O Jornal do Poder

17/10


2020

Coluna do sabadão

TV faz João crescer

O crescimento de dez pontos percentuais, de 23% para 33%, num intervalo de apenas uma semana no levantamento do Ibope, pelo candidato do PSB a prefeito do Recife, João Campos, tem apenas uma lógica: se não houve nenhum fato novo na campanha, capaz de mexer com o humor da população, o fenômeno está associado, naturalmente, ao sucesso da sua propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Seu guia e suas inserções estão obtendo mais aceitação do que a dos adversários.

Sua equipe, portanto, está sendo competente, como está sendo elogiado o seu desempenho nas aparições na telinha mágica. Bombado pela propaganda eleitoral, João comprova, na prática, que a televisão ainda consegue ser mais milagrosa numa campanha eleitoral do que as redes sociais, que seriam ou são a coqueluche do momento, principalmente depois da eleição de Bolsonaro.

Em relação ao presidente Bolsonaro, entretanto, há de se fazer uma ressalva: seus marqueteiros e sua tropa de comunicação recorreram a robôs nas redes sociais como instrumento para desconstruir a imagem dos adversários, prática proibida e que resultou numa CPI instalada na Câmara dos Deputados. Rede social é importante, mas não é uma pílula dourada.

A TV, portanto, deu o plus na candidatura de João, enquanto a oposição patina. E patina porque, sem exceção, todos os candidatos exibem na telinha um guia fraco, sem emoção, sem ataques, sem denúncias contundentes. Nada açucarado presta, muito menos gestão de guia. Não é verdade, igualmente, que o eleitor gosta de debates em alto nível. Gosta de ver o circo pegar fogo. Frio, só língua de anjo.

O eleitor gosta, sobretudo, de ver um candidato desnudar o outro, apontar o dedo na ferida com verdades, aquela velha história de matar a cobra e mostrar o pau. Nem nisso os que estão do outro lado do balcão do candidato oficial são capazes de produzir. Resultado? Vão continuar estagnados na pesquisa, correndo o risco de João disparar e ganhar a eleição no primeiro turno.

Arsenal ignorado – E não é por falta de munição que os candidatos da oposição insistem em colocar no ar edições mornas, sem repercussão. No Recife, a Prefeitura já foi objeto de seis operações da Polícia Federal e está com medo da sétima, conforme este blog mostrou, ontem, com documentos, mas nenhum oposicionista explora isso. Medo de quê? O que passa pela cabeça dos candidatos e de seus assessores. O que pesa contra Geraldo Júlio, o padrinho de João, não é fake news, mas investigações da PF, do Ministério Público e dos demais órgãos de controle.

Afastamento – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, solicitou, ontem, que o plenário da Corte analise a decisão proferida por ele de afastar o senador Chico Oliveira (DEM-RR) do cargo, por 90 dias. O magistrado quer que os colegas avaliem a determinação até a próxima terça-feira. Barroso destacou que entende o fato de que os demais ministros não precisariam referendar a decisão dele nesse caso. Mesmo assim, fez questão de solicitar ao presidente do STF, ministro Luiz Fux, que o caso seja analisado pelos colegas da Corte. Caso a decisão seja mantida, ela será encaminhada ao Senado, que vai definir se afasta Rodrigues do cargo ou o mantém nas atividades, enquanto as investigações prosseguem.

Noronha – A equipe do Tribunal de Justiça de Pernambuco vai voltar a realizar trabalho presencial, em Fernando de Noronha, na próxima segunda-feira. A última visita do judiciário à ilha ocorreu em março, antes do início da pandemia da Covid-19. A informação foi confirmada pela Assessoria Comunicação do Tribunal. O trabalho vai acontecer no Fórum Desembargador Roberto Ferreira Lins, localizado no Centro de Convivência, na Vila do Trinta, das 9h às 12h. Os protocolos de segurança contra o novo coronavírus serão seguidos e o público deverá usar máscara e respeitar o distanciamento social. A programação do TJPE segue até a sexta-feira. Estão previstos audiências e casamentos, que estavam suspensos. O juiz André Santana vai comandar as atividades, segundo o TJPE.

CURTAS

RENOVA OLINDA! – Em Olinda, a Câmara de Vereadores terá uma renovação surpreendente, para melhor vale a ressalva. Dentre tantos que estão na batalha pelo voto, com ingresso garantido no parlamento da Marim dos Caetés, Marco Antônio, o Sardinha, que ganhou notabilidade com a promoção de grandes eventos, como o bloco carnavalesco A Bruxa de Ouro Preto, o Forró dos Namorados e a Caminhada Ouro Preto vai ao Morro da Conceição. Sardinha está há 22 anos na vida pública, já disputou duas vezes um mandato de vereador, mas agora, filiado ao PSD, já carimbou seu passaporte de parlamentar.

LIVE DA SEGUNDA – Autor do livro “Casaca e chuteiras”, que trata da trajetória do Rei Pelé, o jornalista mineiro Silvestre Gorgulho, com quem trabalhei no Jornal de Brasília, é o convidado da live deste blog da próxima segunda-feira, às 19 horas, pelo Instagram. Trata-se de resultado de uma pesquisa ao longo dos últimos dez anos com o alho e faro apurados do grande e talentoso repórter que é o Gorgulho.

Perguntar não ofende: Chico Rodrigues escapa da cassação?


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Comentários

Fernandes

Bozonaro é Ladrão. Miliciano e corno Boa Noite!

Fernandes

Cabe mais no C@ do Senador vice-líder de Bolsonaro Chico Rodrigues.

marcos

Bom dia povo de Deus, só lembrando que foi o deputado líder do PT José Guimarães o nosso Capitão Cueca quem deu início a prática de esconder dinheiro Roubado no C@eca . O PT sempre partindo na frente da Corrupção.

Fernandes

Bozonaro é Ladrão. Miliciano e corno Bom Dia!

Fernandes

Bobagem pura pensar que tudo será como antes. Se ninguém se banha 2, vezes na água do mesmo rio!


Abreu no Zap

17/10


2020

Manuca abre 40 pontos de frente em Custódia

O prefeito de Custódia, Manuca de Zé do Povo (PSD), caminha a passos largos para a reeleição. Segundo pesquisa do Instituto Opinião, ele seria reeleito hoje com 62,9% dos votos, frente de 40,6 pontos sobre o candidato do Avante, Marcíllio Ferraz, que aparece com 22,3%. Brancos e nulos somam 8% e o número de indecisos é de 6,8%. Na sondagem espontânea, em que o entrevistado é forçado a lembrar o nome do prefeiturável sem o auxílio do disco com o nome dos candidatos, Manuca é citado por 56,9% dos eleitores, enquanto 15,4% mencionam Marcíllio Ferraz.

A distância entre os dois amplia neste cenário 41,5 pontos percentuais. Brancos e nulos atingem 7,7% e os indecisos somam 20%. A pesquisa também evidencia a opinião dos eleitores sobre os dois candidatos e a chance de votar em um deles. Entre os consultados, 56,6% afirmam que com certeza votariam em Manuca, já 15,1% poderiam votar. Em contrapartida, 26,3% não votariam no postulante do PSD. Apenas 1,1% não o conhecem e 0,9% não responderam.

Sobre Marcíllio, 16,6% disseram que com certeza votariam nele, enquanto 22,3% declararam que poderiam votar no prefeiturável do Avante. Já 48,3% dos eleitores não votariam no citado, 12% declararam não conhecê-lo e 0,8% não responderam.

O levantamento do Instituto Opinião, de Campina Grande (PB), foi a campo entre os dias 12 e 13 deste mês, com a aplicação de 350 questionários. A margem de erro é de 5,2 pontos percentuais para mais ou para menos e o intervalo de confiança de 95%. A modalidade de pesquisa adotada envolveu a técnica de Survey, que consiste na aplicação de questionários estruturados e padronizados a uma amostra representativa do universo de investigação.

Segundo a metodologia, a consulta é representativa dos eleitores da área pesquisada (o município de Custódia) e foi selecionada da seguinte forma: primeiro na aleatorização da amostra em quatro estágios (bairro/localização, rua, domicílio e entrevistado) e depois em um controle das variáveis (sexo e faixa etária), ponderado de acordo com os dados obtidos junto ao TSE e TRE-PE. O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é PE-09111/2020.

Quando a pesquisa é estratificada, as maiores taxas de intenção de voto de Manuca de Zé do Povo estão entre os eleitores na faixa etária dos 45 aos 59 anos (66,3%), entre os eleitores com grau de instrução superior (78,6%) e entre os eleitores com renda familiar acima de dois salários (74,4%). Por sexo, ele tem a preferência de 65,7% dos homens e 60,3% das mulheres.

Marcíllio, por sua vez, tem seus maiores índices de voto entre os idosos (30,1%), entre os eleitores com grau de instrução ensino médio (28,6%) e entre os eleitores com renda familiar de até dois salários (24%). Por sexo, 23,9% são mulheres e 20,5% são homens.

AVALIAÇÃO DE GESTÃO

O Instituto Opinião também sondou os entrevistados sobre o grau de satisfação com os três níveis de poder – federal, estadual e municipal. A gestão do prefeito Manuca de Zé do Povo tem uma aprovação de 71,4%, enquanto 24% o desaprovam. Apenas 4,6% não responderam à consulta.

O governador Paulo Câmara (PSB) conta com a aprovação de 55,1% dos entrevistados e desaprovação de 29,4%. Já o presidente Jair Bolsonaro tem a desaprovação de 53,1% e é aprovado por 38,3%.


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Banco de Alimentos

16/10


2020

Blog traz pesquisa para prefeito de Custódia

Depois de Garanhuns e Quipapá, postadas ontem, hoje de meia noite este blog revela o cenário da disputa em Custódia, um dos municípios mais importantes do Sertão do Moxotó. Motivo para os que moram em Custódia dormirem um pouco mais tarde hoje.


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16/10


2020

Biografia de Roberto Marinho na justiça

Blog do Tamanini

Uma ação contra recente biografia de Roberto Marinho pode desobrigar editoras a cumprir prazo de publicação de livros. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) analisa, em segunda instância, processo movido pela Companhia das Letras para cobrar autor que, após vencimento do tempo estabelecido em contrato, procurou outra editora para publicar sua obra.

O caso foi judicializado em maio do ano passado, quando a Companhia das Letras entrou com processo para impedir o jornalista Leonencio Nossa, com quem tinha firmado o primeiro contrato, a publicar, comercializar e vender exemplares da biografia Roberto Marinho, o poder está no ar, que estava sendo lançada pela Nova Fronteira. O advogado Alexandre Fidalgo, especialista em direitos autorais, observou na defesa do autor que a Companhia descumpriu acordo de publicar o livro no prazo máximo de um ano após a entrega dos originais.

Vencido esse prazo, em março de 2018, o jornalista combinou com a direção da Companhia das Letras em retirar o trabalho da casa e procurar outra editora. Um ano depois desse acordo amigável e dois anos após receber os originais, a editora paulista, no entanto, entrou na Justiça para barrar a publicação da obra pela concorrente do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada, em maio de 2019, pela Companhia assim que soube que a obra seria lançada pela Nova Fronteira.

O juiz Claudio Marquesi, da 24ª Vara Cível de São Paulo, analisou o processo num tempo recorde de três meses. Sem recorrer a peritos e ouvir presencialmente as partes, ele decidiu a favor da editora. Na sentença, o magistrado ressaltou que só poderia ser reconhecido que o autor entregou os originais se não houvesse necessidade de alteração do texto.

A sentença a favor da Companhia das Letras vai na contramão de obras de referência sobre o processo editorial. Antonio Houaiss, em Elementos da Bibliologia, clássico do setor, afirma que a “entrega dos originais” é uma etapa prévia à edição do texto de um livro. A defesa da editora paulista, porém, sustenta que o texto sobre Roberto Marinho ainda precisava ser alterado. Na avaliação de Alexandre Fidalgo, esse argumento ignora o significado de original definido pelos dicionários, como a primeira redação de uma obra.

O juiz da 1ª instância não retirou o livro de circulação, como desejava a Companhia das Letras, mas bloqueou o dinheiro das vendas para o pagamento de adiantamentos. A editora argumentou que o processo para suspender a publicação, o lançamento e a comercialização da obra tinha por intuito reaver adiantamentos que, nos seus cálculos, chegariam a um valor corrigido de R$ 210 mil, incluindo despesas de edição. É quase o dobro do valor de R$ 117 mil que caiu na conta do jornalista.

Jurisprudência. A Lei dos Direitos Autorais, número 9.610, de 1998, estabelece prazos legal e contratual para publicação de uma obra. Uma vitória da Companhia as Letras na Justiça, no entanto, pode dar margem a uma jurisprudência que mudaria radicalmente o dia a dia de editores e autores no País. Se essa decisão prevalecer nos tribunais, os escritores perdem, na prática, o direito sobre sua obra por tempo indeterminado.

Fidalgo recorreu da decisão ainda em 2019. No último dia 9 de outubro, o desembargador Mauro Conti Machado, do TJSP, que analisava o caso na segunda instância, decidiu transferir o processo para uma das Câmaras da 1ª Subseção de Direito Privado, do tribunal. Ele argumentou que as câmaras tinham competência para julgar questões relativas a direito de autor. Machado, entretanto, citou trecho do artigo 62, parágrafo único, da Lei 9.610 que prevê rescisão de contrato em casos de descumprimento de prazos legal ou contratual de publicação.

É o primeiro caso judicial no setor de biografias envolvendo uma grande editora após a derrubada, há cinco anos, da censura prévia de obras pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. Desta vez, porém, quem tenta tirar uma obra de circulação é uma editora.

Coautor. Antes da judicialização, a disputa entre autor e editora foi marcada por divergências. A Companhia das Letras escalou o biógrafo Lira Neto para, segundo ela, revisar o trabalho. Em e-mails anexados ao processo pela própria editora, o autor não aceitou mudanças feitas por Lira Neto no texto. Também registrou desconforto em saber por terceiros da decisão do dono da editora, Luiz Schwarcz de anunciar em círculos reservados que contratou Lira Neto como coautor do trabalho. Ainda na época, a editora pediu desculpas a Leonencio, mas não aceitou tirar o biógrafo do projeto.

Nos autos, a defesa do jornalista ressalta que por trás da presença de Lira Neto na edição do livro estava a contrariedade de Schwarcz com um capítulo que relata tentativa do banqueiro Walther Moreira Salles de tomar a TV Globo de Marinho. Walther era pai de Fernando, um dos sócios da Companhia das Letras durante o período da edição da biografia. O advogado Alexandre Fidalgo pede que as partes sejam chamadas para depor.


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16/10


2020

Paredão Eleitoral com a cadeira vazia de Raquel

A corrida da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), do Paredão Eleitoral, série de entrevistas com os candidatos a prefeito do município, não impediu a realização do evento. No lugar dela, a cadeira vazia da fujona. Âncora da sabatina, o jornalista César Lucena acabou de abrir a entrevista da cadeira vazia, com a minha participação e a da jornalista Elaine Dias. Clique no link e acompanhe: https://www.facebook.com/watch/?v=714968059107501


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16/10


2020

Fortaleza – Pobre desigual e sob ameaça

Por Arnaldo Santos*

Fortaleza, bela urbe de quase três milhões de habitantes, banhada por verdes mares, presenteia-nos com lindas praias de extensas faixas de areia branca, adornadas por jangadas com suas velas coloridas, e do que restou dos outrora vastos coqueirais, donde sopram ventos constantes que desalinham os negros, castanhos, loiros e ruivos cabelos das suas belas mulheres, tornando-as ainda mais lindas, exuberantes e sensuais!

Pelas jangadas a vela que zarpam do Mucuripe, sob o sol e a lua, Fagner, Belchior, Ednardo, Fausto Nilo, dentre outros, navegaram milhas e milhas de poesias e letras de belas canções, realçando suas belezas. Bem antes, José de Alencar entalhara uma Iracema com seus lábios de mel, em um cenário de litoral, serras e sertão literário, revelando o talento criativo, a cultura e a Fortaleza de sua gente, nascida e/ou acolhida por essa cidade.

A moderna arquitetura que brota em meio ao verde das nobres áreas residenciais e dos luxuosos centros de consumo, somada às suas exuberantes belezas generosamente legada pela natureza, fazem com que muitos finjam não perceber a existência de outra cidade, só lembrada em períodos de eleição, densamente ocupada pela população trabalhadora, disfarçadamente apelidada pela elite dirigente de cidade oeste – sinônimo de pobreza e abandono – na vã tentativa de querer esconder suas extensas áreas degradadas, onde os serviços básicos de saúde, segurança e limpeza urbana não chegam, assim como o saneamento básico, mas sobram esgotos correndo a céu aberto, onde crianças brincam em meio a lama junto com os porcos, por entre as estreitas ruas e vielas.

Paradoxalmente, através dos Hubs aéreo e de  cabos submarinos, estendidos aos vários continentes, essa cidade pretensamente moderna se conecta ao mundo, transformando-se em uma aldeia global macluhaniana na definição do filósofo canadense Marshall McLuhan, criando, pelo menos na aparência, a imagem de metrópole cosmopolita, economicamente desenvolvida, ao tempo em que, pela aguda pobreza e desigualdades que afloram dos guetos, onde moram os invisíveis e segregados da maioria dos seus cidadãos, se revela uma urbe paupérrima e socialmente injusta, e ambientalmente degradada.

Aqui eclode o apartheid econômico e social, que persiste e resiste no tempo, com múltiplas evidências, não só do descaso do poder público, como também pelo preconceito, discriminação e racismo estrutural, da parte de uma elite “neo-insensata”, cuja ação dos gestores, no decurso da história, teima em não priorizar políticas efetivas de inclusão para as pessoas mais pobres, em acelerada pauperização, decorrência do agudo agravamento na pós-pandemia.

O mais preocupante, para não dizer trágico, é que, quando se examina o cenário de curto e médio prazos, com base no debate em curso pelos grupos de poder e seus candidatos em disputa para as próximas eleições, o que se observa são promessas vazias, travestidas de propostas para resolver problemas complexos. Não é demais afirmar que, em geral, são as mesmas e mofadas ideias, defasadas no tempo, não oferecendo qualquer perspectiva de mudança dessa vergonhosa e perversa realidade.

Nessa perspectiva, a reflexão que se impõe sobre os graves problemas econômicos e sociais que enfrentamos - e que deverão se agudizar na pós- pandemia - diz respeito ao desemprego, a exigir uma inadiável ação de geração de renda para esse estrato da população, que consideramos o mais grave e urgente. Aqui o objetivo é cobrar, dos candidatos, que debatam e ofereçam ideias e soluções em seus programas eleitorais e pelas mídias sociais, a respeito de como pretendem resolvê-lo, para que as conheçamos. 

É de saber geral a noção de que quem se elege tem o dever político-administrativo e a responsabilidade social de governar, espacialmente, para toda a cidade, tendo como horizonte a melhoria das condições de vida dos seus cidadãos, especialmente para os mais pobres que compõem a maioria da sua população historicamente esquecida e aviltada em seus direitos. No contexto da multidimensionalidade da pobreza e das desigualdades, é imperioso que os postulantes façam propostas factíveis, considerando a magnitude desses problemas, e consoante com as condições econômico-financeiras da Prefeitura, porquanto uma política pública, para ser viável e ter efetividade, tem que responder a pelo menos quatro indagações a saber: quais são as evidências que justificam sua estruturação, quanto custa, de onde vêm os recursos e quem vai pagar. Até agora, o que vemos e ouvimos de todos os candidatos são promessas genéricas, sem qualquer fundamentação.

Com uma visão para os altos índices de desemprego em Fortaleza, que, ao lado de tantos outros, é o mais grave, o futuro prefeito tem o dever político e social de estruturar e executar um amplo programa de geração de emprego e renda para acudir esse contingente da população e atenuar seus efeitos.

Diante de uma realidade tão adversa, resultante de uma dívida social histórica, somada à crise econômica que se vivência, me permito fazer duas indagações, incluindo vários aspectos - para todos os candidatos:

 a) Qual das senhoras e dos senhores poderia nos informar se conhece o tamanho da população desempregada; quantos mil de fortalezenses estão nessa situação; o seu perfil profissional; e de que maneira, e em quais áreas, pretende atuar para desenvolver um programa geração de “trabalho e renda” para esse povo, quebrando a lógica empresarial do “emprego e salário”, no contexto de crise econômica e de saúde pública em decorrência da pandemia?

b) Quantos milhões para investimentos serão necessários, de onde virão esses recursos, e em quanto tempo, a partir do início do governo, essa política estará em execução?

Sabemos que uma política com a importância econômica e social como essa, e com a complexidade e abrangência que requer, exigirá do prefeito a capacidade de articulação e mobilização para permitir a participação de múltiplos parceiros da iniciativa privada. Precisa-se saber quem serão eles, e de que modo o postulante pode assegurar o compromisso desses com essa política, em sendo eleito. Já combinou com os “russos”? – Digo: os empresários. Se não, estão nos enganando mais uma vez.

É cediço o fato de que uma política com esse alcance social não há de se fundar apenas na concessão de microcrédito, como está prometendo a maioria dos pretendentes a prefeito, como se houvesse recursos suficientes para atender a toda demanda. Aliás, o povo quer saber dos concorrentes que estão fazendo essa promessa de quantos milhões será essa carteira de crédito, quantas mil pessoas serão atendidas, e, além de estarem desempregadas, que outros critérios serão exigidos para que os interessados tenham acesso a essa linha de crédito. Nem que a Prefeitura se transformasse em um grande banco municipal, seria suficiente.

A estruturação de uma política pública com o objetivo de atender à  população mais pobre desempregada, e para que produza os efeitos desejados, evitando o desperdício dos recursos, precisa necessariamente quebrar a lógica tradicional do mercado, privilegiando uma estratégia de economia solidária na cominação do “trabalho e renda”, em vez do modelo usual do “emprego e salário”, adotado pelas empresas.

Em texto publicado recentemente pelas mídias digitais, o professor Renato Dagnino nos ensina que, “[…] a geração de renda para os mais pobres deve se dar através de um modelo de economia solidária, e não apensas em ‘distribuição de renda’, promovida por medidas compensatórias; faz-se necessária a reorganização do potencial socioeconômico e produtivo mediante empreendimento solidários focados no cenário desejado”.

Olhando para essa realidade, o nosso objetivo é, tão somente, o de tentar qualificar o debate nessas eleições, durante o horário eleitoral e pelas redes sociais, com vistas a permitir que o cidadão possa ser mais bem informado sobre as ideias e as políticas públicas com as quais o eleito pretende governar uma cidade com um estoque de problemas  complexos e graves como o que temos.

Como observador privilegiado da política no Estado,  especialmente em Fortaleza, conhecedor da engenharia política montada para governá-la, bem como  de seus problemas urbanos, assim como da sua alta concentração de renda, ao examinar a história e o perfil político dos atuais candidatos, não somos otimista; e até  podemos inferir a ideia de que a cidade está sob ameaça, pois, de um lado, vemos o perigo da ascensão do bolsonarismo, com tudo de nefasto que representa, do outro a continuidade de uma ação política, a qual, não obstante os esforços e os avanços obtidos, já se  provou incapaz de mudar essa realidade. Também faz-se necessário reconhecer que dentro do próprio grupo político que comanda o governo do Estado, e a Prefeitura, existem quadros de auto nível técnico e formação acadêmica, com alargada sensibilidade política e responsabilidade social, que poderiam contribuir de forma substantiva com o  processo de oxigenação das ideias e com novas práticas de governança; para isso precisam ser chamados a servir na política, quebrando esse círculo vicioso onde as escolhas recaem sempre sobre os mesmos.

Embora essa percepção possa merecer alguns reparos e provoque discordâncias, o que é salutar à discussão, pois enriquece o debate, entendo que a política no Estado está reclamando uma quebra dessa hegemonia para provocar o surgimento  de um renovado paradigma político e social, como ocorreu em 1986, com a ascensão do “mudancismo” (sem discutir seus métodos), que trouxe um modus operandi diferente de administrar os negócios do governo, conduzindo o Ceará ao estádio em que se encontra.

Não é sem propósito afirmar que, com algumas alterações de forma, o modelo de governar, e o grupo que ainda hoje está  no poder e tenta se manter, conformam a extensão daquele movimento surgido no período pré-Constituição/88, que bem ou mal  cumpriu o seu papel, e a população já percebe que de há muito apresenta fadiga em suas políticas e métodos de administrar, exigindo a renovação de seus agentes e, principalmente, das ideias, o que remete para a própria sociedade o protagonismo e a responsabilidade de estabelecer essa renovação.

Resgatando um pouco da memória política do Estado, o ex-governador Virgílio Távora afirmava que, “[…] os ciclos políticos no Ceará duravam 25 anos”. O grupo que hoje está no poder já se aproxima dos 40 anos. Nas circunstâncias vigentes, o Estado e, especialmente, Fortaleza, reclamam por mudanças. Avante!

*Jornalista, sociólogo e doutor em Ciências Políticas


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16/10


2020

Mendonça pede apoio do Governo para projetos de saneamento

Os candidatos a prefeito e vice do Recife pelo DEM, Mendonça Filho e Priscila Krause, reuniram-se, hoje, no Recife, com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para discutir projetos de habitação e saneamento básico. “Recife necessita de investimentos e apoio do Governo Bolsonaro para finalizar obras que o PSB nunca concluiu, como o conjunto Vila Brasil I, no Joana Bezerra, e o sistema de esgotamento do Cordeiro”, afirmou Mendonça, ressaltando que apresentou ao ministro projetos para habitação e saneamento, área abandonadas pelas gestões do PSB e do PT.

Segundo Mendonça, o ministro garantiu que o Governo Federal está empenhado em apoiar projetos de habitação e saneamento básico no Recife e em Pernambuco. "Mantenho um diálogo aberto e transparente com o Governo Federal. Já fui recebido por nove ministro de Bolsonaro para tratar de projetos para nossa cidade”, lembrou. Ao lado de Priscila, Mendonça pediu apoio do ministro para reduzir o déficit habitacional no Recife, que hoje é de 71 mil unidades, de acordo dados da própria Prefeitura do Recife. Parado há mais de dez anos, o Vila Brasil I beneficiaria cerca de 100 famílias que atualmente vivem em condições degradantes.

Já o projeto dos habitacionais do Pilar contempla a construção de 588 unidades, ao todo. Além da construção de 256 unidades atualmente paradas, mais duas quadras do empreendimento seguem sem definição após o distrato confirmado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. Mendonça pediu ao ministro Rogério Mario apoio para projetos como o Morar Melhor, lançado pela sua campanha, que prevê a conclusão de habitacionais atrasados, 10 mil unidades de moradia popular, acabar com as palafitas, reforma e regularização fundiária com título de posse e legalizar a situação de moradias populares.

O ministro ouviu de Mendonça e Priscila relato sobre os problemas mais urgentes que o Recife enfrenta, entre eles, o índice de saneamento básico. Atualmente, a coleta de esgoto no Recife corresponde a cerca de 43%. O percentual coloca a capital pernambucana na 75ª posição nessa área entre os 100 maiores municípios do Brasil. Um dos compromissos de Mendonça na área de saneamento é exigir da Compesa a garantia de 60% de cobertura para o tratamento de esgoto no Recife até 2024 e o fornecimento de água tratada nas áreas mais pobres do Recife.  Mendonça lembrou que já tinha discutido com Rogério Marinho projetos para o Recife, numa audiência em Brasília. “Buscar esse apoio é muito importante para o Recife voltar a ser protagonista no Nordeste e no Brasil", afirmou.


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16/10


2020

Boteco Parador afirma que está cumprindo todas as regras

Responsável técnico pelo Boteco Parador, o arquiteto Leonardo Cavalcanti informa ao blog que o espaço está respeitando todos os protocolos sanitários estabelecidos no decreto estadual que versa sobre medidas de enfrentamento ao novo coronavírus. Segundo ele, serão 100 mesas ao todo, com distanciamento mínimo de 1,5 m entre elas, e os espectadores permanecerão sentados durante as apresentações musicais.

"Dentro deste novo normal, nós estamos com um novo conceito, fazendo um bar que funciona a cada sábado. O objetivo é trazer algum artista. De alguma maneira, o palco central faz com que se torne intimista. Ao mesmo tempo, as pessoas vão manter o distanciamento de 1,5 m de uma mesa para outra", explica.

Entre as atrações da abertura do projeto, que ocorre amanhã, às 15h, estão Camisa 10, Sambar & Love, Xande de Pilares e Rafa Mesquita. O Boteco Parador acontece em seis sábados consecutivos. De acordo com Leonardo, a organização do evento está tomando outras medidas preventivas, como aferidor de temperatura e totens de álcool em gel na entrada.

"Em toda a cadeia produtiva, estamos tendo o maior cuidado, desde a compra de ingresso, 100% digital pela bilheteria. Todos os protocolos estão sendo respeitados e a pessoa se levantará apenas para ir ao banheiro. Também estamos incentivando a diminuição da circulação de dinheiro. Todos que chegarem serão direcionados para a mesa específica e os pedidos vão ser feitos por um aplicativo", prossegue.

Ainda segundo Leonardo Cavalcanti, foram gerados 500 empregos diretos e indiretos a partir desta iniciativa.


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16/10


2020

Barroso pede que plenário delibere sobre afastamento de senador

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, pediu, hoje, pauta para que o plenário do STF delibere sobre a decisão que determinou o afastamento, por 90 dias, do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado pela Polícia Federal em casa, em Boa Vista, Roraima, com maços de dinheiro na cueca.

O ministro destacou que, embora não seja decisão que exija ratificação, decidiu pedir ao presidente da Corte, Luiz Fux, que paute o tema na próxima semana para avaliação do colegiado.


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16/10


2020

PF cumpre mandados no Ceará, na Bahia e em SP

A Polícia Federal (PF) cumpre 17 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, São Paulo e Salvador, hoje, em mais uma fase da Operação Lava Jato Eleitoral. Conforme a PF, a ação, batizada de "Marquetagem", apura condutas "potencialmente ilícitas" de políticos e empresários na liberação de créditos tributários provenientes do Programa de Incentivos às Atividades Portuárias e Industriais do Ceará (Proapi), em troca do recebimento de vantagens indevidas.

Os mandados foram expedidos pela Justiça Eleitoral. A nova fase dá continuidade a investigações iniciadas em 2018, com a colaboração premiada dos executivos do Grupo J & F.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos alvos dos mandados e informou que "por determinação judicial não haverá coletivas" sobre a operação. Segundo informações da PF na Bahia, um mandado foi cumprido no Centro de Salvador.

Os pagamentos de propina, que totalizam R$ 25 milhões, teriam ocorrido por meio da simulação da prestação de serviços publicitários, do uso de notas fiscais frias e de doações oficiais para campanhas eleitorais nos anos de 2010 e 2014.

Segundo a Polícia Federal, caso sejam comprovados os crimes, os investigados podem responder por falsidade ideológica eleitoral, corrupção, lavagem de dinheiro e por integrar organização criminosa.


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16/10


2020

Apesar da prefeita fugir, Paredão mantido em Caruaru


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