Guerra ou paz? Qual é a melhor opção para o Brasil?

Por Tonico Magalhães*

Em novembro de 1923, o ativista Adolf Hitler (1889-1945) foi condenado a cinco anos de prisão Landsberg pela tentativa de golpe contra o governo alemão, no célebre Pusch da Cervejaria, em Munique. Como registra a história, lá, ele foi muito bem tratado pelos guardas e foi permitido que recebesse constantes visitas de integrantes do Partido Nazista, além de cartas e encomendas de apoiadores.

Após ser perdoado pela Suprema Corte da Baviera, foi liberado da cadeia em 20 de dezembro de 1924, sob objeções do procurador-geral do estado. Incluindo o tempo da prisão preventiva, Hitler ficou apenas um pouco mais de um ano na cadeia.

Na prisão teve tempo para ditar seu livro Mein Kampf (Minha Luta), uma autobiografia e manifesto político. O livro esmiuçou os seus planos para mudar a sociedade alemã com base no conceito de raça e deixava implícita a possibilidade do genocídio contra os judeus. A publicação saiu em dois volumes em 1925 e 1926. Um milhão de cópias foram vendidas em apenas 1933, no primeiro ano de Hitler como Chanceler da Alemanha.

Hitler dizia que o livro não era dirigido aos estranhos, mas aos convertidos pelo Nazismo. “Sei que muito bem que se conquistam adeptos menos pela palavra escrita do que pela palavra falada e que, neste mundo, as grandes causas devem seu desenvolvimento, não aos grande escritores, mas aos grandes oradores”, completou.

Libertado pela justiça da Baviera, o ativista, pregando o ódio aos adversários, agitou a Alemanha até a levar a uma guerra que deixou o saldo de milhões de mortos na Europa, a destruição de vários países e a ampliação da esfera de influência comunista. Há 30 anos, feitos este mês, foi derrubado o último símbolo da era maldita iniciada pelo chanceler alemão, o Muro de Berlim.

Aqui, Lula da Silva foi beneficiado pelo Supremo Tribunal Federal, ao negar o cumprimento da pena depois da condenação em 2ª Instância, e saiu da cadeia da Polícia Federal se dizendo um pregador do Amor e falando (a força da palavra falada, segundo Hitler) em mobilizações violentas para encarar o governo democraticamente eleito, a exemplo da ação dos black blocs chilenos.

Muito distante do que seus correligionários asseguravam de ser Lula da Silva um “mandela” brasileiro, um preso político. A comparação é uma ofensa ao grande líder sul-africano Nelson Mandela (1918-2013), que amargou 27 anos de cadeia por sua atuação no combate ao regime de segregação racial vigente na África do Sul.

Nos anos 60, diante da radicalização da política segregacionista, Mandela e seu partido o Congresso Nacional Africano (CNA) decidiram reagir com armas. Ele foi caçado pela polícia, foi preso e condenado à prisão perpétua.

Nesse período, após a desarticulação do movimento anti-apartheid, novos movimentos de luta surgiram e a comunidade internacional se mobilizou contra a sua prisão. Somente em 1990 – sob a tutela do governo conciliador do presidente Frederik Willem de Klerk – Nelson Mandela foi liberto e reconduziu o processo que deu fim ao apartheid na África do Sul. Em 1992, as leis segregacionistas foram finalmente abolidas com o apoio de Mandela e Willem de Klerk, registra a História.

Uma bela saga de prisioneiro de um regime autoritário a primeiro presidente da África do Sul livre. Em sua homenagem, a ONU instituiu o Dia Internacional de Nelson Mandela, no dia de seu nascimento, 18 de julho, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia.

Mandela foi reconhecido internacionalmente por sua capacidade de diálogo e defensor da conciliação entre brancos e negros sul-africanos. O ódio que ele poderia ter a quem subjugava sua gente foi superado  pelo sentimento do perdão e busca da paz. A Comissão da Verdade que analisou os excessos dos brancos contra os negros e a violência da contra-repressão chegou à pacificação. Por suas ações ele recebeu mais de 250 prêmios e condecorações, incluindo o Nobel da Paz em 1993, a Medalha Presidencial da Liberdade dos Estados Unidos e a Ordem de Lênin da União Soviética.

Nessa nova fase da política brasileira, a liderança liberta recentemente conhece muito bem as consequências de optar por um exemplo ou outro. O Brasil torce pela opção Mandela, prevalecendo a conciliação e paz.

*Integrante da Cooperativa de Jornalistas de Pernambuco

Publicado em: 14/11/2019