Artigo especial

Morre um upgrade de orgulho
Givaldo Calado de Freitas

Era menino já ouvia falar de Mauro Souza Lima. Dinâmico, jogava em todas as posições, para usar de uma linguagem futebolística. Um dia, a gente via Mauro fotógrafo. Outro dia, Mauro político. Mais outro, Mauro em seu Tabelionato. Tudo! Mas sem perder de vista os seus compromissos e suas atribuições junto a Lions Clubs Internacional e seus serviços desinteressados.

Mais outro, ainda, estava Mauro querendo empreender, mas sem esquecer que era, também, lotérico, aviador e radioamador. E ninguém se surpreenderia se, num mesmo dia, Mauro não teimasse em ser tudo isso ao mesmo tempo. E, ainda, insatisfeito, assumisse o seu carro em direção de quilômetros com a sua companheira inseparável, Cleonice.

Era, realmente, um fora de série. Um homem como poucos. Muito poucos. Que, realmente, tinha visão do mundo, porque, sobretudo, o conhecia de perto. Pessoalmente.

Exemplo de tenacidade, Mauro foi o primeiro governador de Lions Clubs Internacional, oriundo de uma cidade do interior. Ser governador de Lions, partindo de uma cidade do interior, sempre foi um projeto difícil. Quase inatingível. Como, ainda, hoje, continua sendo, sobretudo porque nas capitais estão os grandes colégios eleitorais.

Mas Mauro, tenaz, trabalhador, madrugador nas suas andanças pelas estradas, conseguiu. E conseguiu com o aplauso majoritário dos seus companheiros dos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe. E conseguiu para a satisfação geral de seus companheiros, tamanha fora a força de sua governadoria.

Eu e Mauro temos muitos pontos em comum. Somos ou fomos advogados; fomos vereadores; ex-governadores de Lions Internacional; empreendedores na nossa cidade e, sobretudo, amantes incondicionais de Garanhuns.

Gostava muito dele. E o admirava. Pela sua persistência. Pela sua determinação. Pela sua disposição. Pela sua crença no serviço voluntário. Pelo seu grande e largo entusiasmo naquilo em que acreditava.

Tomei um choque, há pouco. Enrubesci por instantes. ''Givaldo, acabou de falecer o nosso companheiro e amigo Mauro Souza Lima'', alguém me disse no outro lado da linha. Fiquei triste. Estou triste. Muito triste. Perguntei a mim mesmo: por que os imortais morrem? Será que para aparecerem outros imortais?

Penso que, como Mauro, dificilmente. Muito, dificilmente. Porque ele era plural. Por que não dizer único? Era de se dizer de Mauro como André Suares dizia: ''Somos vivos apenas para sermos imortais''. E ele o foi. Como poucos. Muito poucos. E com galhardia.

Faz poucos dias que recebi, em solenidade memorável, comandada pela colunista Selma Melo, das mãos dele, já trêmulas, é certo, mas determinadas, o Troféu Mauro Souza Lima. Se eu já tinha orgulho desse Troféu... Meu Deus! Agora vou ter o que? Será que um upgrade de orgulho?

Você, Mauro, vai fazer muita falta a nossa cidade. E, simplesmente, pelo seu exemplo. Maior. Valente. Vertical. Que Deus o receba. Por aqui, nós ficaremos torcendo por você. Sempre! E nos lembrando daquele seu sorriso indulgente. Companheiro. Amigo. Que encarna alguma coisa que transcende e transpassa.

Até breve, Governador!

Ex-governador do Lions Clubs International.

Publicado em: 07/01/2014