Mudos, sem direito a falar ao seu povo

Um detalhe chamou a atenção na passagem do governador Paulo Câmara (PSB), hoje, por Caruaru, para assinar um contrato na área de saneamento: nenhum dos fiéis e caprichosos defensores do seu Governo na Assembleia teve direito a dar uma palavrinha ao generoso povo da sua terra. 

Pela primeira vez, se instalou a lei da mordaça em Caruaru. Nem José Queiroz, que mata e morre pelo Governo, soltou a sua voz aveludada de Galvão Bueno. Ficou o tempo todo de cara emburrada, forçado a engolir a seco o discurso da prefeita Raquel Lyra (PSDB), a quem ajudou a eleger no segundo turno e depois rompeu.

Também aliado de primeira hora, o deputado Tony Gel (MDB), provavelmente sabendo que não falaria, sequer acompanhou a comitiva do governador à Rádio Cultura, onde o socialista concedeu entrevista. Marcou presença apenas no evento oficial da Compesa.

Erick Lessa (PP), também deputado da base e igualmente pré-candidato a prefeito, como Queiroz e Tony, foi mais esperto: ficou de fora dos paparicos ao chefe e nem representante mandou para a cerimônia.

Maior colégio eleitoral do Interior, Caruaru começa a escrever um novo modelo nos rituais em que a estrela maior, o governador, divide o banquete eleitoral com fervorosos aliados. Se governistas são tratados assim, imagine adversários, como a prefeita da terra do forró e do artesanato.

Publicado em: 22/01/2020