Maioria não basta, bom mesmo é unanimidade

Lula certamente discorda da máxima de que "toda unanimidade é burra", porque ele só pensa nisso: maioria não basta; bom mesmo é unanimidade.

Basta ver os passos políticos do presidente nesse segundo mandato, quando ele calou as críticas do PT, amealhou todos os partidos mensaleiros da direita, embolsou o PMDB inteiro (com Temer, Geddel, Padilha e Moreira Franco junto) e agora joga todo o seu charme (sabe-se lá mais o quê...) em cima do PSDB.

E não é apenas uma questão de partidos, mas também dos grandes (para o bem e para o mal) nomes da política. Paulo Maluf, Jader Barbalho, Collor, agora ACM e líderes tucanos escolhidos a dedo no Congresso já estão todos no papo. A hora agora é de atrair Tasso Jereissati, Aécio Neves, José Serra e já há planos para o refratário FHC mais adiante.

 

Lula, enfim, achava que era oposição era fundamental e era preciso criticar, cobrar, provocar, pressionar enquanto os presidentes eram os outros. Agora, acha que é preciso compor, relevar, negociar, passar panos quentes, quanto o presidente é ele próprio. (Texto de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha)

Publicado em: 25/04/2007