Para Dona do Carmo Magalhães Monteiro e família

No sábado, postei, com o coração derramando em lágrimas, a morte de Mãe Euza, 93 anos, mãe biológica do meu amigo Américo Lopes e afetiva deste blogueiro.

Emocionado, não pude ir mais fundo nas histórias engraçadas dela, que, em boa hora, chegam agora na pena do seu próprio filho, o Meca, como o tratava.

Não duvido que o belo texto abaixo seja produto de uma forte e ardente sangria do seu coração maltratado pela dor da perda e da saudade. Confira!

Minha Mãe Euza era fogo e o comunista (como ela me chamava) aqui se lascava sempre. Aquelas conversas moles que não levam a nada, retórica vazia de um povo metido a socialista, ela me pegava e oh.... quá quá quá quá!!! Me matava.

O único comunista que ela amava de verdade era o primo legítimo do meu pai, o grande Diógenes de Arruda Câmara, que não conheci. Muito mais velho que eu. O homem só vivia exilado ou preso. Filho de Tia Júlia com Seu Nozinho.

Nozinho, que era irmão do histórico Monsenhor de Arruda Câmara.

Tia Júlia, irmã do meu avô Xandu, da Coruja, hoje distrito da linda Iguaraci de São Sebastião e do amigo do peito Maciel Melo.

Desconfio que o grande juízo que ela tinha de Dió, como ela o chamava, decorria do bem que meu pai queria ao seu primo legítimo Diógenes. Ela era apaixonada pelo meu pai Walfrido Lopes de Siqueira, homem sedutor e sorrateiro nesses assuntos. Por ele, ela fazia tudo.

Morreu moço, aos 49 anos, e ela não mais casou, como deve ser, foi dele até o fim. Essas histórias são da raiz de Diógenes. Neste caso, ele já forte e respeitado no partido.

Preciso conhecer mais a história desse primo ilustre. Tereza Costa Rêgo, com quem pouco conversei e que me contou passagens maravilhosas dele, é a pessoa certa que eu devo procurar.

Eu sou um jumento, Magno, você devia ter ouvido dela sobre isso. Histórias lindas e romanceadas que ela ao seu modo e jeito contava. Um cara do Partido, disse-me certa vez, que tudo conferia.

O governador Agamenon Magalhães era uma referência forte para ela. Certa vez, ela disse ao empresário Eduardo Monteiro, neto do Governador Agamenon, que o avô dele era um homem, não era um cabra safado não, como existem às tuias por aí. Morri de vergonha e ela ficou braba comigo, como quem dizia que vergonha é essa, rapaz?

Outra grande figura que ela muito admirava e gostava era o Josesito Moura do Amaral Padilha, e isso era recíproco, a família deste amigo gostava demais dela. Homem homem, ela dizia, desses que não deixam mulher apanhar na rua.

Josesito ficava ancho de felicidade. O que ela dizia era a mais pura verdade. Ah minha mãe querida, minha e dos meus privilegiados irmãos.

José Américo Lopes Góis

Publicado em: 09/12/2019