O Jornal do Poder

19/09


2020

Michelle, encolhi o PG

Por Marcelo Tognozzi*

m amigo poeta, nas horas vagas advogado dos bons, costuma parodiar o verso do seu colega maranhense Antônio Gonçalves Dias: a vida dá, nega e tira. Não sei se Paulo Guedes leu Gonçalves Dias. Provavelmente sim, porque estudou no Colégio Militar, onde se ensinava que Canção do Exílio inspirou Joaquim Osório Duque Estrada, letrista do Hino Nacional: “Nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores”.`

O presidente deu a ele um superministério. O Congresso deu a reforma da Previdência. Passado pouco mais de um ano, os líderes do Congresso se negaram continuar negociando com Guedes. Semana passada Bolsonaro e os políticos do Centrão tiraram dele um naco gordo do poder de formular políticas públicas.

O agora ex-superministro foi reduzido a um burocrata de luxo, depois de perder as principais estrelas da sua equipe, sendo a mais brilhante delas o economista Mansueto Almeida.

Profissionais com anos de janela e couro duro como o líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR) e o senador Marcio Bittar (MDB-AC), relator do Orçamento, estão tratando de viabilizar aquilo que Paulo Guedes não conseguiu colocar de pé por falta de criatividade ou de talento para lidar com os políticos: a continuidade da política social do governo.

Ministros guardiões das chaves do cofre não costumam ser bons políticos. Falam muito mais nãos do que sins. São zagueiros por instinto. Poucos conseguiram fazer política sentados naquela cadeira, como Getúlio Vargas e o ex-presidente Fernando Henrique com seu Plano Real. Guedes não é exceção; é regra.

O governo não tinha política social até começar a pandemia. Quem deu a ele esta política foi o Congresso ao aprovar o auxílio emergencial de R$ 600. Paulo Guedes queria pagar R$ 200, deputados e senadores pleitearam R$ 500 e Bolsonaro acabou batendo o martelo em R$ 600.

Quando os primeiros pagamentos começaram a pingar, mais da metade dos brasileiros desaprovava o governo. Hoje, a aprovação é de 49%. Já esteve em 52%, mas deu uma leve derretida quando Paulo Guedes anunciou que não tinha como manter o benefício sem tirar dos mais pobres para dar aos paupérrimos e pronunciou a palavra mágica: aposentados.

Bolsonaro nunca esteve tão irritado com Paulo Guedes e sua turma como nos últimos 15 dias. Há quem jure ter ouvido o presidente reclamar, com aquele jeitão Carlo Bronco Dinossauro, da incompetência e da falta de visão política do ex-superministro. Cada vez que Paulo Guedes abre a boca para falar de social, o eleitor belisca Bolsonaro nas pesquisas. Não está longe o dia em que o presidente vai chegar no Alvorada e falar para a primeira-dama: “Michelle, encolhi o PG!”.

A chapa vai esquentar ainda mais depois que a última pesquisa do PoderData mostrou que Lula e Sergio Moro empatam com Bolsonaro nas simulações de 2º turno. Na simulação do 1º turno, Bolsonaro tem 35%, mais que a soma de Lula (21%) e Moro (11%). Num cenário sem Lula, ele mantém os 35% (eram 38% em agosto) e Moro tem 13% (eram 10% em agosto).

A falta de sensibilidade política do ministro da Economia fica ainda mais evidente, quando praticamente todas as pesquisas internas de partidos, consultorias e agências de risco mostram os brasileiros mais preocupados com emprego e retomada da economia do que com saúde. E até agora não há um plano nacional de geração de postos de trabalho em curto e médio prazos.

Ele pouco pronuncia a palavra emprego, num país onde, até a pandemia chegar, havia 20 milhões almas de invisíveis; 10% da população. Um dé-ci-mo! Hoje, 67 milhões de brasileiros recebem auxílio emergencial e usam a maior parte do dinheiro para comprar comida, pressionando a demanda e jogando os preços para o alto, exatamente como escrevi no meu artigo publicado neste espaço dia 28 de março ao mencionar Keynes.

Paulo Guedes entende muito de economia e pouco de gente. A teimosia em impor sua agenda, seu mau humor e a incapacidade de fazer política o transformaram em elemento tóxico num governo inebriado pelo ópio da popularidade. O auxílio emergencial e o Centrão estão dando a Bolsonaro aquilo que Guedes tira dele quando fala em cortes e impostos.

O presidente e seu governo têm mais aprovação no Nordeste do senador Ciro Nogueira, dos deputados Artur Lira, Agnaldo Ribeiro e do ministro Rogério Marinho, do que no Sudeste. Não é por acaso que o Planalto entendeu ser a política social assunto para políticos e, por isso, a Paulo Guedes deve ser negado o direito a pitacos e palpites. O mercado com seus workaholics viciados em projeções e simulações já precificou a saída dele. O próprio reconheceu isso veladamente quando deixou escapar um comentário sobre a debandada no seu ministério.

Pelo ritmo e o rumo que as coisas tomaram, Guedes corre o risco de encerrar a carreira de ministro sozinho e isolado, igualzinho a Gonçalves Dias na sua agonia. No dia 3 de novembro de 1864, o poeta viajava a bordo do navio Ville de Boulogne, voltando da Europa onde por 2 anos tentou a cura, ou ao menos um alívio, para a sífilis que o consumia. Estava fraco, precisava de ajuda para caminhar, pouco comia. O navio naufragou de madrugada na costa do Maranhão. E o poeta, isolado num camarote abaixo da linha d’água, debilitado pela doença, foi esquecido ali. Passageiros, tripulantes e o capitão debandaram. Todos se salvaram, menos ele.

*Jornalista. Artigo publicado originalmente no Poder360.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Potencial Pesquisa & Informação

19/09


2020

Rádio Cultura FM estreia Seleção do Rádio

Parceira do Frente a Frente, na Rede Nordeste de Rádio, a Rádio Cultura do Nordeste, realizou, ontem, em Caruaru, no Agreste pernambucano, um fato que não se tem registro de ter sido feito em outro momento. Quatro equipes esportivas se revezaram para cobrir uma mesma partida esportiva.

A novidade faz parte da fusão das equipes esportivas “Show de Bola”, da Cultura FM (96,5) e AM (1.130) e “Os Craques da Bola” da Nova FM (105,9), que juntas formam a “Seleção do Rádio”, mais nova equipe esportiva de Caruaru.

Quatro narradores, quatro comentaristas, quatro repórteres, três plantões e um analista de arbitragem acompanharam a partida entre Náutico e Chapecoense, que terminou empatada em 1 a 1. Em média cada equipe atuou durante doze minutos e ao giro do placar outra equipe assumia os trabalhos.

A iniciativa gerou uma grande repercussão, diante de toda expectativa que foi criada ao longo da semana para a fusão das equipes. Além da Cultura e a Nova, outras três rádios também integram a rede. São elas: 104 FM, de Bezerros, Cuieiras FM, em Igarassu, e Maraial FM.

O narrador Iran Carvalho, que fez parte da cobertura histórica na noite desta sexta (18), relatou que “em mais de 30 anos de profissão nunca tinha visto uma dinâmica dessas no meio esportivo!”.

“As resenhas esportivas das emissoras continuam com seus horários habituais e suas linhas editoriais independentes, a junção, a princípio, são apenas para as coberturas dos jogos”, esclareceu Almeida Junior, diretor da Rádio Cultura.

A nova equipe tem como Slogan “Cultura e Nova, aqui tem emoção. É futebol do jeito que você gosta!”

*Com informações da Rádio Cultura de Caruaru


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Banco de Alimentos

19/09


2020

Manhattan Café reabre com boa noite de brega

O Manhattan Café Theatro promoveu, ontem, uma noite de muito brega, com o músico Kelvis Duran como atração principal. A apresentação musical foi um verdadeiro sucesso e atraiu bom público à Casa localizada em Boa Viagem, no Recife.

Para curtir o happy hour da melhor maneira, o chef do Manhattan, Ronald Menezes, recomendou chegar cedo. A Casa se planejou para receber o público da melhor forma, seguindo os protocolos do Governo de Pernambuco e encerrando as atividades às 22h. Mesas limitadas com distanciamento mínmo de 1,5 m, som ao vivo com limite máximo de 60 dp e até 10 pessoas por mesa. O consumo para clientes se dá em mesa e sentados.

Quem estava aniversariando não pagou para entrar. Também teve à disposição uma mesa exclusiva reservada para todos os convidados. Além disso, se levou mais de oito convidados pagantes, ganhou uma garrafa de espumante.

Reservas e outras informações sobre o Manhattan Café Theatro podem ser obtidas pelos telefones: (81) 98888-4818 e (81) 3325-3372.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


19/09


2020

Moneta confirma candidatura em Abreu

A prefeiturável de Abreu e Lima pelo PSB, Cristiane Moneta, reuniu-se, ontem, com mais de 90 pré-candidatos a vereador e lideranças do município para informá-los sobre a legalidade da convenção do PSB municipal, que confirmou o seu nome, no último domingo (13). Moneta e os postulantes a vereador da Frente Popular de Abreu e Lima já estão cadastrados no site Divulgação de Candidaturas e Contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

No encontro desta noite, também estavam presentes o prefeito de Abreu e Lima, Marcos José (PSB); o deputado estadual Isaltino Nascimento (PSB); o pré-candidato a vice, Pastor Marcos Leite; os vereadores do PSB: Rubens, Carminha e Elton; o secretário-geral do Avante em Pernambuco, Rodolfo Albuquerque; além do gestor da pré-campanha, Wellington Tiago.

Desse modo, o diretório municipal do PSB confirma a legitimidade da sua convenção, quando juntou mais de cem veículos no formato drive-in, no domingo passado. Tudo de acordo com as determinações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), além das normas sanitárias. 

O encontro do PSB municipal contrariou os dirigentes do partido no Estado, que convocou uma nova convenção, na última quarta-feira (16), sem a presença de nenhum dos 17 pré-candidatos da legenda em Abreu. O caso está sob julgamento no TRE. Diante disso, a coordenação jurídica de Cristiane Moneta, em sua defesa, comprova a legalidade de todo o processo, inclusive contendo a assinatura de todos os pré-candidatos socialistas.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


19/09


2020

Netinho na live do blog da segunda-feira

Sem dar entrevistas desde 2018, o cantor baiano Ernesto de Souza Andrade Júnior, o Netinho, um dos precursores do axé music no País, vai romper o silêncio em live deste blog na segunda-feira.

Na pauta, sua carreira, os desafios do mercado musical no Brasil e o cenário da política nacional, com destaque para sua decisão de apoiar o presidente Bolsonaro.

O cantor já bateu grandes recordes de vendagem dos seus CDs. Somente a música “Oh Mila”, lançada em 1996, foi regravada em mais de oito línguas, inclusive o russo. Ele também foi indicado ao Grammy Latino na categoria de melhor álbum de música de raízes brasileiras, em 2009.

Há dois meses, o cantor começou a idealizar a associação "Aliados Brasil Conservador – ABC", com o objetivo de concentrar apoiadores de Bolsonaro. Em 2013, o artista assustou seus fãs, a família e amigos com problemas de saúde, já superados, para felicidade da sua legião de fãs. A live será pelo canal do Instagram do blog, às 19 horas. Se você ainda não nos segue, anote o endereço: @blogdomagno.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


19/09


2020

Coluna do sabadão

De volta a Pernambuco

Antecipei, ontem, com exclusividade, que o presidente Bolsonaro arruma as malas para fazer sua primeira viagem a Pernambuco nesta fase de retomada da agenda administrativa após o período mais cruel da pandemia. Segundo o líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), o roteiro será concentrado no Sertão, em visitas a projetos hídricos em andamento, como o Ramal do Agreste, braço do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Quando entrar em operação, levará água à região de maior escassez hídrica em Pernambuco, beneficiando mais de 40 municípios. Orçada em mais de R$ 1,5 bilhão, a obra já atingiu a marca de 70% de execução física, recebendo mais de R$ 600 milhões só na gestão atual.  Dentre as obras, parte dos trabalhos em campo está voltada à concretagem da laje de fundo da Estação de Bombeamento, serviço que exigiu a escavação de 28 metros (aproximadamente um prédio de nove andares)

A Estação é uma estrutura fundamental para a funcionalidade do Ramal do Agreste, pois ajudará a superar uma diferença de nível de aproximadamente 220 metros para a passagem da água. As equipes também atuam na construção de 43,4 quilômetros de canais e seis túneis – juntos somam 16 quilômetros de extensão –, além de cinco aquedutos, uma adutora de 7,2 quilômetros e dois reservatórios (barragens). No total, os serviços empregam 2,6 mil trabalhadores.

“Esses investimentos são parte de um conjunto de esforços do Governo Federal para garantir abastecimento a populações que historicamente enfrentam a escassez de água no Nordeste. Assegurar a execução do Ramal do Agreste e de outras obras estruturantes na região é compromisso do presidente Jair Bolsonaro”, diz Fernando Bezerra.

Área de abrangência – Situado no norte do estado, próximo à fronteira com a Paraíba, o Ramal do Agreste possui 70,8 quilômetros de extensão – com uma capacidade de vazão de oito mil litros por segundo. Mais de 70 cidades na região serão atendidas, garantindo água de qualidade para cerca de 2,2 milhões de habitantes do semiárido pernambucano. Entre os municípios que serão abastecidos com as águas do Rio São Francisco estão Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Belo Jardim e Arcoverde. Essas e outras localidades beneficiadas terão segurança hídrica e, ao mesmo tempo, expectativa de impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

Meio ambiente – Até momento, nas obras do Ramal do Agreste, já foram investidos R$ 50 milhões na execução de 17 programas ambientais. As medidas pretendem compensar os impactos gerados durante a fase de construção, com ações de assistência às famílias que residem na faixa da obra e, também, voltadas à saúde e segurança dos trabalhadores do projeto. Equipes especializadas atuam, ainda, na preservação da fauna e flora local. Outras atividades importantes estão relacionadas ao resgate de elementos históricos e arqueológicos que remontam as antigas civilizações, além de cuidados com solo e os recursos hídricos da região.

PSDB na frente – Daqui a dois meses, 147,9 milhões de eleitores devem eleger prefeitos e vereadores em 5.568 municípios. Mas 38% dos votantes (54,4 milhões) concentram-se em apenas 96 cidades: as 26 capitais e 70 municípios com mais de 200 mil eleitores – o G96. É onde a batalha eleitoral será para valer. Em todas as cidades com mais de 200 mil eleitores há segundo turno quando nenhum candidato a prefeito obtém, pelo menos, 50% mais um dos votos válidos. O PSDB é a legenda que conseguiu manter maior presença nesses grandes centros. Tem sob o seu comando 30 municípios do G96. O MDB segue em segundo lugar, com 14 prefeituras. Siglas como PSB, DEM e PSD aparecem em seguida, com sete cidades cada.

PT virou anão – O PT está nos grotões. A sigla havia conquistado 25 cidades do G96 em 2008. Nesta eleição não governa nenhum desses municípios. No último pleito, em 2016, o petista Marcus Alexandre foi eleito para a capital do Acre, Rio Branco. Mas renunciou ao cargo em 2018 para disputar o governo estadual. Acabou perdendo. Agora, o partido busca se reerguer e reconquistar o comando de grandes prefeituras. O Partido Aliança pelo Brasil, que Bolsonaro quer criar, não conseguiu a tempo o registro no TSE para lançar candidatos. Bolsonaristas filiados a outros partidos tendem a colar sua imagem no presidente para ganhar capilaridade eleitoral.

CURTAS

MORO DEPÕE – O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro foi intimado a depor no inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura a organização e financiamento de atos antidemocráticos. O pedido partiu da Polícia Federal, que também solicitou oitivas com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Moro será ouvido na condição de testemunha no dia 2 de outubro, na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. A oitiva foi motivada em razão do ex-juiz da Lava Jato ter ocupado o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública na época dos fatos solicitados.

LIVE COM NETNHO – A live da próxima segunda-feira deste blog será com o cantor baiano Ernesto de Souza Andrade Júnior, o Netinho, um dos precursores do axé music no País. Na pauta, a relação artística com o presidente Bolsonaro e o tratamento que a categoria recebe do Governo. Também sua carreira, os desafios do mercado musical hoje no Brasil, o cenário nacional e suas posições políticas. Será às 19 horas pelo Instagram. Se você ainda não segue o Instagram do blog, anote aí o endereço: @blogdomagno.

Perguntar não ofende: Em Caruaru, os votos de Tony Gel podem ser transferidos para o candidato do PSD, Raffiê Dellon?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

marcos

Qual das duas Organizações criminosas, PT e Globo, vai Fechar primeiro?

marcos

Bom dia povo de Deus, paraná pesquisas aponta que 70% da população basileira NÃO quer mais Lula na política. Ui, ...... Acabouuuuuuuuuu......

Fernandes

The Economist: para que serve o exército brasileiro?

Fernandes

Pesquisa mostra Lula como o nome mais forte para enfrentar Bolsonaro Levantamento feito por telefone pelo Poderdata sobre as intenções de voto para as eleições de 2022 mostra que, no segundo turno, Lula e Bolsonaro aparecem empatados com 41% de intenções de voto. As alternativas de “centro” não se viabilizam.

Fernandes

Feio não é o Bolsonaro oferecer capim aos nordestinos, feio é ter nordestinos dispostos a comer.



18/09


2020

Oposição aciona STF contra política ambiental de Bolsonaro

Três partidos políticos de oposição acionaram o Supremo Tribunal Federal, hoje, para contestar pontos da política ambiental do governo Jair Bolsonaro.

Em uma das ações, PT e PSB querem a suspensão do decreto de fevereiro deste ano que trata do Conselho da Amazônia Legal. Na outra, a Rede pede que o Supremo determine ao governo uma série de medidas – entre elas, um plano para prevenção e combate a incêndios no Pantanal e Na Amazônia.

Os processos serão analisados, respectivamente, pelos ministros Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello. Não há prazo para que eles tomem uma decisão.

Na ação de PT e PSB, os partidos afirmam que o decreto mudou as competências, composição e alcance do Conselho da Amazônia Legal e, com isso, retirou a participação de governadores e da sociedade civil.

"Estabeleceu-se assim, competências amplas e genéricas, como 'coordenar e integrar as ações governamentais relacionadas à Amazônia Legal' e 'coordenar ações de prevenção, fiscalização e repressão a ilícitos', antes uma atribuição do Ibama e desconsiderou por completo os Princípios Constitucionais ao alijar da sua composição representantes da sociedade civil, notadamente quanto a participação de representantes de povos indígenas, quilombolas, pescadores, comunidades tradicionais da região ou entidades de representação coletiva", afirma o documento.

As siglas ressaltam ainda que o conselho não conta com indigenistas especializados. Por outro lado, passou a incluir 19 militares das Forças Armadas e quatro delegados da Polícia Federal.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


18/09


2020

Togas contra a democracia

Por Weiller Diniz

A jovem democracia brasileira está constipada, febril. Encontra-se sob ataque viral recorrente, vítima de rarefeitas cepas judiciais e policiais reincidentes atuando para atrofiar os organismos e diálogos institucionais de maneira sub-reptícia, sob comando de agentes infecciosos externos, alguns camuflados. A democracia e o estado democrático de direito têm seus anticorpos e vacinas para neutralizar o assédio do corpo estranho, basta focar na sequência genética e expurgar o transmissor da moléstia a fim de evitar a intubação.

A epidemia direitista pelo mundo recorre à algumas incubações coincidentes para asfixiar a democracia representativa. Tentam deslegitimar as instituições, encorajar enfrentamentos físicos, polarizar com as esquerdas (comunistas, socialistas, petistas e outros istas), subtrair direitos individuais e coletivos, terceirizar fracassos, atacar sistematicamente a imprensa, sabotar o conhecimento e, mentir como método permanente. No Brasil a jabuticaba virótica é impulsionar e armar a milícia, eufemismo de crime organizado e banditismo.

Nos espirros fascistas estes experimentos interagem com outras drogas, como a manufatura de mitos insipientes, propaganda maciça extraída dos tubos de ensaio de Joseph Goebbels, o anti-intelectualismo, a desconexão com a realidade, ódio às liberdades, reiteração dos conceitos de hierarquia, vitimização, apelos patrióticos, desarticulação do Estado até os enfermos implorarem pela prescrição da lei e da ordem. Eis o DNA do vírus procurando nos contaminar diariamente. A politização da Justiça, instrumentalização e sequestro dos conceitos do Estado de Direito é um dos expedientes mais temerários para a constrição democrática.

No Brasil a ambiência da carga viral foi fértil. A tentativa de empestear o modelo democrático encontrou por aqui o laboratório ideal e o hospedeiro padrão. Sérgio Moro, autor do manifesto exaltando os métodos da operação “mãos limpas”, foi o primeiro vetor a terceirizar a toga que achatou a curva democrática. O que ele fez no laboratório jurídico de Curitiba é conhecido. Debilitou as rotinas sagradas da democracia, cultivando parasitas a partir de exceções. Vazou fora da sua competência áudios captados além do horário judicial, grampeou advogados e suspendeu o sigilo da estéril delação de Antônio Palocci às vésperas da eleição. Premiado com um ministério foi expelido após reações adversas na convivência. No embate entre o bolsonarismo jurídico e o político, Moro foi para emergência junto com a lava jato.

A experiência patógena contou ainda com a colaboração sistêmica do Ministério Público, através da operação lava jato que ainda conserva seus admiradores no Supremo Tribunal Federal, apesar dos conhecidos excessos. Ameaçado de fechamento por aliados de Bolsonaro, o STF tem prescrito a terapia de antibióticos democráticos para tratar as febres totalitárias. O capitão foi forçado a abandonar as pregações autoritárias e buscou a imunidade contra o impeachment na enfermaria do centrão. Mas o retrovírus já estava inoculado, circulando no sistema e provocando tosses malsãs, notadamente em escalões distintos do Judiciário e de órgãos do Executivo. Um dos hospedeiros da lava jato acaba de ser punido por militância política. Marcelo Bretas levou uma censura do TRF-2.

Wilson Witzel é outro togado do receituário de excepcionalidades que se voluntariou nas arriscadas aglomerações políticas. Foi vítima do próprio remédio, transformado em veneno. Os ministros do Superior Tribunal de Justiça mantiveram a decisão de isolar governador do Rio de Janeiro do cargo. Por 14 votos a 1, os ministros entenderam que o diagnóstico feito até o momento demonstra que há indícios suficientes para recomendar a longa quarentena de Witzel, aparentemente sem volta. Com grave falta de ar, o mandato entrou na contagem regressiva com a evolução do processo impeachment.

O governador foi afastado do mandato por 180 dias em uma decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ. O afastamento foi determinado no âmbito da Operação Tris in Idem, um desdobramento da Operação Placebo, que ausculta sintomas de corrupção em contratos públicos do governo do Rio de Janeiro. A endoscopia detectou uma organização criminosa alojada nas entranhas do poder a partir da eleição de Witzel. Ela se divide em três cepas que, sob a liderança de empresários, pagavam vantagens indevidas a agentes públicos. Os grupos teriam loteado as principais secretarias para beneficiar determinadas empresas.

Outra magistrada, precocemente diagnosticada por malefícios éticos, conflitantes com a retórica eleitoral, foi Selma Arruda, conhecida por “Moro de saias”. Por 6 votos a 1, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral decidiu a favor da cassação do mandato de Selma Arruda, no final de 2019. Também foram cassados os primeiro e segundo suplentes da chapa, Gilberto Eglair Possamai e Clerie Fabiana Mendes. Os ministros consideraram que a parlamentar praticou caixa dois e abuso de poder econômico na campanha de 2018. Prevaleceu entendimento do relator, ministro Og Fernandes, pela manutenção da decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

Ao examinar a radiografia da campanha, constatou-se que a senadora eleita omitiu, à Justiça Eleitoral, um contrato mútuo no valor de R$ 1,5 milhão, “valor firmado com seu suplente Gilberto Possamai, justamente o valor total de dois cheques, de R$ 1 milhão e de R$ 500 mil, emitidos pelo primeiro suplente da chapa para o pagamento de despesas da eventual candidata já em período pré-eleitoral, entre outras irregularidades”. As experiências de togados na onda política recente empalideceu a magistratura. Os juízes têm proteções constitucionais dadas pela democracia, como vitaliciedade, inamovibilidade e altos salários. Não podem ser agentes infecciosos contra direitos ou atrasos civilizatórios, vistos por exemplo, nas sentenças ressuscitando a censura no Rio de Janeiro. Juízes podem ser de direita, não ignorar o direto.

Alguns outros magistrados que trocaram a toga pela política têm obedecido as bulas democráticas e se mantêm assintomáticos no surto epidemiológico que vinculou a toga a movimentos de direita. O governador Flavio Dino é ex-juiz federal e tem obtido bons diagnósticos à frente do governo do Maranhão. A ex-juíza Denise Frossard, conhecida pelo enfrentamento ao crime organizado no Rio, não teve mandatos longevos, mas saiu sem hematomas após o período como deputada federal. Já o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, competitivo na eleição presidencial de 2018, preferiu o leito confortável da aposentadoria às altas taxas de mortalidade das UTI’s políticas.

As comorbidades são dos indivíduos e não do modelo ou das instituições. A Constituição, uma das melhores da nossa história, é saudavelmente cidadã. Ela permite atuar contra as transmissões locais antidemocráticas. Recentemente o STF debelou o dossiê antifascista no Ministério da Justiça e promoveu uma assepsia preventiva no decreto que autorizava a Abin radiografar dados sigilosos dos cidadãos. Antes baniu perfis insalubres nas redes sociais e determinou buscas, apreensões e quebras de sigilos. O STF também vetou qualquer restrição na lei de acesso à informação. As vacinas contra enfermidades absolutistas imunizam a democracia e devem ser aplicadas, em campanhas maciças, para evitar uma septicemia irreversível.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

marcos

PERGUNTAS A UM BANDIDO CANALHA !!!.......... Ministro Celso de Melo , o Sr. sentiu a democracia ameaçada quando Jacques Wagner disse que o erro do PT foi não fazer uma revolução como Cuba ? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando José Dirceu disse que se deveria tirar todos os poderes do STF? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando o deputado Wadih Damous falou em fechar o STF? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando Marilena Chaui na frente de Lula da Silva disse que odiava a classe média? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando Lula da Silva disse em discurso que “somos nós contra eles”? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando por duas vezes através de decreto lei os governos do PT tentaram controlar a mídia? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando o PT publicou em 2014 na sua página uma lista de jornalistas desafetos colocando-os em risco? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando dois pugilistas pediram asilo político ao Brasil e foram devolvidos à Cuba? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando o líder da CUT ameaçou pegar em armas dentro do Palácio do Alvorada? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando Mauro Iasi, dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), falou que - “para militantes de direita, um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma boa espingarda, com uma boa bala e vamos oferecer, depois, uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo, nenhum diálogo, luta.”? O Sr. sentiu a democracia ameaçada quando Lula afirma a Dilma que a Suprema Corte está “totalmente acovardada”? O Sr. sentiu a democracia ameaçada com a criação do Foro de São Paulo? Sr. Ministro , a justiça não pode ser cega apenas quando interessa. Sr. Ministro pare de ameaçar o Estado Democrático de Direito.



18/09


2020

PF intima Moro a depor como testemunha

A Polícia Federal intimou, hoje, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro a depor no inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a organização e o financiamento de atos antidemocráticos.

A informação foi divulgada pelo próprio advogado de Moro, Rodrigo Sánchez Rios. O inquérito no STF, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, tramita em segredo de Justiça.

"A oitiva é motivada em razão de ele ter ocupado, à época dos fatos, a titularidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública", diz a nota divulgada pela defesa.

Segundo Rios, o depoimento deve ocorrer no próximo dia 2 de outubro, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Sergio Moro será ouvido como testemunha, diz o advogado.

O inquérito foi aberto em abril pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras.

O pedido de investigação foi apresentado por Aras após atos que defenderem o fechamento do Congresso Nacional e do STF, pautas antidemocráticas e inconstitucionais.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha