Aprontando para hoje: cada um responde por seus atos

CARLOS CHAGAS

Não é a primeira vez que certos grupos da oposição preparam para o dia 7 de setembro arriscada e até perigosa manifestação. Anunciam reunir 12 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, aqui em Brasília, precisamente na hora em que a presidente Dilma estiver passando em revista e assistindo a apresentação das forças armadas, em comemoração ao Dia da Independência. Pretendem desfilar em sentido contrário e do outro lado do gramado, como no ano passado, fazendo o maior barulho possível para ofuscar as marchas das bandas militares. Claro que exprimindo insatisfação diante da cúpula da administração federal reunida no palanque principal.

O governo conviveu com esse inusitado protesto em 2011, mantendo por precaução forte contingente da Polícia Militar do Distrito Federal para evitar que os manifestantes se aproximassem do local por onde marchavam batalhões do Exército, Marinha e Aeronáutica, como também para que ficassem longe da multidão reunida para assistir o evento. O resultado foi que fracassou a manifestação.

Só que desta vez, nesta sexta-feira, insere-se um fator novo na provocação: os oposicionistas convidaram os setores do funcionalismo público ainda em greve para engrossar suas fileiras. Seus representantes aceitaram e as categorias, imagina-se, estarão presentes. Aumenta o potencial explosivo porque muitos grupos grevistas já tem dado demonstrações de sua agressividade, tentando até subir a rampa do palácio do Planalto, nas últimas semanas. E se decidirem aproximar-se do local onde estarão a presidente da República, seus ministros e o corpo diplomático? Dizia o saudoso senador Vitorino Freire que as oposições podiam tudo, “menos balançar o palanque das autoridades”.

Indaga-se que oposições são essas. Tucanos não serão, tendo em vista a idiossincrasia do PSDB diante de aglomerações onde o suor da massa dá a tônica de sua repulsa. Os integrantes do PSOL e de pequenos partidos de esquerda não bastariam para lotar uma Kombi. Imaginar o PT engrossando o protesto seria um absurdo, apesar da vontade de alguns de seus líderes. Sendo assim, a conclusão é de que desta vez, se a marcha da contra-mão tiver sucesso, dever-se-á ao movimento sindical, com a CUT à frente.

É bom aguardar, sabendo que cada um responde por seus atos.

Publicado em: 07/09/2012