Investigados dão sua versão após operação da PF

Do G1

A Polícia Federal realizou buscas e apreensões, na manhã de hoje, no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura produção de informações falsas e ameaças à Corte – conhecido como "inquérito das fake news".

Entre os alvos estão o ex-deputado federal Roberto Jefferson; o empresário Luciano Hang, dono da Havan; os blogueiros Allan dos Santos e Winston Lima. Eles são aliados do presidente Jair Bolsonaro.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Confira abaixo a versão de alguns investigados.

Allan Santos

À TV Globo, Allan Santos disse: "É incrível, não tem nenhum trabalho sendo feito com membros do PCC, com membros do MST, com jornalistas que criticam ministros do STF, sobretudo nesse inquérito inconstitucional. Inquérito esse que meus advogados até agora não têm acesso aos autos. [...] Hoje sou eu, amanhã são vocês, jornalistas. [...] Vai ser patético para a Suprema Corte inteira. Vão revirar todos os documentos do Imprensa Livre. Vão ver que a gente vive de todos os produtos que a gente vende".

Douglas Garcia (PSL-SP)

Em uma rede social, Garcia disse que operação é tem o "intuito de criminalizar a liberdade de expressão e a atividade parlamentar".

Luciano Hang

Em nota, Luciano Hang disse que tem a consciência tranquila de que jamais atentou contra os ministros do STF ou contra a instituição. "Nada tenho a esconder, uma vez que tudo o que falo está nas minhas redes sociais e é de conhecimento público."

Reynaldo Bianchi Júnior

Em uma rede social, Biannchi divulgou um vídeo mostrando a presença dos agentes da PF na sua residência. "Querem me calar? Não sou o Lula e não tenho medo de policiais, sou homem honesto e Íntegro", escreveu.

"Sem vitimização, acabei de operar a próstata e ainda estou com sonda urinária, mas caguei pra isso! Se estão usando a PF pra me calar, quer dizer que eles estão com medo! Eu estou com DEUS! Obrigado pela força de TODOS!", adicionou.

Roberto Jefferson

Pelas redes sociais, o ex-deputado federal se manifestou chamando de "atitude soez, covarde, canalha e intimidatória" os mandados de busca e apreensão expedidos por Moraes.

"TRIBUNAL DO REICH. Instituído por Hitler, após o incêndio do Parlamento, aquele tribunal escreveu as páginas mais negras da justiça alemã, perseguindo os adversários do nazismo. Hoje o STF, no Brasil, repete aquela horripilante história. Acordei às 6 horas com a PF em meu lar", escreveu Roberto Jefferson.

Rodrigo Barbosa Ribeiro

Em transmissão ao vivo em uma rede social, Ribeiro disse: "Foi constrangedor receber a PF enquanto ainda estava deitado, minha irmã ficou constrangida. Ninguém espera, ainda mais quando é de alguém que não deve nada. Fico triste ao saber que minhas opiniões foram motivo de intervenção. É triste saber que você não pode ter uma opinião que desagrade o ministro do STF. [...] Essas pessoas que foram vítimas de mandados de busca e apreensão, que eu conheço, a maioria delas estão lutando por uma coisa, pela sua liberdade, pelo seu direito como cidadão".

Sara Winter

Em uma rede social, Sara Winter disse que a polícia levou seu celular e seu notebook. "Meus advogados já chegaram, vamos pra cima! O Brasil não será uma ditadura. Hoje, Alexandre de Moraes comprovou que está a serviço de uma ditadura do judiciário. [...] Estou praticamente incomunicável! Moraes, seu covarde, você não vai me calar", escreveu.

Winston Lima

Em uma rede social, Winston Lima afirmou que recebeu "visita da Polícia Federal, que procedeu uma busca e apreensão de computadores e celulares" em sua casa, mas que não foi informado do motivo.

Publicado em: 27/05/2020