Coluna da terça-feira

Café pequeno

Na mesma semana em que os arquivos armazenados no banco dos doleiros apontam uma propina de R$ 1 milhão para o líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, o advogado pernambucano Antônio Campos, que disputou a Prefeitura de Olinda, é indicado para a Fundação Joaquim Nabuco por obra de arte do senador. Relator da MP que mexe na estrutura administrativa do Governo, Bezerra sofreu uma derrota na semana passada: o item do seu relatório que mantém o Coaf no Ministério da Justiça foi rejeitado.

Há quem diga que isso arranhou seu prestígio que estava em alta no Planalto. Outros dizem que foi tudo acertado com Bolsonaro, que conspira também para ver Moro jogado na jaula dos leões.

Bezerra é cobra criada. Dos líderes, é o mais afoito e sagaz. Bolsonaro não soube escalar seu time no Congresso. Convocou um quadro de lideranças que, à exceção do senador pernambucano, não sabem aonde a onça bebe água. Por isso mesmo, Bezerra vai despejando dinheiro na gestão do filho prefeito em Petrolina, bancando o apadrinhamento de aliados e tem até seu nome ventilado para o Ministério da Integração, pasta a ser recriada pela proposta da mesma MP que relata no Congresso.

Envolvido na Lava Jato, o senador consegue, incrivelmente, se colocar na vitrine da pauta positiva, mesmo o ministro Edson Fachin apontando a metralhadora na sua cabeça. Para quem sobreviveu a tantos tiroteios, elegeu um filho prefeito do maior colégio eleitoral do Sertão, outro filho federal e mais um estadual, sofrer ataques de doleiros parece café pequeno.

Quem mandou – O deputado Túlio Gadelha (PDT) não se ausentou da votação do Coaf na comissão especial da Câmara porque quis, sendo voto favorável à medida e o suplente que o substituiu, contra. Ele bateu asas por orientação do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, de quem espera apoio para concorrer a PCR em 2020.

Boquinha no PT – Ex-deputado federal pelo Rio, o advogado Wadih Damous Filho ganhou notoriedade quando atacou a juíza federal Carolina Moura Lebbos, por barrar a romaria petista à cela de Lula na PF em Curitiba. Agora, garfou uma boquinha como assessor da liderança do PT na Câmara, com salário de R$ 19,902,20.

Conta cara – O maior sorvedouro do dinheiro público é o Congresso Nacional. Só a Câmara dos Deputados garfou este ano R$ 1,86 bilhão para cobrir despesas de suas excelências, que realizaram apenas 127 sessões em pouco mais de 100 dias. O valor corresponde a 29,73% do orçamento previsto. Em uma continha rápida, o contribuinte desembolsou R$ 14,64 milhões por sessão.

Quem banca? – Duas ações para melar o São João de Caruaru estão tirando do sério a prefeita Raquel Lyra (PSDB). Houve irregularidades na contratação da festa de 2017, primeiro festejo junino da sua gestão. O Ministério Público quer saber de antemão de que fonte jorrarão a dinheirama para bancar tantas atrações nacionais a preço de ouro.

Araripina – Muito mal avaliado em Araripina, o prefeito Raimundo Pimentel (PSL) não terá como adversário o ex-prefeito Alexandre Arraes (PSB). A novidade da sucessão por lá é o empresário Tião do Gesso (SD) que reúne duas qualidades: popularidade e bala na agulha.

Sem despesas – Se já estava incomodado, o Governo do Estado tem mais um motivo para ficar com as barbas de molho: começou a circular, ontem, um panfleto estimulando a população a cobrar do deputado estadual a aprovação da PEC das emendas impositivas. Diz que a proposta vai garantir mais de R$ 3 milhões para serem aplicados em cada município. “A PEC não vai gerar mais despesas para o Governo e sim ampliar o investimento em sua cidade”, prega.

Publicado em: 13/05/2019