FMO janeiro 2020

07/04


2020

Magno e a arte de transformar palavras em textos

Por Décio Petrônio*

Tudo na vida tem um preço e com Magno não poderia ser diferente!

Magno tem uma marca própria, um linguajar único, sendo impossível de ser imitado, pois o dom nasce de Deus e não do nosso desejo. Pode-se até ser dedicado, esforçado, mas a arte de transformar palavras em textos, são para poucos.

E isso ficou muito claro pra mim quando Magno se ausentou do Blog por um longo período, em razão de uma ingrata e absurda depressão, algo tão presente nos dias atuais, mas que graças à ciência e a vontade do criador nos trouxe ele de volta e dessa vez com força redobrada, como se estivesse renascido das cinzas, feito a fênix.

Digo isto, porque durante o seu afastamento do Blog, sua coluna passou um bom tempo sendo escrita, mas o seu leitor compreendia, na simples leitura, que a caneta que assinara aquele texto não era a de Magno, pois não tinha a sua marca, que sempre foi a contundência e firmeza no que escrevia, sempre acompanhado de um toque de amor e poesia.

Eu, como seu advogado particular e do Blog, há anos, sou sua “vítima” predileta, pois cabe a mim defendê-lo nos Tribunais, quando o uso da sua caneta denúncia os desmandos dos poderosos, principalmente agentes públicos que se acham acima da lei e acima de todos.

Ainda bem que Pernambuco e o Brasil têm Magno na trincheira do jornalismo, denunciando, criticando, cobrando e sempre pautando sua luta na defesa incessante da democracia, da liberdade de imprensa e, sobretudo, para o bem comum dos mais humildes.

Parabéns amigo! Que venham outros 14 anos do Blog do Magno e que o peso da sua caneta seja sempre revertido na defesa daqueles que mais precisam.

Um forte abraço!

*Advogado


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Abreu e Lima

07/04


2020

Vai ser magno na vida, profetizou meu pai

Nesta semana festiva em comemoração aos 14 anos de blog, na próxima quinta-feira, com postagens de parabéns vindas de todo canto do País, de personagens às mais múltiplas possíveis e dos mais variados setores da sociedade, o choro despenca por não ter uma mensagem de bater duro, cortar a alma e fazer brotar de água os meus olhos saindo da pena da minha razão de tudo: meu pai, amigo e conselheiro Gastão Cerquinha.

Próximo a completar 98 anos, dia 25 deste mês, papai entrou na fase cruel da senilidade. Se estivesse tão ativo, como até recentemente, já teria feito uma carta bem amorosa ao filho. Para preencher o vácuo da sua escrita – ele é um jornalista de berço e da pena moldada ao estilo Mário Quintana – resgatei esse lindo vídeo.

Tem entre três a quatro anos, não sei ao certo. Só sei que estava viajando em missão jornalística, daquelas que a gente persegue a notícia feito vaqueiro na pega do boi na caatinga, arrastando pelo rabo. Distante dele, dos filhos e da família, virava mais uma página da vida quando me chega sua fala, gravada por minha sobrinha Olga na casa da minha irmã Ana, no Recife.

Confesso que chorei. Foi ele que pediu para gravar e me enviar. Queria revelar um segredo: meu batismo como Magno. Minha mãe, beata, homenageou santos da sua boa-fé emprestando seus nomes aos filhos. O primeiro, Tarso, ficou Sebastião de Tarso, para render graças ao São Sebastião, padroeiro de Afogados da Ingazeira.

Entre as mulheres, duas Marias, mãe de Jesus: Maria José e Maria de Fátima. Entre os homens, uma homenagem dupla aos avós paternos e maternos: Augusto Severo, hoje vereador. O Augusto é do pai de papai, que criou a filharada curtindo o cheiro da tinta usada para dar luz e charme às sandálias de couro das quais tirava o sustento da prole.

O Severo, do pai de mamãe Margarida, o mais severo sertanejo das vertentes da paraibana Monteiro que conheci desde que me entendo de gente. Se sua severidade não era respeitada, o preço da rebeldia acabava no chicote. Seu olhar com lampejo de cangaceiro tremia as filhas e filhos de medo, ouvi muitas vezes de minha flor que meu deu o seu perfume margarida da vida.

E o Magno, num tempo em que se adoravam os santos José e Antônio? Escapei da morte Severina de ser mais um Zé, Chico ou Toinho pelo raio de bênçãos que iluminaram a cabeça do meu pai para me batizar de Magno e proclamar, em alto e bom som, vais ser magno na vida.

Que linda a manifestação dele no vídeo explicando meu nome! Que exibição do orgulho de pai para filho!

Só não chora quem tem coração de pedra! O meu é bem molinho, derretido pelo verso fácil que brota das águas do Rio Pajeú. Sou do Pajeú das flores, tenho razão de cantar. E assim cantou Rogaciano Leite, o monstro sagrado que agora faz dupla com Valdir Teles no céu:

Eu sou da terra em que o verso

Brota tão perfeitamente,

Que só pode ser presente

Que Deus manda do universo.

O meu sangue está imerso

Na terra em que versejar

É a forma singular

De aliviar tantas dores...

Sou do Pajeú das flores

Tenho razão de cantar!

 

Sou da terra em que Dedé

Com a caneta da paz,

Em cada verso que faz,

Acende a vela da fé.

Sou da cidade que é

Campeã em transformar

Palavras do linguajar

Em rima de cantadores!

Sou do Pajeú das flores

Tenho razão de cantar!


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07/04


2020

Os destaques do podcast de Ivan Maurício

O jornalista político Ivan Maurício está inovando com a divulgação do seu Podcast, através do WhatsApp. Todos os dias, pontualmente às 6 da matina, logo cedo, ele traz informações e comentários com boa dose de pimenta.

Para se cadastrar e receber o Podcast do jornalista Ivan Maurício, é só entrar em contato com o mesmo pelo seu WhatsApp: 9.8606-7127.

DESTAQUES

- Correntistas da Caixa Econômica Federal recebem vale de R$ 600 reais a partir de hoje, diz ministro da Cidadania. No Banco do Brasil, a partir de amanhã.

- Ministro Mandetta diz que fica no cargo. “Vamos continuar pois nosso inimigo tem nome: coronavírus. Médico não abandona paciente,” afirmou o Ministro da Saúde.

- O motivo que levou o presidente Jair Bolsonaro a cogitar a demissão de Mandetta foram as divergências públicas de ambos a respeito das estratégias para conter a velocidade do contágio pelo novo coronavírus.

- Os generais Braga Netto (comandante do Estado Maior do Exército), Luiz Ramos (ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência), Fernando Azevedo e Silva (Ministro da Defesa) e o almirante Flávio Rocha (Secretário Especial da Presidência para Assuntos Estratégicos) fecharam posição contra a demissão de Luiz Henrique Mandetta.

- O renomado jornal O Globo entrou para história, ontem, ao ser o primeiro a noticiar a barriga (notícia falsa) de que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, seria demitido pelo presidente Jair Bolsonaro.

- Ministério da Saúde propõe reduzir isolamento em algumas regiões.

- Pernambuco registra morte de adolescente de 15 anos; estado tem mais 9 mortes e vai a 30 óbitos. Fechamento de praias e parques é prorrogado até 13 de abril. Pernambuco tem 73% das vagas de UTI destinadas às vítimas do coronavírus ocupadas antes mesmo de entrar na fase de "aceleração descontrolada".

- China tem primeiro dia sem mortes por novo coronavírus.


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Prefeitura de Serra Talhada

07/04


2020

Caixa lança site para solicitar auxílio de R$ 600

A Caixa Econômica Federal disponibilizou, há pouco, o site por meio do qual informais, autônomos e desempregados pode solicitar o auxílio emergencial de R$ 600.

Clique aqui para acessar: https://auxilio.caixa.gov.br/#/inicio


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07/04


2020

Hoje no Rio, sempre bem informado pelo Magno

Por Irineu Tamanini*

Um dos mais importantes blogs do pais, o Blog do Magno Martins - esse pernambucano arretado e bem informado, nascido em Afogados da Ingazeira - está completando 14 anos. Está sempre atualizado, com informações "quentes" e exclusivas. 

Eu acompanho os despachos do Magno Martins diariamente, hoje no Rio de Janeiro, onde moro depois de trabalhar e morar  por 44 anos em Brasília, onde conheci o Magno como assessor de Imprensa da Fundação Projeto Rondon.

No Rondon, fui editor do Jornal do Rondon, de circulação mensal, que Magno fez de imediato algumas mudanças tão logo assumiu para dar uma feição mais profissional e moderna ao instrumento de divulgação e propagação da imagem da Fundação, presidida na época por um outro também pernambucano de proa, meu amigo Silvio Amorim.

Magno havia saído do Correio Braziliense e aterrisado no Rondon para substituir outro grande jornalista pernambucano, Roelof Sá, ex-marido da também pernambucana Ana Dubeaux, de ascensão meteórica no Correio, sendo hoje por mérito é condômina e editora-chefe.

Esses pernambucanos, aliás, tomaram, literalmente, o poder em Brasília. Além do Magno, do Roelof e da Ana, convivi na capital com os também ilustres Ricardo Noblat, Antônio Martins e Antônio Arrais, esses dois já falecidos, além de Anchieta Hélcias e meu amigo particular Bartolomeu Rodrigues, o Bartô, hoje secretário do governador Ibaneis Rocha.

Depois do Rondon, o Magno foi emprestar o seu talento ao Jornal de Brasília, Diário de Pernambuco, Agência e o jornal O Globo, passou pela Agência Meridional e mais tarde foi eleito nosso presidente do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados.

Ele é incansável e inquieto. Quem conhece o seu blog sabe do que estou falando. Quem não conhece, sugiro entrar pelo menos uma vez por dia. Vai ficar muito bem informado. 

Parabéns pelo sucesso, amigo!

* Irineu Tamanini atuou por 44 anos como repórter em Brasília e hoje mora no Rio.


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O Jornal do Poder

07/04


2020

Meus encontros e histórias com o Magno

Por Hylda Cavalcanti*

Foi na época em que estagiei na Fundação Projeto Rondon, com apenas 18 anos, quando vi Magno Martins pela primeira vez. Ele, diretor de Comunicação do órgão em Brasília, eu estagiária. Lembro que estranhei o fato de aquele sertanejo baixinho que morava em Brasília ter destacado, em meio a tantas assessorias de imprensa do Rondon, uma matéria feita por nossa equipe de Pernambuco, no jornal nacional da entidade, cujo texto elogiou muito.  

Anos depois, nos encontramos no Diário de Pernambuco, eu repórter de Cidades, ele diretor da sucursal de Brasília no DF. E depois, mais uma vez, eu repórter e assessora do Metrorec, ele secretário de Imprensa de Pernambuco. 

Sempre conversávamos e nos dávamos muito bem, mas o que me chamava a atenção nele era sua rapidez de pegar as coisas de pronto e escrever a matéria. No período do impeachment do Collor e logo depois da CPI do Orçamento, em que eu vivia uma espécie de crise existencial e comentava com colegas que queria mudar de vida, que as coisas estavam acontecendo era em Brasília para os jornalistas e me articulava para morar na capital do País, um amigo em comum comentou com ele. De pronto, sem termos qualquer intimidade, Magno disse que se eu quisesse, de fato, fazer esse tipo de mudança, me contrataria, mas imagino que não acreditou muito.
 
Sou única filha mulher, única neta mulher dos meus avós maternos, não nego que sempre fui paparicada e papariquei muito minha vida inteira pais, avós, tios, irmão, primos e sempre fui e sou muito apegada à família e amigos. Mudar para Brasília seria me distanciar um pouco dessa rede de afetos, embora não tivesse dúvidas de que jamais a romperia. Sem falar que teria de me distanciar, também, de muitas outras coisas importantes para mim.

Tudo ficou na base de especulação até que, acreditem, em plena terça-feira de carnaval,  encontro com Magno nas ruas de Olinda ao lado dos amigos Isaltina Gomes e Cláudio Castanha. E aí? Está pronta para ir para Brasília?”, ele me perguntou. Assim de cara, em meio à música e ao empurra-empurra dos blocos passando. “Esse cara é mais doido do que parece”, pensei.

Não era. No primeiro dia útil depois do carnaval, conversamos, acertamos tudo, ele me explicou sobre o projeto de reabertura da sucursal do Diário de Pernambuco em Brasília e me convidou oficialmente.  Como todo mundo sabe que não resisto a desafios, agarrei a oportunidade com garra e vontade de vencer. O resto já se sabe: saí do Diário de Pernambuco depois de uns bons anos de aprendizado na sucursal de Brasília e cresci muito profissionalmente, passando por redações e caminhos interessantes nos quais incluo Correio Braziliense, Gazeta Mercantil, Rede Brasil Atual, Ipea, Câmara dos Deputados e Jornal de Brasília – dentre outros mais ao longo de 25 anos.

Não posso mentir: Magno é muito chato (no bom sentido): Trabalha muito, acorda cedo e já sai ligando para seus repórteres para passar as pautas. Dependendo da pauta, liga tarde da noite também. Pede muitas matérias ao mesmo tempo, provoca muito (as fontes e os seus repórteres). Às vezes, no meio do dia, quando acontece algo mais interessante muda toda a programação (o que me deixava louca, aliás).

Atua sempre como um trator na busca pelas melhores notícias e pelas manchetes dos veículos onde está.  

Isso é ruim? Quem liga? Qual o repórter apaixonado pela profissão que não fica empolgado com um chefe assim – mesmo que reclame dele depois? A matéria bem editada e repercutida logo depois compensa tudo.

Por outro lado, e para ser justa, esse mesmo Magno é generoso com seus repórteres, sabe valorizar o trabalho, compartilhar fontes e até apresentar suas fontes mais próximas aos seus repórteres. Também gosta de ensinar macetes na profissão, defende quem trabalha com ele com unhas e dentes (ao ponto que eu às vezes até ficava com vergonha de algumas confusões que criava porque algumas matérias minhas “não tinham sido bem editadas”) e dá muito apoio a quem faz parte da sua equipe.

Eu não poderia ter tido ninguém melhor para começar a trabalhar em Brasília e aprender os meandros da cobertura do Congresso Nacional. Nesse período, confesso, brigamos muito entre nós, por não concordar com alguma ou outra matéria. Brigamos muito também os dois juntos contra terceiros, para defender um ao outro sobre alguma boa matéria. Ainda nos unimos muitas outras vezes para prestar solidariedade um ao outro quando necessário e sempre trocamos boas informações e pautas.

Nunca fui repórter do Blog do Magno, só do Magno diretor da sucursal do DP em Brasília, mas sempre que vejo uma matéria que tem a ver com o blog, eu envio para o Magno. Que sempre faz questão de assinar e me prestigiar, mesmo eu dizendo que não é preciso. 

Fico feliz de ver agora, a comemoração de tantos anos de trabalho marcados pelo bom êxito e grande número de leitores.  Não imagino que pudesse ser diferente.  É fruto da sua busca incessante pela notícia e isso posso atestar.  Que venham outros anos de igual sucesso, Magno. Eu sigo aqui meu caminho, lembrando sempre dos aprendizados e da parceria bacana que tivemos e que vez por outra voltamos a ensaiar. Parabéns, amigo! É um sucesso muito merecido!

*HYLDA CAVALCANTI hoje é  repórter especial do Jornal de Brasília e anuarista do site Consultor Jurídico (CONJUR)


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Banner de Arcoverde

07/04


2020

Magno faz pitadas inteligentes e maliciosas

Por Armando Monteiro Neto*

Na condição de leitor habitual, não poderia deixar de oferecer um testemunho da importância do trabalho jornalístico para a vida política de Pernambuco e do País do Blog do Magno nesse instante em que, ainda mais curtido pelo tempo, brinda seus 14 anos de sucesso e de liderança no Nordeste.

Além da crônica do cotidiano, do conhecimento dos personagens e tudo a partir do seu agudo senso de repórter, Magno sabe sempre colocar uma pitada inteligentemente maliciosa.

Os anos passaram, mas Magno continua afiado como sempre, sua marca imutável.

Vida longa ao blog, minha grande fonte de informação diária.

* Armando Monteiro Neto é ex-senador da República


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Prefeitura de Limoeiro

07/04


2020

Coluna da terça-feira

Gabinete do ódio fere Mandetta

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não caiu, pelo menos até ontem, mas seu trabalho vem sofrendo boicote e enfrenta uma grande instabilidade política por causa da ação diabólica do chamado Gabinete do Ódio, gerido pela também pela figura de estirpe de demônio, o pensador Olavo de Carvalho, sob o beneplácito de Carlos Bolsonaro, o Carluxo, filho do presidente da República.

Mandetta faz uma excelente gestão, toma as medidas mais corretas e adequadas para o enfrentamento do Covid-19, o vírus da mortandade mundial, mas não tem a compreensão nem conta com a sensibilidade do presidente. Ruim para o País. Num momento tão delicado e sofrido da humanidade, com grandes reflexos do mal do século se disseminar no País, não é hora de puxar o tapete de ninguém.

Desestabilizar o ministro da Saúde, aprovado pela grande maioria da população brasileira, é um crime, dano enorme à sociedade, que trancafiada em casa, torce e aposta nas medidas do Governo para sair da curva do mergulho na morte para entrar no declínio da sobrevivência do vírus. Fala-se num abril de horrores e num maio de começo do fim da pandemia. O momento é de serenidade e de esperança.

Mas não se pode ter esperança num Governo atrapalhado, com um presidente que vive o tempo todo criando dificuldades para o seu ministro da Saúde quando deveria, junto com o auxiliar, montar um exército de aliados para combater quem nos ameaça de morte. O dia de ontem, por exemplo, foi de cão para Mandetta. Até perfil falso dele nas redes sociais foi criado para jogá-lo contra o chefe, o presidente.

Se Bolsonaro não é firme com seu principal ministro que trabalha 24 horas nessa crise do Covid-19, os generais Braga Netto, Luiz Ramos, Fernando Azevedo e Silva e o almirante Flávio Rocha agem. Fecharam posição contra a demissão de Mandetta. Eles aconselharam Jair Bolsonaro a reconsiderar sua decisão em razão de uma série de consequências negativas, dentre elas o risco de que um pedido de impeachment viesse a ser acolhido pelo Congresso Nacional.

Na reunião de ontem, após o bombardeio falso de que o ministro havia caído, notícia bancada pelo jornal O Globo, os militares deixaram Mandetta defender-se das acusações de radicalismo na defesa da tese do isolamento, contrariando posição de Bolsonaro, e minimizaram as queixas dos setores da economia que estão sofrendo mais com as restrições.

Defesa do Senado – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse ao ministro da articulação política, general Luiz Eduardo Ramos, que não existe “justificativa plausível” para exonerar o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Para Alcolumbre, tirar o ministro da Saúde será um “grave erro”. No final de semana, Bolsonaro disse, sem citar nomes, que não tem medo de usar sua caneta, e que alguns ministros viraram “estrela”. O presidente do Senado recusou um encontro no final de semana com o presidente Jair Bolsonaro pois, segundo disse a interlocutores, entendeu que seria um movimento para ser convencido da demissão de Mandetta.

Reação imediata – “Ameaça não dá”, reagiu Mandetta, depois da manifestação de Bolsonaro, transmitida ao vivo por uma rede social, domingo passado, na qual insinuou que ele estaria fora do Ministério. Mandetta teria afirmado a dois ministros que, se na entrevista coletiva diária de ontem sobre o balanço da epidemia de coronavírus no país, fosse questionado sobre o assunto, iria responder. E de forma “dura”. O ministro, no entanto, não participou da entrevista porque, no mesmo horário, estava entre os auxiliares convocados para uma reunião com o presidente no Palácio do Planalto.

Elogios ao príncipe – Embora não tenha conseguido sequer fazer uma chapa para a Câmara do Recife, o PSD, de André de Paula, caminha para se abraçar com o candidato do PSB a prefeito, João Campos. Na entrevista que concedeu, ontem, ao Frente a Frente, se derramou em elogios ao socialista como se fosse uma Brastemp. Mas quando perguntado quando o partido iria definir seu rumo na sucessão do prefeito Geraldo Júlio, não foi claro. Disse apenas que isso era uma decisão que o partido iria tomar mais à frente. O partido, no entanto, é ele, o manda-chuva, diante do isolamento do secretário de Turismo, Rodrigo Novaes, que tomou Doril.

Boa chapa – Quem, na verdade, está ancho da vida pela chapa proporcional que montou no Recife é o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte. Com oito vereadores na chapa, ele aposta que elege igual número. “Temos o maior tempo de televisão dentre todos os partidos que já sinalizaram pelo apoio à candidatura de João Campos a prefeito”, disse, em entrevista ao Frente a Frente. Quanto a Jaboatão, Dudu, como é mais conhecido, afirmou que o partido ainda não decidiu se disputa com candidato próprio ou apoia a reeleição do prefeito Anderson Ferreira (PL). No PP, o nome que tem se colocado no páreo em Jaboatão é o do deputado Joel da Harpa, com a simpatia de Dudu, que sinaliza para Anderson quando elogia a sua gestão.

CURTAS

NEUTRALIDADE – Por falar em Jaboatão, o prazo para mudança de partido e troca de domicílio eleitoral foi para as cucuias no último sábado sem confirmar a troca de domicílio da deputada-delegada Gleide Ângelo do Recife para aquele município, segundo maior colégio eleitoral do Estado. Isso dá uma margem maior de segurança para a reeleição do prefeito. Nas pesquisas anteriores ao fechamento do prazo do domicílio, Anderson só estava atrás da própria delegada. Sem ela na disputa em Jaboatão, provavelmente fruto de um acordo com o PSB e o Palácio das Princesas, a família Ferreira pode tomar uma posição de neutralidade na eleição do Recife.

ALDO, O MORDAZ – Experiente na cobertura da política nacional, o meu amigo jornalista Aldo Paes Barreto, que por muito tempo assinou colunas em jornais de Pernambuco, não perdeu a oportunidade e o bom humor, ontem, para fazer um comentário sobre o vaivém do ministro da Saúde diante da boataria de que perderia o posto. “A situação de Mandetta é como a de um sujeito que está cheio de gases intestinais em ambiente solene. Ele sabe que vai acontecer, vai fazer barulho, pode até dar em merda, mas será um grande alívio quando sair”. Mordaz, hein?

NEM NO CALÇADÃO – O governador Paulo Câmara (PSB) anunciou, ontem, um projeto de lei para conceder o pagamento de pensão integral aos familiares de servidores da Saúde e de outros serviços essenciais que venham a morrer em consequência do novo coronavírus. Além disso, também foram anunciadas outras medidas para tentar conter a pandemia da doença Covid-19 no Estado. Entre elas, a prorrogação do decreto que proíbe o acesso às praias e parques até o próximo dia 13, mais uma semana, já que o prazo inicial terminaria ontem. Essa proibição também foi ampliada nas praias a circulação no calçadão.

Perguntar não ofende: Bolsonaro estaria querendo se livrar de Mandetta por causa das suas ligações com Rodrigo Maia e Alcolumbre?


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Comentários

marcos

Menos corrupção, menos estádios, menos dólar na Cueca, menos Sítios de Atibaia, menos Triplex, menos dinheiro dos nossos impostos para Cuba, Venezuela, Panamá, Argentina, Angola, Maputo. Menos PROPINA.

Fernandes

Menos igreja, mais hospitais. Menos água benta, mais água potável. menos hóstias, mais pão. menos religião, mais educação.

Fernandes

GALERA, BOLSONARO, O CAPITÃO-CABRA-MACHO AGORA VIROU BOLSONETTA E SÓ FAZ FUGIR DO MANDETTA!

Fernandes

Bolsonaro é irresponsável e incompetente precisa deixar Mandetta trabalhar, diz Serra.

Fernandes

Mandetta diz que foi pressionado por 2 médicos a editar protocolo de cloroquina. Cabra bom, não se rendeu.


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07/04


2020

A caneta de Magno é venenosa e envenenada

Por Mariana Teles* 

Magno é sertanejo. Essa condição inicial faz dele um farejador nato. Herda, das raízes do Pajeú seco de água e inundado de talento, a coragem, ingrediente que faz do jornalista um legítimo escravo da informação. Sua caneta, apesar de eleger a política como principal alvo, não se permite se resumir a ela. Ao contrário, o veneno e a acidez do seu texto são ponderados pela poesia e a leveza das suas impressões. Mesmo na mais delicada notícia, ele consegue (como bom malabarista) equilibrar o tom cirúrgico e pouco econômico com a brandura de quem escreve contemplando a Catedral de Afogados da Ingazeira.

Seu jornalismo é um jornalismo cidadão. Feito para incomodar, para só deixar a gente sair de casa depois da primeira leitura do seu blog. Sem baixar a guarda, é um exímio criador de fatos. Perseguidor da informação e igual menino ruim, que conhece onde a mãe esconde o doce pelo faro, ele sabe acertar no alvo. 

Sua habilidade não é só de comunicar, seja na mídia impressa ou na vanguarda do blog que fez de sua história um marco temporal que divide a notícia do Nordeste na internet entre dois períodos: antes de Magno e depois de Magno. 

A escola martiniana de comunicação criou uma geração de blogueiro. Até motorista virou volante de notícia. Sua escola é para ser sim criticada, pois o jornalismo que não incomoda ou não perturba a crítica, é apenas diapasão dos que estão no poder, e o poder para Magno é a informação.

Maugno, Maligno... ou qualquer batismo feito, é simplesmente o atestado que Pernambuco (Estado que o fez campeão de títulos de cidadania em quase todos os municípios) possui nos seus quadros de talentos um amante da comunicação, um sertanejo que usa seu espaço e sua credibilidade para descortinar tantos outros sertanejos. 

Na década de 1990, quando assumiu a surcusal do Diário de Pernambuco em Brasília fez questão de levar Valdir Teles (meu pai) e João Paraibano para inauguração, prova inconteste da força do Pajeú em sua história.

Para nós, sertanejos e desbravadores do Recife, Magno funciona como uma espécie de padrinho sem conhecer ou saber quem é o afilhado: basta ser sertanejo. De conseguir cirurgia e transferência de paciente do interior para capital apenas com uma ligação, até apresentar os novos talentos. Essa gratidão é muito genuína de todos nós, seus irmãos do Pajeú. 

Nem as trevas eventuais que a vida nos impõem conseguiram retirar a singularidade de Magno em nosso Estado, apenas reforçou a lacuna de qualidade de texto, independência e informação. O espaço é seu. Nunca deixou de ser. A liderança é atemporal. Ademais, quem abre tantos caminhos entende mais de abrir janelas do que de fechar portas.

Parabéns pelos 14 anos colocando Pernambuco a frente do Nordeste, e o Pajeú falando ao País pela sua caneta, ora venenosa e envenenada, ora lírica e poética, mas sempre genial.

Parabéns meu amigo, não se pode contar a história da comunicação em Pernambuco sem passar pelo seu nome.

*Advogada e poetisa


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07/04


2020

A voz do vírus

Por Cristovam Buarque*
 
 Diz-se que a verdade é a primeira vítima na guerra. Na epidemia é a lucidez. A urgência no atendimento para barrar a epidemia e cuidar da saúde das pessoas faz esquecer que a vida continuará depois. A saúde não assegura a vida plena para uma pessoa e a sociedade. No ano de 1348, auge da peste negra, o imperador Carlos IV fundou a Universidade de Praga. Depois, ela serviu para o Renascimento que abriu as portas para a ciência que indica como enfrentar a nova peste: com o isolamento.

A insensatez está levando ao debate sobre a importância e não sobre a urgência. Respirar e comer são igualmente importantes, mas o oxigênio é mais urgente. No lugar de debater o que é mais importante, o sensato é tomar as medidas urgentes para salvar as vidas hoje, cuidando da respiração das pessoas, sem esquecer de cuidar da recuperação da economia depois, para assegurar o necessário à vida plena: emprego, renda, produção, um propósito para viver e condições para buscar a felicidade.

O vírus está mostrando a falta de solidariedade dos que não pensam na urgência da epidemia, e a insensatez de não levar em conta o futuro depois dela. Precisamos ser solidários, como manda a ciência médica, com isolamento, leitos, respiradores e renda para os sem salário. Mas também temos que cuidar da recuperação posterior da economia e da sociedade.

O vírus está dizendo que fomos insensatos no passado. Há séculos deixamos milhões de pobres sem renda por causa da estrutura social. Falamos agora da necessidade de trabalho, mas nunca tivemos preocupação com pleno emprego. Dizemos que é preciso cuidar da higiene para evitar a transmissão do vírus, mas deixamos 35 milhões de pessoas sem água em casa para lavar as mãos e 100 milhões sem tratamento de esgoto. Criticamos a irresponsabilidade de um presidente que não entende a urgência do isolamento, mas esquecemos que a falta de água tratada e rede de esgoto é produto de governos anteriores. “Nossos” governos.

O vírus está nos indicando que o obscurantismo do atual presidente tem características de genocídio. Mas lembra que nas gestões anteriores não fizemos o suficiente para impedir dezenas de milhares de mortos por malária, dengue e sarampo. O vírus está nos apontando que não cuidamos do analfabetismo porque não há um “letravírus” que contamine os que aprenderam a ler, fazendo-os analfabetos outra vez. E lembrando que sem educação não daremos emprego e renda aos que sobreviverem, despreparados profissionalmente. Para viver não basta respirar.

O vírus nos revela ainda que ele foi trazido do exterior por avião para os bairros ricos e nos pergunta se a epidemia seria enfrentada com o mesmo rigor se tivesse chegado de ônibus, direto para os bairros pobres. Nesse caso, talvez estivesse recebendo a pouca atenção dada ao aedes aegypti, que transmite a dengue, ou do anopheles, que transmite a malária. Ele especula que se o vírus da poliomielite não atingisse as pessoas indiscriminadamente, talvez não tivéssemos dado ao mundo o exemplo das “gotinhas” que erradicaram essa antiga epidemia.

O vírus anuncia que para salvar nossas vidas estamos em quarentena, sobrevivendo à síndrome da abstinência ao vício do consumismo nos shoppings e à falta de viagens. Ele nos ensina que podemos ver o mundo, estudar, trabalhar mesmo sem sair de casa. E que a saúde de cada um depende da saúde de todos, que a solidariedade com os outros é necessária para a sobrevivência de cada um, que a saúde de cada um não será plenamente segura se não cuidarmos da saúde pública.

O vírus está confirmando que além de levarmos a sério a ciência médica precisamos respeitar a ciência econômica e sobretudo a velha aritmética. Que neste momento devemos gastar o que for preciso para atender às necessidade dos doentes, de trabalhadores desempregados e se empresários falidos, mas que não devemos deixar a conta ser paga depois  pelos pobres com a carestia da inflação, nem pelos jovens que pagarão o aumento da dívida pública. A solidariedade na doença precisa ocorrer na hora de pagar a conta

O vírus tem falado que além da quarentena, precisamos de uma revolução no nosso comportamento e nas nossas prioridades. E nos grita que é preciso mudar o velho padrão do progresso baseado na voracidade do consumo e na ganância do lucro. Mas ele sussurra o medo de que, passada a epidemia, voltaremos aos velhos costumes de antes: o desprezo ao saneamento, à educação de base e à saúde pública, e a preferência pela ilusão inflacionária, obrigando os pobres a pagarem  a conta com a carestia.

* Cristovam Buarque é professor emérito da Universidade de Brasília


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