Banqueiro nos EUA: quando rotina não aponta saída, há loucos que viram gênios

Folha de S. Paulo - Por Elio Gaspari

Quando ninguém sabe o que fazer, ou quando as rotinas não apontam uma saída, surgem loucos que se revelam gênios.

Em 1906 a cidade de San Francisco foi destroçada por um terremoto, seguido de incêndios. Amadeo Giannini tinha um pequeno banco e sua clientela vivia no andar de baixo. Ele alugou um caminhão de lixo e tirou todo o dinheiro de seu cofre. (Outros banqueiros achavam que deviam deixá-los nas caixas-fortes e o calor assou as notas.)

A grande ideia de Giannini foi botar uma mesa na rua. Ele passou a emprestar dinheiro a quem estivesse precisando, confiando nos fios dos bigodes. Ele contava que recebeu de volta tudo o que emprestou e que no primeiro dia dessa operação maluca recebeu depósitos equivalentes a US$ 1,5 milhão em dinheiro de hoje.

Mesmo que tenha exagerado, seu tamborete virou o Bank of America, um dos maiores dos Estados Unidos, e ele entrou para a história da banca.

HOJE E ONTEM

O doutor Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil, ensinou que "muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito".

A vida dos outros, certamente. De qualquer forma, ele não é o único que pensa assim, nem essa maneira de pensar é nova.

Em 1830 a Santa Casa do Rio de Janeiro colocou um anúncio num jornal pedindo aos senhores de escravos que não mandassem para os cemitérios escravos doentes, mas ainda vivos.

Lembrando esse episódio, a historiadora Mary Karasch ensinou que naquele tempo a marca do comportamento do andar de cima não era e crueldade, mas o "simples descaso".

ALÍVIO

Na cúpula do Judiciário cozinha-se uma trégua para as empresas que estão em recuperação judicial que, sem malandragens, viram-se obrigadas a atrasar pagamentos por causa da contração da economia.

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota, venera todos os governantes presentes, passados e futuros. Por isso se aborreceu ao saber que a revista inglesa Economist chamou o capitão de "BolsoNero".

O cretino acha que o imperador romano ganhou má fama por causa de historiadores marxistas da época. Ele teria tocado violino durante o incêndio de Roma, mas os violinos só apareceram séculos depois.

Publicado em: 30/03/2020