FMO janeiro 2020

04/08


2020

A alegria de Ênio Studart era curar

Por Hugo Studart

O infectologista Ênio Studart foi transferido da Penitenciária de Benfica para o complexo de Bangu. O juiz de custódia negou o pedido de liberdade provisória, considerou-o um perigo para a sociedade ("periculum libertatis") e, pior, decretou sua prisão preventiva por tempo indeterminado. Está em cela especial, por enquanto sozinho.

Seu advogado, excelente por sinal, já impetrou habeas corpus. O HC está na fila de julgamento; pode ser examinado no final desta semana. O médico foi preso na última quinta-feira, 29 de julho, sob acusação de ter ameaçado com arma um paciente infectado por Covid que se recusava a usar máscara.

O paciente é o empresário Luizmar Quaresma, dono de shopping center popular na Baixada Fluminense, de rede de padarias, de lojas roupas e de material de construção, além de empresa de construção civil, todos da Baixada.

Chegou ao consultório de Ênio Studart sem máscara. O médico mandou que colocasse máscara. Ele colocou. Mas passou a reclamar muito por ter sido o último a ser atendido, segundo sua interpretação, por ser paciente de plano de saúde. Contou que teve a Covid 15 dias antes, mas já estaria curado e imune. O médico passou a questioná-lo sobre os exames e sobre a suposta imunidade. Desde o início não houve empatia entre os dois.

O empresário se exaltou primeiro. O médico, por sua vez, foi duro na tentativa de diálogo. Em determinado momento, Luizmar o chamou de "filho da puta", ameaçou com as expressões: "vou te quebrar" e "sou policial e segurança de vereador", segundo registrou o médico em seu depoimento. O médico também se exaltou e rebateu as agressões. Ambos gritaram um com o outro.

Então o empresário abriu a camisa e chamou o médico para a briga. O médico reagiu pegando sua mochila, colocando a mão dentro e dizendo ao paciente para não se aproximar. Então mandou que fosse embora de seu consultório. Não chegaram a se tocar, foram apenas injúrias recíprocas.

Em seu depoimento à polícia, o médico disse que não puxou arma para o paciente, mas que tentou se defender para que ele não o contaminasse. As circunstâncias da discussão foram escutadas por testemunhas que estavam em um consultório ao lado, separado por vidro fosco.

O médico então se apresentou espontaneamente à polícia. Foi sozinho fazer o Boletim de Ocorrência, sem advogado. O empresário, por sua vez, chamou a polícia ao local do incidente. Duas equipes policiais compareceram poucos minutos depois.

Na delegacia, foi feita a revista no carro do médico. A polícia encontrou duas pistolas, munição e pente de carregamento. Ênio é atirador desportivo há muitos anos. Tem porte de armas e já foi várias vezes campeão de tiro. Mas não estava com os documentos das armas em mãos naquele momento.

Teria um campeonato no último domingo 02 de agosto. Foi treinar no estande do clube, na Barra da Tijuca, e depois se dirigiu ao consultório. Deixou as armas no carro, estacionado no quarto subsolo do edifício, segundo registra seu depoimento.

A delegada pediu "fiança" de R$ 30 mil, mas em "dinheiro vivo". Ele não deu. Foi então enquadrado por ameaça e de porte ilegal de arma, preso em flagrante e recolhido ao presídio de Benfica, incomunicável e inafiançável. O promotor foi extremamente duro em seu parecer. O juiz de custódia decidiu por sua prisão por tempo indeterminado no Complexo de Bangu, avaliando que sua liberdade seria um perigo para a sociedade.

Infectologista e pneumologista, Ênio trabalha há 40 anos em hospitais públicos na linha de frente de combate à AIDS. Vem tratando sobretudo de indigentes, travestis, idosos, presidiários e toda sorte de indesejados e esquecidos contaminados por HIV ou por tuberculose. Seu campo de pesquisa no Mestrado foi o tratamento de tuberculose em soropositivos.

Sua formação básica foi toda no tradicional Colégio Militar do Rio de Janeiro; cursou Medicina na Universidade Federal Fluminense; fez a residência na UFRJ e o Mestrado na UERJ. Tem três especialidades, infectologia, pneumologia e alergia, além de diversos cursos de extensão no exterior.

Até um pouco mais de 40 anos, atravessava madrugadas estudando, andava com roupas desleixadas, carro velho e, nos finais de semana, visitava seus pacientes no Hospital de Infectologia do Caju, depois no Hospital dos Servidores. Demonstrava especial cuidado pelos moradores de rua e os travestis infectados com Aids ou tuberculose. Dizia a todos que sua maior alegria era "curar".

Hoje, aos 61 anos, é um dos mais respeitados e reconhecidos infectologistas e pneumologistas do Brasil, muito requisitado ministrar conferências em Congressos Internacionais. Este ano passou a também estar na linha do combate ao Coronavírus, tanto no Hospital dos Servidores, quanto em sua clínica particular na Barra da Tijuca.

Nunca teve medo de Aids ou de tuberculose, ao contrário. Mas estava com muito medo da morte por Covid. Sentia-se impotente diante dessa peste. Nas últimas semanas, estava extremamente nervoso, irritado. Queixava-me muito da corrupção do governo e da falta de segurança para os profissionais de saúde.

Ele mora há décadas no Recreio dos Bandeirantes, em uma casa de rua, ou seja, não é condomínio com segurança armada. Quando lá chegou, o Recreio era um local bucólico; nos últimos anos, a violência tomou conta do bairro. Dias antes do incidente com o empresário, um vizinho de rua, do seu quarteirão, foi assaltado e assassinado na porta de casa.

Foi nessas circunstâncias que o médico Ênio Studart estava quando o empresário Luizmar Quaresma entrou sem máscara em seu consultório, começou a discutir, o chamou de filho da puta, disse que iria quebrar sua cara, que era policial, segurança de vereador, anunciou que estava armado, abriu a camisa e começou a avançar para uma briga corporal.


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Cabo de Santo Agostinho

04/08


2020

Transparência, legalidade e moralidade

Com a ação impetrada por um grupo de advogados contra a pré-candidata do Podemos à prefeita do Recife, Patrícia Domingos, para que devolva R$ 74 mil de salário embolsado sem trabalhar, alguns pontos vão colocando-a numa saia justíssima.

Somando licenças prêmio, férias, teletrabalho e agora a desincompatibilização, já requerida, a delegada, a procura de quem inventou trabalho para degolar, completa um ano sem trabalhar (tendo trabalhado abril e maio em teletrabalho) recebendo R$ 27 mil por mês. Difícil defender a moralidade agindo assim.


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Prefeitura de Serra Talhada

04/08


2020

Eleições: Jurídico pode dar vitória ou contribuir com derrota

Por Diana Câmara*

Nas próximas eleições os candidatos devem atentar, cada vez com mais seriedade, para uma vertente onde também se desenrola, e por vezes define, a disputa eleitoral: o Judiciário.

Não é incomum o candidato ser eleito e perder o mandato em virtude de decisão judicial ou até de ser impedido de ser postulante por sua candidatura não estar de acordo com a lei. A judicialização das eleições é algo incontroverso. Então, este é um ponto da campanha que deve ser olhado com muita, muita atenção.

Diversas vezes o candidato, para economizar ou ainda agradar alguém, escolhe uma solução caseira chamando algum advogado próximo e sem experiência ou expertise para atuar como jurídico da eleição e o resultado é quase sempre certo: o barato custa caro. E trago isso sem querer desmerecer ninguém, o intuito é apenas acender um alerta para algo muito importante numa eleição.

A experiência faz a diferença, pois a Justiça Eleitoral é especializada, tem seus ritos, prazos e leis próprios. Não se aprende a atuar nela do dia para a noite. O advogado que vai militar nas eleições tem que se preparar bastante, ter muita atenção e disposição para aprender e se qualificar, pois atuar na área do Direito Eleitoral não é algo simples como alguns equivocadamente pensam. E esta atuação quando qualificada e experiente faz toda a diferença no jogo eleitoral, podendo ser a diferença entre ganhar e perder a eleição.

*Advogada especialista em Direito Eleitoral, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/PE, membro fundadora e ex-presidente do Instituto de Direito Eleitoral e Público de Pernambuco (IDEPPE), membro fundadora da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP) e autora de livros.


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Abreu e Lima - Prefeitura - Abreunozap

04/08


2020

Governo estuda prorrogar auxílio até dezembro

Com a demora nas discussões sobre a criação do novo programa social do governo – batizado de Renda Brasil –, e sob o impacto dos ganhos de popularidade do presidente da República, Jair Bolsonaro, a equipe econômica já trabalha com a possibilidade de estender o Auxílio Emergencial até o fim do ano.

Para evitar que o rombo nas contas públicas neste ano atinja R$ 1 trilhão, a ideia do governo é negociar com o Congresso um valor menor, entre R$ 200 e R$ 300. Mas, para modificar o repasse, é preciso aval dos parlamentares.

Na semana passada, economistas do mercado financeiro viam nas viagens de Bolsonaro um sinal de que não haveria clima para encerrar o auxílio emergencial. O benefício foi criado em meio à pandemia do novo coronavírus e trouxe popularidade ao governo em um grupo em que o presidente tinha pouca entrada.

Um dos argumentos da equipe econômica para reduzir o valor do benefício é o de que já há sinais de retomada para muitos setores.


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04/08


2020

A patota do consórcio anti-Moro

Por José Nêumanne*

Na semana passada a Operação Lava Jato e Sergio Moro foram alvos de artilharia pesada do procurador-geral da República, Augusto Aras, e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

Em live com advogados que tiveram seus clientes como alvos do maior combate à corrupção já visto neste país, Augusto Aras determinou que “agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure”. Ele afirmou ainda que é preciso acabar com os excessos e comparou os 350 terabytes da Operação Lava Jato de Curitiba com os 150 terabytes dos processos no Ministério Público Federal (MPF). Esses terabytes de Curitiba não deveriam surpreender o PGR. Não surpreenderiam, por exemplo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que considerou a corrupção praticada somente pela Odebrecht como o maior caso de suborno internacional da História.

O Brasil foi tomado por uma organização criminosa (Orcrim) com divisão de tarefas estabelecida, estrutura ordenada e em caráter permanente. Na prática, um conluio reforçado. Diferentemente de outros regimes em que a lei é alterada para servir a objetivos do partido no poder, o governo petista atuava fora da lei, em conluio com alguns empresários do setor privado, administradores públicos e parte da classe política, e nele todos levavam seu pedaço. Havia um exército de mercenários com as empreiteiras corrupteiras em posição de destaque. A Orcrim atuava em conjunto com o PT e os agentes e parceiros pelo cargo e pelo dinheiro, criando a maior organização criminosa de que se tem notícia na História do País.

Nem o dinheiro dos trabalhadores escapou desse conluio. Recentemente tive acesso à delação premiada do figurão petista Antônio Palocci. Ele revela um esquema gigantesco escondido, pilotado pelos ex-presidentes de fundos de pensão de empresas estatais: Sérgio Rosa, da Previ, Wagner Pinheiro, da Petros, e Guilherme Lacerda, da Funcef, ex-sindicalistas e fundadores do PT. Eles desviaram recursos dos trabalhadores para a perpetuação do partido no poder e, principalmente, para enriquecer.

Para se eleger o populista de direita Jair Bolsonaro privilegiou na campanha o combate à corrupção e a Lava Jato, chegando ao ponto de nomear o ex-juiz federal Sergio Moro ministro da Justiça. Mas ele logo mudaria de ideia quando as investigações da Polícia Federal (PF) passaram a visar seu primogênito, Flávio Bolsonaro, o “nota zero um”. Aí passou a ter como prioridade absoluta interferir na PF. O ex-juiz da Lava Jato não admitiu isso e pediu demissão. Esse ataque à Lava Jato também tem outro objetivo: fragilizar Sergio Moro, que é um forte candidato à Presidência da República em 2022.

Com os ataques à Lava Jato e a Moro, Augusto Aras agrada a Bolsonaro com o objetivo notório de ser nomeado para uma vaga no STF. Trata-se do tradicional mercado persa das nomeações.

E não para aí. O governo e o ministro Dias Toffoli estão preparando um projeto que retira poder do Ministério Público nos acordos de leniência e o passa para a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia Geral da União (AGU), órgãos subordinados ao presidente da República.

Desde que demitiu Moro do ministério, Bolsonaro e seus filhos têm usado o gabinete do ódio, com sede a 30 metros de sua sala e sob a chefia do filho nota zero dois, Carlos, para reduzir a pó a reputação do ex-juiz. Tudo o que ali foi elaborado para crucificar Santos Cruz, seu amigo desde a academia militar, e o advogado que costurou sua candidatura, Gustavo Bebianno, para lembrar os casos mais absurdos, parece truque infantil comparado com o que foi feito contra o paranaense. O resultado, porém, é nulo. Repetindo, aliás, o mesmo malogro, seja do PT, seja do site The Intercept Brasil, do ianque Glenn Greenwald, que não conseguiu enganar ninguém com suas forçadas de barra. O ex-ministro continua, impávido colosso, como um mineral imenso e pesado, imune ao ácido fétido pingado sobre sua superfície por inimigos sem escrúpulos.

Mas o consórcio de Aras, Toffoli, Mendonça, Bolsonaro, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, não se dará facilmente por vencido. Seu novo plano é tirar do zero, nota perfeita para a falta de consciência dessa corja, um antigo projeto antilavajatista (para usar o neologismo de Aras) que inventa uma quarentena de oito anos para juízes e procuradores que queiram disputar mandatos nas eleições populares. O detalhe cruel do sórdido projeto, com aparente verniz garantista de araque, é a isonomia com o prazo dado aos condenados, a ser aplicado a quem ouse condená-los. Qualquer brasileiro de boa-fé pode apoiar uma quarentena desse gênero, mas tal apoio só será justo se forem feitas algumas correções no projeto que já tramita no Congresso, sob a égide do deputado Fabinho Trad, por mera coincidência, é claro, primo de Luiz Henrique Mandetta, preferencial pretendente à Presidência da República pelo DEM, partido de Maia, Alcolumbre e Onyx Lorenzoni. Convém que se aumente o prazo para condenados e se incluam na quarentena militares da ativa e da reserva, policiais e ocupantes de cargos poderosos nos três Poderes da República insana. E mais: acabar com a farra da reeleição de parlamentares a perder de vista e do abuso do significado da palavra nepotismo com a permissão de candidaturas de parentes de primeiro grau de politiqueiros em geral. Afinal, a lógica que limita Francisco também deve limitar Chico. Pois é.

*Jornalista, poeta e escritor


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Banco de Alimentos

04/08


2020

Liberdade de expressão

Por José Nivaldo Junior*

O período da caça às bruxas representa um dos momentos mais terríveis da história. No meu livro Maquiavel, O Poder (sem modéstia, pode chamar de best-seller internacional, conto mais sobre isso qualquer dia desses) dedico um capítulo a esse momento sombrio. Quando milhares de mulheres foram perseguidas, torturadas e assassinadas das formas mais cruéis, frequentemente na fogueira, depois de passarem por tormentos horríveis. Pelo crime imaginário de serem bruxas, de terem parte com o demônio, por aí.

O direito de exprimir opiniões, livremente, foi uma conquista da civilização. Custou milhões de vidas ao longo de séculos. Não é um legado para ser tratado com desdém nem desafiado como se insulta um vizinho numa briga de condomínio. É o bem mais valioso da humanidade. E a imprensa é o seu principal instrumento garantidor.

Quem ameaça ou tenta intimidar a imprensa através de qualquer tipo de pressão, está aderindo às práticas ditatoriais mais hediondas. Você, caro leitor, não dê de ombros, já que você não é jornalista nem está sendo processado ou intimidado por ninguém. O desrespeito à liberdade de imprensa é uma ameaça direta à sua própria liberdade. Conhecem a parábola do pastor no nazismo?

Um dia, a SS levou os judeus, o pastor não era judeu, ficou calado. Depois foram ciganos, homossexuais, comunistas, padres católicos. O pastor nada tinha a ver com isso, ficou calado. Quando começaram a prender os pastores e o levaram nenhuma voz se levantou para defendê-lo.

Vida pública é opção.

Ninguém é obrigado a se tornar figura pública, principalmente a entrar na política. Fala-se muito mal dos políticos porque os maus, os que chamo de laranjas podres, contaminam a imagem dos demais. Política é vida de sacrifício. A começar pela perda da privacidade. A vida pública, como o nome não deixa margem para interpretações, é pública. Está à disposição de todos. Até mesmo em aspectos privados, de intimidade, que, quando se trata de uma pessoa comum, divulgar é invasão de privacidade e baixaria. Para alguém da política, privacidade só no ambiente familiar. Ou entre quatro paredes.

Imprensa vigilante está a serviço da sociedade. É os seus olhos e ouvidos. Questionar os poderosos é missão. É sacerdócio. É juramento sagrado de quem honra a difícil profissão que abraçou.

Magno Martins, como todo ser humano, tem qualidades e defeitos. Muito mais qualidades. Entre elas, a coragem cívica de, como pequeno Quixote sertanejo, enfrentar os moinhos de vento mais poderosos. Ousando transformá-los muitas vezes em casas de papel.

Tenho profundo respeito pela história do PSB e pela figura do prefeito Geraldo Júlio. Temos ocasionais visões divergentes sobre política e administração, mas trata-se de uma pessoa que, sem gozar de intimidade, gosto e respeito. Por isso, só posso atribuir a um mau momento ou um mal conselho essa decisão de processar Magno Martins.

Sempre espero que os erros sejam reconhecidos. O dos outros e os meus. Errar é humano. Permanecer no erro é diabólico, aprendi com os Maristas no Pio XII de Surubim, 50 e muitos anos atrás.

O PSB e o prefeito Geraldo Júlio não merecem se juntar no lixo da história com torturadores, censores, opressores, ditadores, milicianos, tiranos de fancaria, enfim, com toda essa categoria de gente que acha liberdade bonito no discurso ou quando não incomoda o seu próprio jardim.

*Advogado, historiador, estrategista em comunicação política e institucional e membro da Academia Pernambucana de Letras


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O Jornal do Poder

03/08


2020

Coluna da terça-feira

Ação popular abala delegada

A pré-candidata do Podemos à prefeita do Recife, Patrícia Domingos, que abriu um processo contra este blogueiro por ter noticiado sua resistência em não voltar ao batente presencial como delegada, para ficar com tempo integral disponível para campanha, sofreu, ontem, um grande revés: uma ação popular movida por três advogados. Eles pedem ao juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública da Capital que a obrigue a devolver mais de R$ 70 mil, correspondentes a quatro meses de salários embolsados sem prestar serviços ao Estado como delegada. Tal valor, segundo eles, só poderia convertido em salário para ela se de fato tivesse trabalhado. Por isso, os advogados exigem também que a delegada apresente relatórios das suas atividades, casos apurados e agenda, já que, ao longo desse tempo, ela foi vista muito mais fazendo campanha para prefeita do que mesmo apurando casos policiais. 

Os requerentes acusam a delegada de fazer campanha política durante a pandemia, enquanto alegava não poder trabalhar na sua função por ser paciente cardíaca e, portanto, incluída no grupo de risco para Covid-19. A ação alega que “todo ato lesivo ao patrimônio público agride a moralidade administrativa”. O que os advogados Piero Monteiro Sial, Lucas Carvalho Machado e Rudolph San do Rego querem é que a justiça aponte quais os horários de trabalho dela em casa, os casos que vem apurando e o salário recebido.

Tudo porque a delegada entra em contradição quando alega, em processo movido contra o Estado, que diante do fato de ser hipertensa, só pode fazer teletrabalho. Bater ponto na delegacia, para ela, mesmo usando máscara e álcool gel, seria colocar sua vida em risco diante da pandemia do coronavírus, que avança em todo o País, em curva ascendente principalmente em Pernambuco.

Acontece, entretanto, que a delegada não tem medo de ir às ruas fazer campanha. Seu receio de contrair a doença está apenas no trabalho presencial na delegacia, porque tem sido uma constância, quase uma rotina diária, postagens delas nas redes sociais em bairros periféricos da cidade, nas ruas e até em grupos quando convidada a fazer palestras presenciais, como ocorreu na semana passada ao falar no Mar Hotel num evento promovido por apoiadores de Bolsonaro no Estado.

Na ação contra o Estado, requerendo o direito de trabalhar em casa para embolsar seu salário integral, algo em torno de R$ 27.452,00, a delegada estipula uma multa diária ao Estado, caso não seja atendida no seu direito de ficar em casa. Os advogados vão a fundo na ação popular e exigem também da justiça transparência no trabalho diário da delegada, já que ela não pode trabalhar na delegacia em que é lotada, mas nada teme ao andar pelas ruas gravando vídeos de campanha para as redes sociais.

CPI em Arcoverde – Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, a presidente da Câmara de Arcoverde, Célia Galindo (PSB), anunciou, com exclusividade, que instalará, na próxima sexta-feira, a CPI destinada a investigar desvios de recursos num programa social na gestão da prefeita Madalena Brito (PSB). Segundo ela, a CPI será composta por três vereadores escolhidos de acordo com a proporcionalidade da representação partidária na Casa. “Passei os últimos dias debruçada numa vasta documentação apresentada pela autora da CPI”, disse Galindo, referindo-se a Zirleide Monteiro, parlamentar do PTB, adversária da prefeita.  Segundo a denúncia, desde 2016 um esquema de desvio de recursos vinha sendo praticado no âmbito da Secretaria de Ação Social envolvendo recursos do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Chapa em Lajedo – Distante 194 km do Recife, Lajedo, no Agreste Meridional, já tem a chapa oficial do prefeito Rossine Blesmany (PSD) fechada. É encabeçada pelo ex-prefeito Adelmo Duarte tendo como vice o doutor Pedro Melo, médico com relevantes serviços prestados ao município e a região. Quem conhece os meandros da política de Lajedo garante que Rossine tem amplas chances de emplacar o sucessor depois de dois mandatos consecutivos bem avaliados pela população. Nas eleições passadas, Rossine foi reeleito com 55% dos votos válidos e sua gestão tem aprovação beirando os 80% nas variáveis de ótimo e bom.

Abuso em Buíque – A pré-candidata a prefeita de Buíque pelo PSD, Miriam Briano, é mais uma que não está nem aí com a pandemia do novo coronavírus, apesar da idade, das restrições impostas pelos decretos estaduais e municipais de distanciamento e da obrigatoriedade do uso de máscaras. No final de semana, a pré-candidata manteve encontros sem o uso de máscaras. Tanto ela, quanto o pré-candidato a vice, o vereador Daidson Amorim, fizeram uma sessão de fotos com várias pessoas, todas sem máscaras. Buíque já tem hoje 188 casos confirmados da Covid-19 e quatro (04) vieram a óbito devido a doença.

Só na Globo – A matéria de 6 minutos com Felipe Neto no Jornal Nacional de quinta-feira (30) teve enorme repercussão na mídia e nas redes sociais. A denúncia da campanha de difamação contra o influenciador digital rendeu a ele um convite para debater fake news, radicalismo ideológico e desconstrução de biografias na GloboNews, na noite de domingo passado. Ao vivo, o youtuber criticou o canal de notícias do Grupo Globo por dar espaço ao discurso de negacionistas da covid-19 como o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), aliado do presidente Jair Bolsonaro. Questionado se aceitaria se sentar com blogueiros bolsonaristas para debater o projeto de lei contra fake news, o influenciador surpreendeu na resposta. "Não me sentaria, da mesma forma que eu não aceito aparecer na CNN Brasil pela mesma razão".

CURTAS

MAIS UM – O ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, recebeu, ontem, a confirmação de que testou positivo para a covid-19. "O ministro passa bem e está assintomático", afirma nota divulgada pela assessoria da pasta. Além dele, outros seis ministros e o presidente Jair Bolsonaro já contraíram a doença. "Ele ficará em isolamento até novo teste e avaliação médica. Até lá, continuará cumprindo a sua agenda de forma remota", diz a nota. Além de Braga Netto, já testaram positivo Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Milton Ribeiro (Educação), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União), Onyx Lorenzoni (Cidadania), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações). Também a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, contraiu covid-19. Já Bolsonaro anunciou no dia 7 de julho que tinha testado positivo e anunciou sua cura no dia 25.

ADIAMENTO – O ministro da Justiça, André Mendonça, cancelou, ontem, sua ida ao Senado para explicar o trabalho da Secretaria de Operações Integradas (Siopi) da pasta. Uma audiência chegou a ser programada hoje, para que o ministro pudesse falar sobre o monitoramento de opositores do governo de Jair Bolsonaro. A pasta, no entanto, alega que o assunto é sigiloso e não poderia ser tratado em um encontro virtual aberto ao público, como previsto. O trabalho da secretaria virou alvo do Ministério Público após o portal UOL revelar que o órgão produziu dossiê com informações de 579 professores e policiais identificados pelo governo como integrantes do "movimento antifascismo".  No domingo, nove dias depois de o caso vir à tona, Mendonça anunciou uma sindicância interna para investigar o fato.

LIVES DA SEMANA – As lives desta primeira semana de agosto já estão confirmadas. Na de hoje, o cientista político e professor Antônio Lavareda fala sobre a primeira eleição em meio à pandemia do coronavírus. Na de amanhã, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Glademir Aroldi, trata das consequências geradas nas cidades por causa da Covid-19 e também de eleição municipal. A primeira será às 19 horas pelo Instagram. A segunda, de 18 horas, também pelo Instagram, mas com transmissão simultânea pela Rede Nordeste de Rádio. Se você não segue ainda o Instagram do blog, anote o endereço: @blogdomagno.

Perguntar não ofende: Qual porta a Polícia Federal vai bater na manhã de hoje nas operações envolvendo desvios de dinheiro da Covid-19?


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Comentários

Fernandes

Senhor...Na sua infinita misericórdia NOS LIVRE DO BOLSONARO e toda a CORJA DE BANDIDOS E RETARDADOS que o segue! É URGENTE AMÉM !

marcos

Entenda a denúncia de Allan dos Santos, passo a passo..................................... 1- Maio de 2020. Allan recebe informação de que Barroso, Moraes, Ministros do TSE, STJ e TCU, Presidentes da Câmara e Senado reuniram-se na madrugada de Brasília para confabular derrubada de Bolsonaro. Chegaram a solicitar ajuda de Joice.............................................. 2- Junho de 2020. Moraes obriga a PF a vasculhar a casa de Allan dos Santos para descobrirem a fonte que deu a notícia sobre a reunião secreta. Não encontraram nada, e refizeram a operação 15 dias depois. Porém, também sem sucesso em descobrir a fonte do Allan.......................................... 3- Julho de 2020. Em razão de não entenderem como o Allan teve acesso a informações da reunião secreta, Barroso tira servidor do STF e o coloca na segurança do TSE para que apure se existe sistema de espionagem contra ministros do TSE ou STF em Brasília.............................................. 4- Empresa contratada descobre malas de espionagem nas Embaixadas da China e Coréia do Norte. Além de uma mala na casa do Advogado Kakay do PT................................................. 5- Após descobrir que as malas estavam a menos de 5 km do Palácio do Planalto, Barroso deveria ter alertado as autoridades...................................................... 6- Informações sobre o caso vazaram para o Allan dos Santos, que temendo por sua vida, devido a gravidade do caso, saiu do país para denunciar o crime a priori, de \"prevaricação\" do Ministro Barroso, porém o crime pode ser enquadrado na lei de Segurança Nacional.............................................. 7- Segundo a Lei de Segurança Nacional, Quem encobrir informações de Espionagem internacional está sujeito a penas de mais de 20 anos de prisão........................................... 8- Grande mídia não toca no assunto e diz que Allan fez Fake News............................ 9- Allan começa mostrar partes do conteúdo............................... 10- Terça Livre denuncia que Família de um ministro do STF está no Paraguai, o que poderia indicar uma fuga do ministro.......................................... 11- Barroso era advogado de Cesare Batisti, que tentou fuga para o Paraguai para de lá fugir para local incerto. Após isso Barroso foi indicado para o STF......................................... 12- Allan dos Santos teria também dossiê que desvenda o caso Adélio Bispo, podendo inclusive ter provas de quem mandou matar Jair Messias Bolsonaro......................................... Henrique Póvoa

Fernandes

Deus liberte o Brasil dessa família Bolsonaro de todos esses bandidos milicianos, e todos vermes e vírus. Amém!

Fernandes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentou ao presidente Jair Bolsonaro um plano para emplacar a extinta CPMF

Fernandes

Senhor...Na sua infinita misericórdia NOS LIVRE DO BOLSONARO e toda a CORJA DE BANDIDOS E RETARDADOS que o segue! É URGENTE AMÉM !


Potencial Pesquisa & Informação

03/08


2020

Justiça arquiva denúncia contra prefeita de Itaíba

A denúncia realizada pelo pré-candidato a vereador de Itaíba Jandilson Gomes da Silva à Justiça Federal, sobre supostos desvios de recursos públicos que teriam sido praticados pela prefeita Regina Cunha (Podemos), ganhou o caminho do arquivamento segundo despacho proferido pelo Juiz Federal da 28ª Vara, Allan Endry Veras Ferreira.

Na decisão, o juiz determina que as denúncias de possíveis crimes praticados no âmbito da prefeitura, por não possuir atribuições legais para investigações, que seja dada ciência ao Ministério Público Federal e posterior arquivamento dos autos.

Segundo a assessoria jurídica da prefeitura de Itaíba, o governo já possui todo o teor da denúncia formulada e se antecipará até mesmo ao Ministério Público Federal para comprovar a lisura dos atos praticados pela gestão da prefeita Regina Cunha, como também apresentar documentação comprovando a má fé e a falsidade das denúncias.

De acordo com a Procuradoria do Município, a prefeitura promoveu todo o processo licitatório como manda a lei, sob acompanhamento dos órgãos de fiscalização como o Tribunal de Contas do Estado. Lembra que as obras de saneamento estão sendo realizadas com mais de 60% das obras realizadas e a previsão de serem concluídas até o final do ano.

Sobre a escola, revela que a má fé já começa pelo fato de que os recursos da obra não são federais, mas recursos próprios, da Prefeitura de Itaíba, demonstrando que o denunciante buscou apenas criar um fato político de olho no pleito eleitoral de 15 de novembro próximo de forma a tentar favorecer a campanha da pré-candidata do grupo Martins, a quem é vinculado, Rogéria Martins.


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Comentários

marcos

STF proíbe investigar Verdevaldo;................................... STF proíbe investigar Serra e Alckmin;...................................... STF não julga caso de Gleisi;................................................... STF solta Lula e Dirceu;........................................... STF solta 32.000 presos;........................................ STF prende apoiadores de Bolsonaro;............................................. STF cala Bob Jeff e bolsonaristas.......................................... Que Justiça é essa?



03/08


2020

Presidente da Câmara detalha CPI em Arcoverde

Em entrevista ao Frente a Frente, a presidente da Câmara Municipal de Arcoverde, Célia Galindo, deu detalhes da abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar desvios de recursos num programa social na gestão da prefeita Madalena Brito (PSB), marcada para ser aberta na próxima sexta-feira. Confira!


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03/08


2020

Editorial analisa CPI para investigar prefeita de Arcoverde

No Frente a Frente de hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, o meu editorial foi sobre a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito, na próxima sexta-feira, destinada a investigar desvios de recursos num programa social na gestão da prefeita Madalena Brito (PSB). Vale a pena conferir!

O Frente a Frente tem como cabeça de rede a Rádio Hits 103,1 FM, em Jaboatão dos Guararapes.


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03/08


2020

A fulanização como fator do atraso brasileiro

Por Edson Barbosa*

m dos maiores problemas do Brasil, entre tantos, é a fulanização. Sempre estivemos atrás de alguém que botasse o ovo em pé. Não temos um projeto encantador de país, que contemple a contemporaneidade, que seja percebido pela população de forma simples, que indique o caminho a seguir e esclareça os temas a serem enfrentados, com consistência: o que, onde, porque, como, com quem, para quem!

Tanto nas proposições programáticas de partidos e campanhas, quanto na ação objetiva dos governos, nos resumimos a uma colcha de retalhos mal feita e a ações conjunturais, puxadinhos, como diz o povo. Embora haja mérito em algumas reflexões e iniciativas.

Com a estabilização da moeda a partir de 1994, ainda no governo Itamar Franco, e com a regulação na responsabilidade fiscal, FHC sinalizou para um novo patamar de modernidade e credibilidade, diante do mercado interno e da comunidade das nações. Mas logo se perdeu, entre outros motivos, pela covardia diante do sistema financeiro agiota e pela forma desmoralizante como urdiu a própria reeleição.

Lula manteve o trote da política econômica tucana, avançou na ideia de políticas públicas sociais importantes, mas continuou refém do sistema, possibilitou uma promiscuidade de alta voltagem, não foi capaz de tocar qualquer “reforma de fundo” e ainda cometeu a estultice de empurrar goela abaixo de todo mundo a chapa Dilma/Temer em 2010. Ainda por cima repetiu a dose em 2014. Inaceitável, sob qualquer aspecto que se avalie. Imperdoável, por não fazer uma autocrítica séria a esse respeito. Aliás, acho que Lula tem medo de Dilma. Às vezes fico com essa impressão. Não sei por quê.

Temos um PIB em torno de R$ 8 trilhões e não representamos sequer meio por cento do comércio mundial, compras e vendas. Somamos 210 milhões de habitantes num território abençoado em todos os aspectos, mas somos cúmplices de uma desigualdade socioeconômica imoral. A Índia, só para fazer uma comparação singela com o nosso concorrente entre os emergentes, tem 450 milhões de pessoas na miséria, mas consegue ser a potência mundial que é, em alta tecnologia.

Temos 13 milhões de analfabetos e nenhuma proposta séria que priorize a educação de base e dinamize virtuosamente os níveis médio e universitário, na dimensão do investimento público. É assim com tudo o mais: infraestrutura, segurança, saúde, geração de trabalho e renda, tecnologia, meio ambiente, direitos humanos etc. Além do que, como é do conhecimento até das pedras, sofremos com a esquizofrenia desonesta das relações entre os poderes da República, sustentada pela burocracia anacrônica, que lastreia o atraso e, portanto, a desesperança brasileira.

Enquanto a sociedade, ou pelo menos os setores de vanguarda (na falta de um termo melhor) não acordarem para uma mobilização que organize efetivamente um novo Estado brasileiro, continuaremos com essa sensação de cachorro que caiu do caminhão de mudança, procurando um fulano qualquer que possa ganhar do Bolsonaro em 2022, embora não se saiba necessariamente como, ou mesmo pra quê.

*Jornalista e publicitário


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