O PAC do Adultério e o exemplo que vem da China

 A jovem democracia chinesa, que tanto encanta os ocidentais e em particular o governo brasileiro (que reconheceu oficialmente o dragão do Oriente como economia de mercado), continua dando exemplo ao mundo.

Agora a locomotiva da modernidade instituiu a demissão dos adúlteros. Funcionário que tem amante vai para o olho da rua. Não é só uma proteção aos bons costumes da família chinesa. É uma medida em defesa dos cofres públicos. O governo chinês descobriu uma relação direta entre sexo fora de casa e corrupção.

Não dá para entender como o governo brasileiro não pensou nisso. Vive bajulando a China, exaltando sua forma vanguardista de exploração da mão-de-obra (escraviza mas não mata, diria Maluf), fantasiando dominar o mundo com um bloco dos países gigantescos e ignorantes, e não captou a lição essencial: a origem sexual da roubalheira.

O raciocínio chinês é cristalino: o adúltero avança sobre o dinheiro público porque precisa atender (ao menos materialmente) às suas amantes insaciáveis. Faz todo o sentido.

É bem verdade que no Brasil, com a criação desses ministérios em número recorde, os cargos, salários e benesses em geral devem aplacar, em parte, a volúpia das “outras”. Uma Secretaria de Longo Prazo possivelmente seja um êxtase para essas amantes em fúria. Mas ainda é pouco.

Segundo Roberto Jefferson, o corregedor-geral do petismo, o mensalão está silenciosamente ressuscitando em algum lugar entre o Planalto e o Congresso. A diferença é que agora, com a lição da vanguarda oriental, vai ser muito mais fácil encontrar os corruptos.

O azar das CPIs que investigaram o valerioduto é que elas existiram na era do “follow the money”. Assim ninguém acha nada mesmo. Agora, na nova era do “follow the lovers”, tudo virá à tona. E viva a democracia chinesa.

Publicado em: 01/05/2007