A solução Mourão

Por Ayrton Maciel*

Diante da iminência do caos na saúde pública e no sistema de saúde e de uma catástrofe humanitária sem precedentes no BR, caso o rompimento do isolamento social contra a disseminação do novo coronavírus se concretize, restará ao STF – o Congresso e os governos da União e dos Estados solidários – determinar a interdição do presidente Jair Bolsonaro, por incapacidade para governar e por gestos e atos inconsequentes que põem a saúde da população sob graves riscos. Fatos e circunstâncias estão agravados pela ameaça de decretação da abertura geral do comércio e da indústria, ato que iria de encontro a todas as recomendações científicas e médicas de organizações internacionais e medidas preventivas de governantes de todo o mundo para conter a escalada da pior pandemia em 100 anos.

A interdição de Bolsonaro, com a posse do vice Hamilton Mourão, sob juramento de respeito aos poderes, instituições e ao regime democrático, é um passo fundamental para tranquilizar o país em um momento de gravidade e imprevisíveis consequências econômicas, sociais, de segurança pública e de tempo. Mourão não compartilhou dos gestos e atos de Bolsonaro, até o momento, não havendo respaldo legal para a sua interdição e transferência constitucional do Executivo para o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Este não é um momento político, não está em questão a disputa ideológica entre direita e esquerda, mas de salvaguarda da saúde pública e da estabilidade democrática. Cabe a Mourão o gesto de diálogo e à oposição o bom senso da contribuição para a ultrapassagem, com o menor custo humanitário e os menores impactos negativos na economia, deste momento crítico do país. Um pacto de moderação, onde todos cedam, negociem e compactuem decisões em “um momento de guerra” contra um inimigo comum, até o restabelecimento da normalidade social e da segurança democrática.

É inadmissível tratar o mal do novo coronavírus – ante o risco de catástrofe humanitária – de forma invertida. Gente não significa número. Se quebrado o isolamento social agora, virá a explosão da pandemia no país. Ai, serão pessoas deixando de ir trabalhar, lotando hospitais e enfileirando-se em postos de saúde, morrendo em locais de trabalho e ruas e empresas fechando por não ter gente pra trabalhar, nem gente pra comprar. A posição de Bolsonaro e parte de seus seguidores vai de encontro à OMS, à Opas, aos principais centros científicos do mundo, à mudança de Trump e Boris (inicialmente contra o isolamento social) e ao próprio Ministério da Saúde do governo. Por que Bolsonaro atenta contra a saúde da população? Liberar a população será a pena de morte do sistema de saúde e de milhares de brasileiros.

*Jornalista

Publicado em: 03/04/2020