Bastidores da política e do poder

 

   O grande desafio de Mendonça

 

O ex-governador Mendonça Filho assume a presidência do DEM em Pernambuco – sucedâneo do PFL - no próximo dia 11. Não será uma tarefa fácil. A velha pefelândia enfrenta uma crise sem precedentes. Perdeu governos e prefeituras de capitais importantes, sua bancada no Congresso esfacelou-se e não se observa ânimo em nenhuma das suas lideranças com essa nova roupagem que marqueteiros tentam dar ao partido.

 

Em Pernambuco, o DEM só controla, hoje, uma prefeitura de grande porte, que é a de Caruaru. E o prefeito Tony Gel vem sendo assediado por diversas legendas, entre elas o PR, de Inocêncio Oliveira, que já disse, reiteradas vezes, que só sossega um dia quando tiver Gel nos seus quadros. Não sei os planos de Mendonça nem tampouco as suas metas, mas é bom ele começar a ter muita paciência, perseverança e disposição para trabalhar 24 horas por dia, se quiser, realmente, fazer dos Democratas uma referência no Estado.

 

Ao lado disso, não é fácil soerguer um partido quando não há perspectiva de poder. O DEM é oposição nos três planos: nacional, estadual e na capital. A eleição que se aproxima – a de 2008 – servirá como o grande teste de Mendonça. Não há muito tempo para isso, entretanto. Setembro vem aí e com ele se esgota o prazo para troca de partido. Até 30 de setembro, o DEM tem que arrumar bons quadros para disputar as prefeituras e câmaras municipais.

 

No Recife, o próprio Mendonça deve ser o candidato. Candidato, aliás, com chances de chegar ao segundo turno, dependendo do cenário a ser erguido pelo atual bloco de oposição. O democrata ganhou a eleição no Recife no primeiro turno de governador, no ano passado. E, no segundo, perdeu para Eduardo por uma frente apertada. Portanto, não é um quadro que possa ser subestimado, principalmente se tiver o apoio de Jarbas Vasconcelos, na hipótese do candidato deste não chegar ao segundo turno.

 

Semana morta – Por conta do feriado de hoje, a semana será de calmaria no Congresso, salvo alguma imprevisível conturbação que possa provocar a instalação da CPI do Apagão. Até quinta-feira, todas as energias do Governo estarão concentradas no balanço do PAC – Programa de Aceleramento da Economia, que agora parece ameaçado com o clima de investigação sobre a crise nos aeroportos e as denúncias na Infraero.

 

Coletiva e cargos – Por falar em PAC, a ministra Dilma Rousseff dará uma entrevista coletiva, na próxima quinta-feira, na qual fará um balanço dos primeiros três meses do programa. Depois disso, ela e os colegas Luiz Dulci e Mares Guia levarão ao presidente o mapa completo das indicações dos aliados. Mas não espere decisões apressadas do Planalto. Lula tem deixado o segundo escalão em banho-maria.

 

Boca adoçada – Na tentativa de se reconciliar com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), o presidente consumou, na semana passada, a partilha do Ministério dos Transportes, desagradando à bancada do PR, para entregar a nova Secretaria de Portos a Pedro Brito, que foi o secretário-executivo e o sucessor de Ciro no Ministério da Integração Regional.

 

Censura de Dirceu – Em seu blog, o ex-ministro José Dirceu bateu forte no PCdoB, por ter permitido que a UNE – dirigida pelo partido – tenha organizado um ato para hoje, Dia do Trabalhador, em protesto contra a política econômica e as reformas trabalhistas e previdenciária. “É um direito que o partido tem – diz Dirceu - mas os comunistas têm um ministério e outros cargos no governo”.

 

Vapt-vupt

 

* O governador Eduardo Campos (PSB) regressou, ontem, dos Estados Unidos, e hoje reassume o Governo das mãos do vice João Lyra Neto. Nos EUA, o governador negociou investimentos para o Estado com empresários.

 

* O líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), só indicará, amanhã, os quatro nomes petistas para a CPI do Apagão Aéreo.

 

* "Pois o Senhor é bom; o seu amor  dura para sempre, e a sua fidelidade não tem fim". ( Salmo 100-5).

Publicado em: 01/05/2007