Relator de antiga CPI da Toga: Comissão quebrou tabu

Relator de CPI que investigou Judiciário há 20 anos diz que comissão "quebrou tabu".

Fonte: Jornal da Cidade On Line/Foto Pedro Ladeira Folha Press

Folha de S. Paulo - Painel
Por Daniela Lima

 

Vinte anos antes da briga em torno da CPI da Lava Toga, outra comissão para investigar o Judiciário foi combatida com o argumento de que geraria crise entre os Poderes e instabilidade para a economia. A CPI do Judiciário foi criada por insistência do senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) e seu impacto foi bem menos desestabilizador do que se temia.

O principal efeito da comissão foi contribuir para a criação do Conselho Nacional de Justiça. Outras recomendações, como dar poderes às CPIs de decretar indisponibilidade de bens e estabelecer quarentena de três anos para que ex-juízes possam advogar, nunca vingaram.

A CPI consumiu parte de sua energia com casos pontuais, como o escândalo do TRT de SP, do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto. Mas seu relator, o ex-senador Paulo Souto (DEM-BA), diz que ela foi importante para quebrar um tabu. “O Judiciário era muito hermético. Havia uma noção na época de que seus problemas tinham de ser resolvidos internamente”, afirma Souto, hoje secretário da Fazenda de Salvador (BA).

Publicado em: 22/09/2019