JCPM ocupa vácuo da confra das notícias

No campo da atuação jornalística, além da pobreza de mercado, Pernambuco não cultiva um point onde os profissionais da mídia se encontram, trocam figurinhas e acabam gerando uma usina de pautas, como Brasília, tendo o Salão Verde da Câmara e o Azul do Senado como verdadeiras redações de veículos os mais amplos e diversificados na linha editorial.

Quando ingressei na atividade, o burburinho dos furos, dos cochichos, dos babados e bastidores políticos no Recife era o restaurante Dom Pedro, na Rua do Imperador, coração do centro, colado às redações do Diário de Pernambuco e Jornal do Commércio, principais e concorrentes impressos da época.

Ali, as notícias chegavam fresquinhas, trazidas aos ouvidos dos atentos e boêmios repórteres pelos políticos, empresários, advogados, publicitários, enfim, por quem detinha o restrito poder da notícia no Estado. O Dom Pedro, que ainda está vivinho da silva, era o Piantella da aldeia.

Seu concorrente, que se vestia de poesia, era o Bar Savoy, na Avenida Guararapes, chegando até ele, para quem saia do Dom Pedro, cruzando a então charmosa e histórica Pracinha do Diário, onde tombou em sangue o o corpo do estudante de Direito Demócrito de Sousa Filho, com um tiro na testa quando discursava da janela da sacada do DP.

Diferente do Dom Pedro, o Savoy corria poesia na noite, para deleite das nossas veias entupidas pela sofreguidão obsessiva pelo furo.

Foi lá - e ficou estendida num grande painel na parede - que Carlos Pena Filho, o nosso poetinha Vinícius da província, declamou: "São trinta copos de chopp, são trinta homens sentados, trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustrados".

Todo esse preâmbulo gigantesco veio como inspiração quando constatei, ontem, novamente, que a confra de JCPM com a Imprensa se perpetua como a única, hoje, de fato, capaz de agregar os protagonistas de todas as tribos que fazem a notícia em Pernambuco.

Havia outra, bem tradicional, dos tempos em que as manchetes eram de chumbo, mas trazidas aos leitores depois de goles de um bom esmalte escocês: a do Governo do Estado, no aconchegante, romântico e belo jardins do Palácio das Princesas.

Paulo Câmara, na onda de cabeças chatas e enviezadas, fez uso da borracha para por fim a melhor festa de confraternização do Estado. 

Todos os jornalistas retiravam do guarda roupa o melhor e mais impecável traje para reencontrar coleguinhas do batente, bater papo com autoridades e de lá sair com um balaio de notícias.

Eu mesmo, como colunista e blogueiro, saia com dois, três, quatro balaios de notícias com cheiro de tinta fresca. Como secretário de Imprensa de Joaquim Francisco, não deixei ninguém meter pitaco num evento tão rico, culturalmente e jornalísticamente falando.

Eduardo Campos, faça-se justiça, bem assessorado pelo meu amigo Evaldo Costa, protagonizou as melhores e mais animadas confras da história do poder nos jardins das Princesas.

Mas o governador Paulo Câmara, infelizmente, jogou ao Rio Capibaribe, que beira os jardins, com um sopro, uma tradição centenária- e barata.

Em tempo: não foram os atuais interlocutores do poder com a mídia que assopraram nos ouvidos do governador.

Publicado em: 11/12/2019