Um sonho de mãe que virou pesadelo

Já encontrei no trânsito do Recife muitos profissionais jogados no novo e expansivo mercado da Uber remanescentes da indústria naval e da refinaria em Suape. Gente que viveu o sonho frustrado de ter um emprego digno para o sustento da família. Sucumbido, o estaleiro trazido na era Lula já demitiu, ao longo dos últimos anos, 70 mil trabalhadores, contando também com os postos de trabalho fechados na refinaria. 

Na volta ao Recife, depois de três dias no Rio, em visita ao complexo de energia nuclear de Angra dos Reis, já na madrugada do sabado, ouvi uma triste história contada pelo amigo Maurício Carneiro Leão, engenheiro de altíssimo gabarito, ex-dirigente do Metrorec, hoje atuando na área de produção de energias renováveis.

 E julguei que merecia ser trazida ao debate neste espaço. O enredo diz respeito à um engraxate batedor de ponto no Aeroporto dos Guararapes. A mãe dele, almejando, como toda boa mãe cuida de um filho com o coração, um lugar ao sol, o inscreveu num curso de soldador para se habilitar a uma vaga no estaleiro de Suape. 

Garoto habilidoso e aplicado, logo trocou a caixa de engraxate do aeroporto pela nova atividade de soldador no estaleiro. Viveu, feliz, o sonho de um destino no mercado de trabalho que parecia prosperar, sem interrupção no futuro. 

Mas num país de tamanhos contrastes e de injustiças, sem estabilidade no emprego, o garoto viu seu sonho naufragar com as demissões em massa com o quase fechamento da indústria naval em Pernambuco. 

Sem opções de ser absorvido no mercado de trabalho na Grande Recife, voltou a meter a mão na graxa, abrilhantado os sapatos dos executivos que cruzam os céus brasileiros partindo do aeroporto dos Guararapes. 

Chorei com o relato do meu amigo Maurício Carneiro Leão.

Publicado em: 20/10/2019