FMO janeiro 2020

31/03


2020

Coluna da terça-feira

Trapalhada no hospital Maria Lucinda

Diante de tudo de tudo que já se viu em Pernambuco em tempos de coronavírus, um já despertou a atenção da mídia nacional: o atestado falso para coronavírus como causa mortis do borracheiro Jacinto, levando à eternidade pela gripe Influenza, segundo nota oficial do próprio hospital Maria Lucinda, pivô da maior trapalhada da atual crise na saúde que atravessa o País sob a ameaça do Covod-19, o vírus da morte.

Na vida pública se pratica muitos crimes, inclusive o da omissão. Em se tratando de hospital, omissão remete de imediato à negativa do socorro. Mas não tem nada disso. A omissão foi praticada, no episódio em análise, pelo hospital, que até agora não deu o paradeiro da médica Ingrid Rodrigues, que assinou o atestado de óbito falso, e ao Governo, cujo representante do setor, o secretário de Saúde, André Longo, silencia.

Silêncio é sinônimo de omissão, grave pecado na vida de um cidadão. Embora o hospital Maria Lucinda seja filantrópico, tem relação com o SUS, recebe dinheiro do Estado e do Governo Federal, através de emendas parlamentares. Uma história muito mal contada. Se não, vejamos: o paciente morre, a equipe que o assiste colhe sangue para identificar a enfermidade, se conclui por gripe influenza e o atestado de óbito sai Covid-19.

No cartório, ninguém tem notícia do laudo da causa mortis. Envolvida no episódio, por sentir tratar-se de um escândalo nacional, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) postou dois vídeos em suas redes sociais desconfiando que Pernambuco seja um caso em que o número de mortes pelo corona esteja crescendo de forma manipulada, atestando o Covid-19 como causa mortis em vítimas de outras enfermidades. Com a família do borracheiro, ela conseguiu o resultado do exame para influenza, mas não o laudo do médico no qual o cartório se baseou para o atestado de óbito.

Esse laudo sumiu, a médica Ingrid Rodrigues, que assinou o atestado, também tomou Doril. Mesmo destino chamado sumiço teve o secretário estadual de Saúde, André Longo. Ao longo do dia de ontem, tentei, por várias vezes, uma entrevista com ele, deixei mensagens no seu celular, mas se recusou a falar. Certamente, deve estar com a consciência pesada pelo aval do Estado a uma trapalhada lamentável de um hospital filantrópico.

Mais uma morte – Por falar em coronavírus, subiu para seis o número de mortos em Pernambuco com a Covid-19, segundo dados oficiais divulgados ontem. Também foram registrados quatro novos casos, totalizando 77 no Estado. A nova morte foi de um homem de 62 anos, com quadro de hipertensão e diabetes. No domingo passado, eram 73 casos confirmados. Também houve dois novos casos de cura clínica, chegando a 13 recuperações. De acordo com a Secretaria de Saúde, o homem morreu no domingo. Ele deu entrada no Hospital dos Servidores do Estado (HSE) no dia 25 de março, depois de ser encaminhado por uma unidade de saúde do município de Goiana, com quadro de infecção respiratória.

Emendas como reforço – A Assembleia Legislativa confirmou que os deputados repassaram um total de R$ 62,7 milhões para as áreas de saúde e assistência social, em meio à pandemia do novo coronavírus. De acordo com a Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação, esse valor equivale a 67,7% do total de emendas parlamentares, que totalizaram R$ 92,5 milhões. O valor de emendas remanejadas para a saúde e assistência social chegou a R$ 56,6 milhões. O Legislativo informou que todos os 49 deputados estaduais fizeram o remanejamento e repassaram recursos para essas áreas, com o “objetivo específico para o enfrentamento ao novo coronavírus”.

Monitoramento ilegal – A denúncia foi do jornal O Poder: o recifense está sendo monitorado pela Prefeitura sem autorização e isso se constitui crime. Mesmo sem se referir à reportagem do jornal, o prefeito Geraldo Júlio (PSB) confirmou que mais de 510 mil pessoas já receberam alertas, pelo celular, sobre a necessidade do isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus no Recife. Até ontem, segundo ele, os avisos foram vistos mais de quatro milhões de vezes pelos moradores de bairros com menor índice de isolamento social, medido por uma ferramenta de monitoramento de aparelhos. O sistema é o mesmo denunciado pelo jornal para invadir a privacidade do cidadão.

Hospital de campanha – Em Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) resolveu construir um grande hospital de campanha num estádio de futebol, da mesma forma como vem sendo feito no Rio. No Recife, não há notícia sobre tal iniciativa, mas em Fernando de Noronha, sim. Ali, o trabalho de montagem já está de vento em popa para receber possíveis pacientes com a Covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus. A unidade emergencial de saúde vai funcionar no auditório da Escola Arquipélago. Inicialmente, o espaço contará com seis leitos, mas a capacidade é de até 12 pessoas em tratamento.

CURTAS

BALANÇA, MAS NÃO CAI – O ministro da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, garante que “está fora de cogitação” e que “não existe essa ideia” de demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O presidente Bolsonaro vem defendendo o relaxamento das medidas de isolamento social adotada nos estados e a retomada da atividade econômica, com a reabertura do comércio e volta dos estudantes às escolas. As recomendações de especialistas, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Mandetta são de que o isolamento é necessário para evitar a expansão da pandemia. Essa postura diferenciada do ministro em relação ao chefe gera especulações de que Mandetta pode cair.

VOZ MUNICIPAL – A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) tem dito que o presidente Bolsonaro “contraria orientações sanitárias, gerando insegurança e dúvida na população”. A FNP representa 406 cidades incluindo todas as capitais, e assim respaldada enviou novos ofícios cobrando responsabilidades, medidas oficiais do governo federal, testes rápidos para profissionais de saúde e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os municípios. No texto, a entidade faz referência às novas posturas adotadas por Bolsonaro no fim de semana, que fez passeios pelo bairro Sudoeste em Brasília e pelo centro de Ceilândia, e vão contra as recomendações do Ministério da Saúde para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

INTEIRINHO DA SILVA – Inácio Manoel do Nascimento, o Nino, prefeito de Nazaré da Mata pelo PSDB, tomou um susto com sintomas do coronavírus na última sexta-feira, deu entrada num hospital do Recife para exames e ontem recebeu alta com o teste do mal negativo. Nino é bom camarada, segundo o prefeito de Tabira, Sebastião Dias (PTB). “Brincalhão e divertido, ele anima qualquer ambiente borocoxô”, diz o prefeito-poeta. Enquanto esteve internado, Nino deixou a cidade em pânico. “Mas, graças a Deus, correu tudo bem”, revela o vereador Nino Filho, herdeiro político do pai.

Perguntar não ofende: Quantos dias a mais iremos aguentar ainda em prisão domiciliar?


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Abreu e Lima

30/03


2020

Bolsonaro: Guedes vê recuperação econômica em um ano

Por Reuters

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira que confia ser possível recuperar a economia brasileira em um ano após o fim da crise do coronavírus, e disse ter ouvido do ministro da Economia, Paulo Guedes, que o pacote de medidas para mitigar os impactos econômicos da pandemia no país chegará a cerca de 800 bilhões de reais.

Em entrevista por telefone à Rede TV, Bolsonaro disse ter conversado com Guedes nesta segunda sobre a situação econômica do país diante do coronavírus.

"Conversei com ele hoje. As medidas tomadas por ele podem chegar, somando tudo, a por volta de 800 bilhões de reais", disse Bolsonaro.

"O que ele expôs pra mim hoje é essa possibilidade de recuperar em um ano a economia é possível. Quando acabar a crise, mais um ano, voltamos ao estágio que estávamos em janeiro, isso é possível sim", acrescentou.

Bolsonaro destacou ainda que, ao ter conseguido aprovar no Congresso o decreto do estado de calamidade pública, não está faltando recursos para a saúde e para o combate ao desemprego.

Mais uma vez, o presidente criticou medidas de isolamento social tomadas por governadores e prefeitos. Segundo ele, é preciso se preocupar com os 38 milhões de trabalhadores informais no país, que têm sofrido as consequências das quarentenas.

O presidente afirmou ainda que a questão do emprego preocupa, ao destacar que o povo pede a ele para voltar a trabalhar.

"Não se pode impor quarentena maior do que já está", disse Bolsonaro, ao avaliar que a ajuda mensal de 600 reais para os informais aprovada pelo Congresso ajuda, mas não é suficiente.

Bolsonaro disse ainda que "quase todo mundo" vai pegar o vírus, mas o trabalho que tem sido feito é para evitar que todo mundo pegue ao mesmo tempo. Segundo ele, a curva de contaminação da enfermidade, no entanto, não pode ser esticada a ponto de o desemprego aumentar "de forma galopante".

"Pânico é uma doença", disse Bolsonaro. Para ele, os malefícios do clima de histeria são muito maiores do que o próprio vírus.

Segundo o presidente, quem tem recursos pode ficar em casa na quarentena, mas a maioria da população não pode ficar sem trabalhar, pois precisa garantir o sustento.

Numa defesa indireta do giro que fez na véspera por cidades do Distrito Federal, Bolsonaro afirmou que, se o coronavírus fosse algo "terrivelmente mortal" para ele, não teria ido para a rua.

O presidente disse que tem problemas com governadores e com o Congresso que não são de agora, mas elogiou o Congresso por estar fazendo a sua parte neste momento de crise e citou a aprovação nesta segunda pelo Senado da proposta que prevê o auxílio de 600 reais para os informais.


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30/03


2020

Ministro exalta golpe de 64

Por Estadão Conteúdo

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, emitiu um comunicado nesta segunda-feira (30), por meio do qual chama o golpe militar de 1964 de "marco para a democracia brasileira". O período que durou até 1985 foi marcado pelo fim das eleições diretas, pelo fechamento do Congresso, por censura, tortura e assassinatos praticados pelo Estado brasileiro.

É a segunda vez que o governo de Jair Bolsonaro faz alusão ao 31 de março, data que marca o início da ditadura militar no Brasil. No ano passado, o presidente chegou a propor comemorações nos quartéis, polêmica que repercutiu em ações no Poder Judiciário contra a proposta.

Agora, em plena crise do novo coronavírus, o governo não deixa de marcar posição com relação ao tema e tentar dar outra interpretação histórica ao golpe que depôs o então presidente, João Goulart.

No texto, o ministro avaliou que faltava "inspiração e sentido de futuro" para que o Brasil pudesse "transformar em prosperidade o seu potencial de riquezas".

"(Os brasileiros) Entregaram-se à construção do seu País e passaram a aproveitar as oportunidades que eles mesmos criavam. O Brasil cresceu até alcançar a posição de oitava economia do mundo", frisou o documento chamado de "Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964".

Do ponto de vista econômico, a ditadura significou crescimento expressivo e industrialização do País. Contudo, diferente do que os militares diziam pretender, a subida foi marcada por forte concentração de renda e, em seguida, recessão. Em seu fim, o governo militar enfrentou forte alta inflacionária.

Para Azevedo e Silva, a ascensão dos militares ao poder significou uma reação do País às "ameaças que se formavam àquela época". Um dos argumentos usados por defensores do golpe é a existência de uma suposta ameaça comunista à soberania brasileira no período.

Considerado um militar moderado, o ministro finalizou o comunicado dizendo que as instituições brasileiras evoluíram e que hoje os brasileiros vivem pleno exercício de liberdade e de escolhas.

"Os países que cederam às promessas de sonhos utópicos, ainda lutam para recuperar a liberdade, a prosperidade, as desigualdades e a civilidade que rege as nações livres. O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. Muito mais pelo que evitou", escreveu.


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Prefeitura de Serra Talhada

30/03


2020

A possibilidade do impeachment ronda o Brasil novamente

Por Carlos Cardoso de Oliveira Júnior*

A pandemia do Coronavírus consubstancia a maior crise sanitária do mundo nos últimos cem anos.

Os seus efeitos devastadores, segundo os cientistas, especialistas e dados numéricos apurados, estão iniciando a sua marcha em nosso país. A gravidade dessa inédita situação está estampada nas milhares de pessoas infectadas e que já morreram por causa dela em todos os continentes, fatos reconhecidos pela totalidade dos dirigentes dos principais países do planeta.

Lamentavelmente, porém, esse verdadeiro tsunami sanitário chega a uma nação conflagrada politicamente como há muito não se via em nossa história, envolvida por uma forte polarização política, incrementada principalmente por um presidente da república que, com palavras e iniciativas tem ensejado crises quase diárias, que se expressam pelos frequentes e agressivos ataques aos valores e instituições democráticas.

Essa iniludível escalada autoritária do principal mandatário do país, pela sua intensidade e ferocidade, desencadeou um crescente e irreprimível debate a respeito da necessidade de se tomar providências tendentes a promover o impedimento constitucional do senhor Jair Bolsonaro.

Afinal, muitas das suas posturas institucionais tangenciam e ou violam os preceitos constitucionais e infraconstitucionais autorizadores da deflagração do processo legal exigido para se alcançar o impeachment dessa figura presidencial.

Por mais que a turma dos panos quentes queira dourar a pílula, o fato é que o Brasil encontra-se imerso em uma crise política, econômica e institucional de dificílima solução.

E como miséria pouca é bobagem, a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) que varre o mundo está chegando com tudo sobre todos nós, projetando-se com jeito de agravar ainda mais os nossos históricos flagelos sociais.

Até mesmo o transcurso de seis anos da operação Lava Jato acabou por ser ofuscado por essa hecatombe sanitária.

O quadro econômico que seguia um curso de crescimento paquidérmico desde 2017, com aumento do PIB na casa de 1,1% ao ano, com o advento da coronacrise, que paralisou as atividades produtivas em escala mundial, incluindo as três maiores economias do mundo – China, Estados Unidos e Europa Ocidental - vai experimentar um período sombrio.

Abalizadas estimativas econômicas dão como certa uma recessão de âmbito mundial, com a possibilidade de se transformar em uma depressão eventualmente maior que aquela resultante da grande crise de 1929.

No caso brasileiro, a recessão é absolutamente inevitável, com avaliações de que poderá alcançar patamares superiores aos verificados na recessão de 2015/2016. Nesse sentido, circulam estimativas elaboradas por pesquisadores, consultorias econômicas e instituições do mercado financeiro, nacionais e internacionais, apontando para uma recessão no Brasil entre 1,6% e 4,5% do PIB. Recentemente, essas mesmas fontes estimaram que o desemprego, que hoje está na casa dos 12 milhões, pode chegar até aos 40 milhões de pessoas, envolvendo trabalhadores formais e informais. Milhões de pessoas perderão as suas ocupações e rendas nas próximas semanas e meses.

Não bastasse essa situação assustadora, assistimos todos a um conflito aberto de poderes, com o STF legislando como se fosse o Congresso Nacional, inclusive em matéria penal e processual penal, concedendo liminares a torto e a direito em matérias econômicas que são de atribuição exclusiva dos poderes Executivo e Legislativo, desorganizando acintosamente políticas econômicas voltadas para a arrumação das finanças públicas federais, estaduais e municipais, sem o que não voltaremos a ter um crescimento econômico robusto e sustentável, emprestando apoio a governadores que praticam um populismo econômico irresponsável, cuja conta ficará para os seus sucessores e para os nossos filhos e netos, que terão o seu futuro comprometido pelas decisões de alguns ministros fiscalmente irresponsáveis e que também se consideram ministros da economia. Assinale-se que não há paralelo semelhante a isso no mundo democrático. Trata-se de mais uma jabuticaba brasileira.

Isso sem falar das teses jurídicas consagradas pela maioria de seus ministros em decisões que fragilizaram a luta anticorrupção no Brasil, lançando a imagem dessa suprema corte ladeira abaixo perante os olhos da esmagadora maioria da sociedade brasileira.

Registre-se ainda o feroz apetite por bilionários nacos do orçamento do país demonstrado pelos nossos congressistas, que, por meio de emendas individuais, de bancadas, de comissões temáticas e das acolhidas pelo relator do orçamento, usurparam atribuições próprias do poder executivo, com o que reduziram ainda mais a capacidade de investimento do governo federal, que, na prática, torna quase impossível o financiamento de projetos estruturantes e estratégicos para o país. Ignoraram o fato de que o nosso sistema de governo não é parlamentarista.

É bem verdade que o governo atual contribuiu para a agudização desse problema, em razão da sua incapacidade de articulação política e da sua escassa inclinação para dialogar com a multiplicidade de segmentos sociais que compõem a nossa sociedade. Mas um erro não pode justificar outro. Os governos, bons ou ruins, passam, mas o país e as suas instituições são permanentes. Em algum momento no futuro próximo, teremos de rever os limites constitucionais dos nossos poderes, sob pena de afundar o Brasil numa crise de governabilidade insolúvel, atirando-o numa convulsão social de conseqüências tão imprevisíveis quanto desastrosas para o destino da democracia entre nós. Fomos colhidos por uma tempestade perfeita.

Em meio a essa bagunça institucional, causadora de impasses políticos e insegurança jurídica, precisamos reconstruir o nosso Estado Democrático de Direito.

Voltando ao tema da pandemia viral que assola o planeta, cumpre destacar os discursos e iniciativas do presidente Bolsonaro minimizando a importância do isolamento social preconizado pelos cientistas e especialistas em epidemiologia como absolutamente imprescindível para a redução e a contenção da propagação desse vírus letal.

Mais uma vez, ele insiste em defender teses irresponsáveis, em clara e inconfessável tentativa de esconder as deficiências do seu governo na área da saúde pública, que em nenhum momento recebeu a mínima atenção da sua gestão até poucas semanas atrás. Agora, premido pelo desastre econômico e social que se desenha no horizonte do seu mandato, procura transferir para terceiros a responsabilidade pelo insucesso das políticas do seu governo.

De maneira insana, faz vistas grossas e relativiza as trágicas experiências ocorridas na China e que estão ocorrendo nestes dias na França, Itália, Espanha e Reino Unido.

Mais do que isso, ignora o que está acontecento nos Estados Unidos, cujo presidente (o seu ídolo Donald Trump, a quem presta voluntária subserviência) teve que rever as suas atitudes iniciais diante dessa crise. Trump, agora, às pressas, pressionado pelo avanço da contaminação crescente da população americana e pelo crescimento vertiginoso de mortes, anuncia medidas mais duras, cogitando até a quarentena, que o nosso presidente insiste em desmoralizar, inclusive em tom desrespeitoso e jocoso com as vítimas fatais e seus familiares.

Contudo, para o seu azar, a marcha do tempo e o desenrolar dos fatos são inexoráveis. E não serão preconceitos ideológicos e a negação da ciência que conseguirão detê-los.

Nesse sentido, a América Latina e o Brasil serão palco do novo epicentro dessa pandemia. E sem medidas duras e efetivas de isolamento social poderemos superar todas as assombrosas estatísticas até aqui apuradas nos países anteriormente mencionados.

Mas o mais repulsivo de tudo é que Bolsonaro escolheu esse caminho com notória indiferença às milhares de mortes, notadamente no âmbito da população idosa, que poderão resultar dessa ignominiosa ausência de empatia que caracteriza a sua personalidade, em clara demonstração da sua incompatibilidade com os deveres e responsabilidades constitucionais de que se acha incumbido de observar.

O tempo joga contra o Brasil. Se prevalecerem as meias medidas de contenção da propagação desse novo coronavírus, resultantes das mentiras e meias verdades divulgadas e repetidas à exaustão pelo Sr. Bolsonaro, vivenciaremos cenários de horror, principalmente nas cidades que contam como milhões de pessoas vivendo em favelas e em áreas desprovidas de saneamento básico.

Como se vê, Bolsonaro flerta com o impeachment, que pode estar mais próximo do que imagina.

* Carlos Cardoso de Oliveira Júnior é procurador de Justiça aposentado do Ministério Público de São Paulo e associado do Movimento do Ministério Público Democrático.


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30/03


2020

Mandetta defende máximo grau de distanciamento social

Por G1

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro ter feito um passeio pelo comércio de Brasília mesmo em meio ao surto do novo coronavírus, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, recomendou que sejam mantidas as recomendações dadas pelos estados e defendeu o "máximo grau de isolamento social".

"E eu tenho dialogado com os secretários estaduais e municipais – dentro do que é técnico, dentro do que é cientifico, dentro do planejamento – quais seriam as condicionantes, o que a gente precisa ter na Saúde (...) para que que a gente possa imaginar qualquer tipo de movimentação que não seja esta", disse Mandetta em entrevista coletiva nesta segunda-feira (30) no Palácio do Planalto, em Brasília.

"Por enquanto, mantenho as recomendações dos estados. Porque essa é, no momento, a medida mais recomendável, já que nós temos muitas fragilidades ainda do sistema de saúde."

Bolsonaro vem defendendo o relaxamento das medidas de isolamento adotada nos estados e a retomada da atividade econômica, com reabertura do comércio e volta dos estudantes às escolas. As recomendações de especialistas, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Mandetta são de que o isolamento é necessário para evitar a expansão da pandemia.

Em várias ocasiões na entrevista desta segunda, o ministro repetiu os termos "técnico" e "científico" ao comentar as orientações e condutas da pasta diante do surto da Covid-19, doença causada pelo coronavírus Sars-CoV-2, que provocou mais de 150 mortes no Brasil.

Ele reafirmou: "No momento, a gente deve manter o máximo grau de distanciamento social, para que a gente possa, nas regras que estão nos estados, dar tempo para que o sistema [de saúde] se consolide na sua expansão".

"Estamos aumentando o sistema, estão chegando equipamentos. Tem que aguardar a quantidade de hospitais de campanha que estão sendo ainda construídos em várias cidades", completou.

Segundo o ministro, os efeitos positivos das medidas restritivas devem ser sentidos "na próxima quinzena". "Quando você para hoje, o que você fez nos 14 dias anteriores é que reflete nas suas duas semanas para frente. Essa paralisação de duas semanas – você vai colher os frutos lá na frente."

Em outro momento, o ministro declarou que "distanciamento social não quer dizer isolamento absoluto". "Não estamos ainda em lockdown absoluto", disse, referindo-se ao termo em inglês para a paralisação total do fluxo de pessoas (com exceções).

O ministro afirmou, mais de uma vez, que a pandemia não é um problema que diz respeito apenas ao seu ministério: "Essa briga não é [somente] da Saúde". De acordo com ele, "esse vírus ataca a economia, a sociedade", afetando transporte e bolsas de valores.

"Eu vejo o grande divisor é: temos uma onda na saúde, temos uma onda na economia. Parece que é consenso de todos que fazer um lockdown absoluto da sociedade brasileira, neste momento, não é o que a gente tá precisando. Porque a gente vai ter muito problema na frente."

Mandetta também se desculpou por recentemente ter feito críticas ao trabalho da imprensa na cobertura da pandemia do novo coronavírus, afirmando que os meios de comunicação são sórdidos porque, na visão dele, só vendem se a matéria for ruim.

Mais controle do Planalto na entrevista

A entrevista coletiva desta segunda foi no Palácio do Planalto, e não no Ministério da Saúde, como vinha acontecendo anteriormente ao londo do surto de coronavírus.

O formato também mudou: além do próprio Mandetta, estiveram presentes os seguintes ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil), Onyx Lorenzoni (Cidadania), Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e André Luiz de Almeida Mendonça (Advocacia-Geral da União), além do tenente-brigadeiro do Ar Raul Botelho, comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, representante do Ministério da Defesa.

Todos eles falaram antes do ministro da Saúde. E, quando este foi perguntado se se "teve ou está tendo atritos" com o presidente Jair Bolsonaro, se está sob ameaça de demissão ou se pensa em deixar o cargo, Braga Netto se antecipou, tomou a palavra e respondeu:

"Deixar claro para vocês: não existe essa ideia de demissão do ministro Mandetta. Isso aí está fora de cogitação no momento, está certo? Não existe".

Sobre o fato de a entrevista ter mudado para o Planalto, ministro da Casa Civil disse: "Esta reunião não está aqui por motivos políticos. Está aqui porque o problema do corona atinge transversalmente todo o governo".

O blog de Natuza Nery no G1 mostrou que, embora o governo diga que a mudança seja para dar uma ideia de maior coordenação das medidas de combate ao vírus, trata-se, sim, de intervenção do Palácio do Planalto.

Casos confirmados e mortes no Brasil

Nesta segunda, o Ministério da Saúde divulgou balanço nacional sobre os casos de Covid-19, doença causada pelo coronavírus Sars-Cov-2. Os principais dados são:

. 159 mortes
. 4579 casos confirmados
. 3,5% é a taxa de letalidade
. Sudeste tem 2.507 casos, 55% do total
. São Paulo tem 1.451 casos

No levantamento anterior, divulgado no domingo (29), o Brasil tinha 136 mortes e 4.256 casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

"Eu peço desculpas. A gente, quando erra, a gente erra. Naquele momento, o que eu quis dizer era o seguinte: leia um livro, procura conversar, nós estamos na Quaresma, procura ler a 'Bíblia', e tem outras possibilidades".


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O Jornal do Poder

30/03


2020

TV Alepe oferece aulas produzidas pela Fundação Roberto Marinho

A TV Alepe (canal 28.2), que transmite parte da grade de programação do Canal Futura para Pernambuco, está veiculando, a partir desta terça-feira (31/03), aulas do ensino fundamental e médio produzidas pela Fundação Roberto Marinho. Os alunos interessados também podem frequentar salas de aula online, com a orientação de professores, oferecidas gratuitamente pelo projeto Classes Abertas, da Fundação. O conteúdo vai ao ar de segunda a sexta-feira em três horários (às 8h, às 13h e às 18h15).

As aulas de reforço escolar do Classes Abertas seguem também na internet a mesma grade da nova faixa especial de programação do Canal Futura (TV Alepe). De acordo com a Fundação, a faixa Estude em Casa oferece um conjunto de conteúdos educativos para ajudar estudantes que tiveram sua rotina escolar alterada devido à Covid-19. Entre os conteúdos exibidos estão tele aulas de matérias do ensino fundamental e médio, além de diversos programas educativos do canal, como Turma da Robótica, Ciência para Todos e Show da História.

"Se chama Classe Aberta porque é para todos, sem restrição", diz João Alegria, gerente geral do Laboratório de Educação da Fundação. "Basta se inscrever (no site telecurso.org.br), e o aluno passa a fazer parte de uma turma, que tem o acompanhamento de um professor. Esse professor vai ajudando a turma a se alimentar de conteúdo, atividades, outras possibilidades de links que têm a ver com o que os alunos viram na televisão", explica.

Para o chefe do Departamento de TV da Alepe, Pedro Paulo, a transmissão das aulas para os estudantes pernambucanos se constitui numa bela iniciativa para quem quer estudar em casa nesta época de prevenção ao coronavírus e vem de encontro às determinações do presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros (PP), de chegar cada vez mais perto da população pernambucana, principalmente em um momento difícil como este.

“A TV Alepe, que pertence à Assembleia Legislativa de Pernambuco, marca um gol de placa com essa ação, pois levará oportunidade de educação até à casa dos estudantes que não podem frequentar a escola por enquanto. Podemos assegurar que todo o conteúdo é de excelente qualidade, com a assinatura da Fundação Roberto Marinho”, garante Pedro Paulo.

As aulas online foram preparadas pelos professores da Escola da Fundação Roberto Marinho. Nesta primeira semana, as aulas temáticas - referentes a português, história, matemática e sociologia - incluem tópicos como “Renascimento, Grandes Navegações e Invasão das Américas”, “Raça, etnia, gênero, sexualidade e diversidade”, variação linguística e divisão matemática, entre outros.


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Banner de Arcoverde

30/03


2020

Facebook e Instagram removem vídeo de Jair Bolsonaro

Por G1

O Facebook e o Instagram removeram nesta segunda-feira (30) um vídeo publicado pelo presidente Jair Bolsonaro no domingo, em que ele provocou aglomerações durante um passeio em Brasília e voltou a se posicionar contra o isolamento social, defendido por autoridades de saúde do mundo inteiro como medida eficaz para conter o coronavírus.

De acordo com um porta-voz do Facebook, a plataforma remove "conteúdo no Facebook e Instagram que viole nossos Padrões da Comunidade, que não permitem desinformação que possa causar danos reais às pessoas".

O G1 procurou a assessoria de comunicação da Presidência da República, que informou que não comentaria o caso.

A remoção das redes sociais seguiu atitude do Twitter, que, ainda no domingo, também excluiu dois vídeos do presidente, publicados na mesma situação do passeio por Brasília. Facebook e Instagram mantiveram, porém, o vídeo em que o presidente está em um supermercado.

Em comunicado, o Twitter disse que "anunciou recentemente em todo o mundo a expansão de suas regras para abranger conteúdos que forem eventualmente contra informações de saúde pública orientadas por fontes oficiais e possam colocar as pessoas em maior risco de transmitir COVID-19. O detalhamento da ampliação da nossa abordagem está disponível neste post em nosso blog."

Conteúdos contrariam autoridades de saúde do mundo
As redes sociais não deixaram claro quais pontos específicos das imagens ou das declarações dos dois posts levaram à exclusão. Além das publicações apagadas, há outras do passeio de Bolsonaro em Brasília e de declarações deste domingo sobre o coronavírus que continuam no ar.

No vídeo que foi apagado nas três redes sociais, Bolsonaro conversa com um ambulante, defende que as pessoas continuem trabalhando, e diz para "quem tem mais de 65 ficar em casa". Ele acena positivamente quando uma das pessoas na aglomeração diz que "tem que abrir os comércios e trabalhar normalmente".

No segundo vídeo, removido apenas do Twitter, ele entra em um supermercado, volta a provocar aglomerações, critica as medidas de isolamento e diz para jornalistas que "o país fica imune quando 60%, 70% foram infectados" e que um remédio contra o coronavírus "já é uma realidade", sem apresentar comprovação.

Apesar de haver pesquisas iniciais, não há remédio com atuação comprovada contra o coronavírus e ninguém sabe quando teremos.


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Prefeitura de Limoeiro

30/03


2020

Prefeito de São Lourenço dá 50% do salário para saúde

Como nova medida para economizar gastos, devido à estagnação dos setores econômicos e concentrar a receita da cidade na área da saúde, durante a situação de emergência devido à pandemia do coronavírus, o prefeito de São Lourenço da Mata Bruno Pereira reduziu seu próprio salário em R$ 50% e o do secretariado municipal em 25%; além de cortar novas nomeações, gratificações e auxílio alimentação dos funcionários do Executivo Municipal, com exceção, aos funcionários que atuam na linha de frente contra a covid-19.

De acordo com Bruno, as novas medidas constam no novo Decreto Municipal Nº 115/2020, assinado na manhã desta segunda-feira (30). “Consideramos questões como a calamidade declarada pelo governo do estado na área da saúde e a estagnação dos setores econômicos como o ICMS, do qual o município dispõe de sua cota-parte, e o FPM, maior receita da cidade, que sofrerá consequências diretas com os efeitos da crise na economia”, explicou o prefeito.

O chefe do Executivo exemplificou como serão utilizados os recursos, que serão concentrados para área da saúde. “Os valores finais serão aplicados no combate ao coronavírus, como adaptações de salas especiais no hospital municipal, medicamentos e novos equipamentos, como por exemplo, os de Proteção Individual (EPI’s), para auxiliar o trabalho de nossos funcionários da saúde. Com as medidas pretendemos intensificar o combate à covid-19 e garantir mais assistência médica aos infectados na cidade, que até o momento apresenta apenas um caso confirmado”, disse Bruno. 

Ainda segundo o chefe do Executivo, as novas medidas começarão a ter validade já para o mês de abril. “Inicialmente colocamos sua validade para um mês, mas poderemos prorrogar, caso a crise se agrave. Outra área que concentraremos os recursos será a Assistência Social, devido ao número de pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social e de risco nutricional”, frisou o prefeito, que ainda ressaltou. “A folha salarial do mês de abril já foi antecipada para os aposentados e pensionistas, que na sua maioria são idosos, e estão no grupo de risco do vírus; e os profissionais contratados e efeitos da saúde, que receberam na última sexta-feira (27)”, finalizou Bruno


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Shopping Aragão

30/03


2020

Marília e Randolfe cobram sanção da Renda Mínima

A Renda Mínima para o trabalhador informal precisa ser sancionada imediatamente pelo Presidente Jair Bolsonaro. Foi essa a maior exigência feita pela deputada federal Marília Arraes (PT) e pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em live transmitida na noite desta segunda-feira (30) sobre a importância do auxílio financeiro aos trabalhadores e trabalhadoras atingidos pelos efeitos econômicos do Covid-19. 

Centenas de internautas aproveitaram a transmissão para tirar dúvidas sobre o tema e saber quem tem direito a receber a renda mínima. A frase mais usada nas interações foi #PagaLogoBolsonaro. “Essa é uma vitória do povo. Agora é esperar que o presidente tenha o mínimo de sensatez e sancione o projeto com a maior urgência possível”, destacou Marília. 

Já Randolfe Rodigues elogiou a live por manter as pessoas devidamente informadas sobre seus direitos e conquistas. “Debates como este proposto por Marília são importantes para esclarecer todos os questionamentos que a população ainda tem. Foi muito legal participar desse momento e tirar as dúvidas das pessoas”, ressaltou. 

O projeto aprovado pelo Senado garante um auxílio financeiro de R$ 600 até R$ 1.200. No início da manhã, Marília Arraes havia enviado ofício digital a todos os 81 senadores reforçando a importância da aprovação da Renda Mínima. No texto, lembrou que o tema analisado teve como base a proposta de Renda Cidadã Emergencial do PT e que ela própria tinha protocolado o PL 974-2020 na Câmara dos Deputados, pedindo o pagamento do Salário Mínimo Emergencial (MEI) aos trabalhadores.


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