Coluna desta quarta na Folha

Aberta porteira do 2º escalão

Com seis meses de gestão, Bolsonaro só vai começar a ratear os cargos do segundo escalão nos próximos dias. Estava aguardando a aprovação da reforma da Previdência para testar a lealdade da sua base de sustentação. No Nordeste, os postos mais cobiçados passarão pelo crivo do Centrão, movimento que agrega os partidos conservadores.

O critério que se especula ainda não é compreensível: os apadrinhados passarão pelo crivo das bancadas e não apenas por uma mão protetora. Os deputados de olhos arregalados vão se entender depois de tanto tempo indicando aliados com o aval apenas do presidente?

Estatais como Chesf, Banco do Nordeste e Hemobrás ainda estão sendo tocadas por executivos da era Temer, alguns com diretores nomeados por Dilma. O presidente costuma recorrer ao chavão de que não pratica o toma lá dá cá para governar. Com essas nomeações, seu discurso, mais uma vez, tende a virar letra morta.

Fugindo do diabo – As mudanças nas regras de aposentadoria estão levando muitos servidores federais a antecipar o uso do pijama. Um exemplo claro disso é a representação do Dnocs em Pernambuco: dos 66 funcionários de carreira do órgão, apenas 17 continuam batendo o ponto no trabalho. Se isso ocorre em Pernambuco, imagine em Brasília, paraíso da burocracia federal?

Dupla rebeldia – O deputado Felipe Carreras torceu o nariz para o Conselho de Ética do PSB, que abriu processo de punição dos 11 parlamentares que votaram a favor da reforma da Previdência. Disse que não vai apresentar defesa nenhuma no prazo de dez dias determinado pelo regimento interno do partido para casos dessa natureza. Está forçando a sua expulsão?

Olho no olho – Em seus Instagram, Felipe Carreras falou, pela primeira vez, sobre o bombardeio do presidente do PSB, Carlos Siqueira, que o xingou de traidor e revelou ter dado a ele na campanha R$ 1,3 milhão do partido. “Não vou devolver as agressões públicas. A ele (Siqueira), falei olho no olho sobre minha decisão de votar a favor, um dia antes da votação”, disse.

Fim do ICMS – Tramita na Câmara uma PEC do líder do MDB, Baleia Rossi (SP), que acaba com os três tributos federais – IPI, PIS e Cofins – e extingue o ICMS, estadual, e o ISS, municipal. No lugar deles seria criado o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), de competência dos três poderes.

Venda – Adolfo da Modinha entrou no ramo da comunicação em Caruaru, comprando o canal de rádio AM do grupo de Luis Lacerda, sogro do deputado Tony Gel (MDB). A família se desfez, segundo ele, porque já tem um canal FM e a AM vendida vai virar FM. “Iríamos ficar com duas FMs”, alega.

BICUDOS – Não convidem para uma mesma mesa o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, e o presidente da Compesa, Roberto Tavares. Não conseguem falar a mesma língua faz tempo, apesar de já terem entrado em campo os mais competentes bombeiros do alto escalão socialista.

Perguntar não ofende: Se nenhum dos 11 parlamentares rebeldes apresentar defesa no Conselho de Ética, como sugere Felipe Carreras, que procedimento o PSB tomará?

Publicado em: 16/07/2019