de mil cargos no Estado e na Prefeitura do Recife. Vergonhoso!

EMPRESÁRIO CEDE – Em Arcoverde, a prefeita Madalena Brito (PSB), finalmente, saiu do muro e mostrou a cara do candidato que escolheu para enfrentar o favorito Zeca Cavalcanti (PTB). Trata-se do empresário Wellington Maciel, um dos homens mais ricos do Sertão pernambucano, com atuação em vários segmentos da economia, de hotel a comércio de varejo, ramificado ainda em outras cidades da região do Moxotó. A princípio, houve muita resistência da parte dele, que sempre abominou a velha forma de se fazer política na compra escancarada do voto, mas acabou cedendo, o que surpreendeu muita gente. A política é como uma peça de teatro na qual o povo perdeu o seu papel. Se o povo continuar de forma passiva e omissa com as questões políticas, deixaremos de herança para futuras gerações um País aniquilado pela depredação dos políticos corruptos.

MAJOR OLÍMPIO NA LIVE – As lives desta semana, pelo Instagram deste blog, estão confirmadas com o senador Major Olímpio (PSL), o mais votado do Estado de São Paulo nas eleições de 2018, já rompido com o presidente Bolsonaro, amanhã, e na quinta o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), em campanha aberta pelas redes sociais para o Palácio do Planalto em 2022. Em ambas, a pauta é a crise nacional. Serão no mesmo horário das demais, às 19 horas. Se você não segue ainda o Instagram do blog vai lá e adiciona: @blogdomagno.

Perguntar não ofende: O PT virou de fato o partido da boquinha em Pernambuco?

Publicado em: 28/06/2020