Presidente da Câmara insensível ao drama de Olinda

O que temos vivenciado nas últimas semanas é uma verdadeira guerra contra o coronavírus e a favor da vida. Pois bem, neste momento, prefeituras, governos e países travam batalhas diárias na busca por recursos a serem aplicados na Saúde, assim como na Assistência Social. O Supremo Tribunal Federal já fez sua parte adotando medidas para facilitar a gestão de estados e municípios. 

A Assembleia Legislativa e o Congresso Federal estão realizando reuniões virtuais, a fim de cumprirem com seu dever e tentar que recursos cheguem, o mais depressa possível, aos mais necessitados. Mas, em Olinda, o Legislativo Municipal, na pessoa de seu presidente, tem se comportado de forma totalmente anacrônica. O presidente Jorge Federal fechou os portões da Casa, apagou as luzes e deu as costas ao seu dever constitucional.

Na última segunda-feira (23), foi enviado à Câmara de Olinda, em regime de urgência, um projeto de lei tratando de dois pontos:

1.         Desconto de 10% dos salários do prefeito, vice-prefeito, secretários e assessores especiais.

2.         Utilização de recursos de Fundos Municipais, dentre eles o da Câmara dos Vereadores, no combate à covid-19.

Em ambos os casos, os recursos serão enviados para a Secretaria Municipal de Saúde, com a finalidade de contratação de profissionais e compra de insumos, como medicamentos e EPI.

Mesmo com a urgência e importância do tema, o projeto de lei ainda não foi levado à votação e, ao que tudo indica, não será votado. Essa foi a postura adotada pelo presidente da Câmara em relação ao financiamento da requalificação da Avenida Presidente Kennedy, uma importante demanda da população olindense.

Mais uma vez, Jorge Federal se mostra desconectado aos anseios e necessidades da população e pretende engavetar o projeto. Essa é uma atitude autoritária, desumana e antidemocrática. O apego de Jorge Federal ao fundo formado com dinheiro excedente (que sobrou e não foi gasto) mostra como o presidente da Câmara parece não entender a gravidade da situação.

Hoje, o fundo da Câmara Municipal conta com cerca de R$ 1 milhão, que só pode ser legalmente gasto em investimentos na própria sede da Câmara, ou seja, em reformas, compra de móveis etc. Com este montante, é possível comprar 500 mil máscaras ou contratar 100 médicos. Fica, então, a pergunta: o que é mais importante neste momento? Cuidar das pessoas, dos infectados pelo coronavírus, dos nossos profissionais de saúde ou comprar um ar condicionado novo? Não há o que se pensar.

É melhor o vereador Jorge Federal colocar a mão na consciência e parar de picuinhas. Pois, nada justifica sua insensatez. Nada justifica a negativa em ajudar a salvar vidas de irmãos olindenses.

O momento é de guerra. Temos que lançar mão de todos os recursos disponíveis. É preciso unir esforços e fazer uma grande força tarefa. O presidente da Câmara parece não entender isso. É preciso muito egoísmo para agir dessa forma, colocando coisas à frente de pessoas, política à frente de vidas. E é assim que, na guerra, descobre-se o melhor e o pior da humanidade.

Publicado em: 31/03/2020